Rejeição ao governo atingiu os níveis mais altos do ano

Com prisão de Milton Ribeiro, menções sobre corrupção, nas postagens que falam de Bolsonaro, aumentou pela terceira semana seguida.

A semana finaliza com uma tendência de queda na aprovação do governo. É o que aponta pesquisa da Modalmais/AP Exata divulgada hoje. Segundo o estudo, a rejeição aumentou pela terceira semana seguida, desta vez em 0,8 p.p. O índice regular caiu 0,1 p.p. e a avaliação positiva caiu 0,7 p.p. As sucessivas crises foram os fatores principais na derrubada dos índices.

Somou-se a crise da Petrobras com a crise dos assassinatos na Amazônia e com a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro. Sua prisão e também de pastores evangélicos ligados ao Planalto, na investigação sobre alegados pedidos de propina para beneficiar municípios com verbas do FNDE, provocou uma crise intensa na imagem do governo e do presidente. As menções negativas a Bolsonaro chegaram a 70%, no Twitter, no dia da prisão do ex-ministro.

A militância governista foi capaz de reverter parte do impacto negativo com argumentos de que a prisão foi “mais um golpe” do Judiciário para prejudicar o governo. Esta tese encontrou respaldo depois que um habeas corpus resultou na libertação de Ribeiro e os pastores, recuperando as menções positivas ao presidente da República em 5%, na quinta-feira.

A live na qual Bolsonaro reforça a tese de que o juiz agiria para prejudicar o governo serviu como narrativa para toda militância bolsonarista.

O anúncio de um auxílio para os caminhoneiros, no valor de R$ 1.000, gerou queixas de internautas comuns. Para muitos, é injusto que apenas uma categoria seja beneficiada com o apoio, uma vez que muitos outros profissionais dependem dos veículos automotivos para trabalhar. Os auxílios têm sido uma tentativa do governo de atenuar os problemas causados pela inflação e de evitar mais desgastes ao presidente, a 100 dias das eleições.

Além do “Pix dos caminhoneiros”, a proposta de aumento do auxílio emergencial de R$ 400 para R$ 600 também movimentou as redes, dividindo opiniões. A oposição focou as críticas no aspecto eleitoreiro dos auxílios, acusando o governo de buscar a reeleição a todo o custo, deixando um rombo bilionário ao Erário. Estas críticas não vingam entre internautas comuns, que veem a fome e miséria alastrar no país e consideram que o governo deve tomar decisões que ajudem de imediato as famílias mais pobres. Mas internautas comuns acreditam que novos fatos poderão surgir e muitos interpretaram as falas de Bolsonaro como uma tentativa de relativizar atos de corrupção eventualmente praticados por Milton Ribeiro.

Neste cenário, as menções sobre corrupção, nos posts que falam de Bolsonaro, atingiram os níveis mais altos do ano. Mas a tendência é de que o assunto perca relevância, caso não apareçam novas denúncias. Na quarta-feira, as menções ao tema chegaram a 43%, na quinta caíram para 32,4% e nesta sexta estão em 23,6%.

As menções negativas dentro do assunto corrupção passaram de 72% na quarta, para 67% nesta sexta. Ou seja, há uma melhora, mas a crise ainda tem potencial para atrapalhar uma das principais bandeiras do governo.

A pressão da oposição nas redes resultou na obtenção das assinaturas necessárias para instalar a CPI do MEC no Senado. Rodrigo Pacheco já se manifestou contra, mas opositores acreditam que o STF reverterá a decisão, como aconteceu com a CPI da Covid. Governistas veem o pedido como mais um episódio de perseguição ao presidente. O tema deve crescer ao longo da próxima semana.

A ideia de criar uma CPI para investigar a Petrobras foi um dos temas mais falados da semana. A proposta conseguiu convencer grande parte dos internautas, que depositaram confiança na estratégia do presidente para forçar a petrolífera a baixar os preços.

No entanto, o tema acabou perdendo relevância, após a renúncia do presidente José Mauro Coelho. Mesmo a oposição, que chegou a aventar a possibilidade de também pedir a CPI, acabou por deixar a ideia de lado. Nas redes, muitos comentários previam que os trabalhos da comissão chegariam até as interferências do PT na empresa, nos governos Lula e Dilma.

A pesquisa DataFolha era aguardada com expectativa por petistas, que pressentiam números confirmando um distanciamento ainda maior entre Lula e Bolsonaro. Apesar da vantagem expressiva de Lula, os dados não confirmaram o crescimento exponencial do petista, aguardado pela sua militância. Ainda assim, a pesquisa foi comemorada pela esquerda, pela possibilidade de vitória no 1º turno, ainda que apertada.

Governistas descredibilizaram institutos de pesquisa, em especial o DataFolha, que consideram ser de oposição. Muitos seguiram publicando vídeos de Bolsonaro sendo ovacionado nas ruas e citando o “Datapovo” (sic), como termômetro eleitoral.

A performance de Simone Tebet e Ciro Gomes nas pesquisas também foi alvo de comentários. A maioria dos internautas acredita que a polarização entre Lula e Bolsonaro não será quebrada. Petistas voltaram a pressionar ciristas pelo voto útil em Lula.

Depois de uma recuperação da imagem do presidente, o índice voltou a cair nesta sexta-feira.

As menções aos candidatos, no Twitter, confirmam o crescimento da polarização política. Lula e Bolsonaro são tema de 93,5% do total de menções aos presidenciáveis. Bolsonaro finaliza a semana com um volume maior de menções, reflexo do protagonismo dos polêmicos casos envolvendo o governo nos últimos dias.

As emoções expressas pelos internautas acompanharam a tendência negativa das menções. A confiança chegou a 11%, muito abaixo das médias mensais que oscilam entre 14% e 15%. Medo e tristeza também apresentam índices altos.

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