Remédio certo, mas em dose baixa

Opinião / 14:30 - 24 de out de 2002

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O Banco Central usou o mecanismo mais eficiente que tinha em mãos para conter a inflação: aumentar os juros da economia. Mas deveria ter sentado a mão logo de uma vez como diz o ditado. A ação do Comitê de Política Monetária do BC em aumentar a taxa básica para 21% ao ano foi pouco enérgica. Eu diria, até, tímida para o atual momento. Para forçar a queda instantânea do dólar e afastar de vez o perigo da inflação de dois dígitos, já projetada para 2003, o BC deveria ter ido muito além dos 21%. Em outras ocasiões, como nas crises da Tailândia e da Rússia, por exemplo, a taxa chegou a ficar em 50%. Talvez o remédio não precisasse ser tão amargo dessa vez, mas 21% somente, com sinceridade, foi uma dose inapropriada para o momento. Era melhor então continuar como estava. Pelo menos não aprofundava ainda mais o quadro recessivo do país. A economia paralisada é o preço que se paga pelos juros altos. Se aumentasse os juros para uns 30%, por exemplo, o Comitê de Política Monetária teria margem para ir baixando gradativamente as taxas juntamente com os compulsórios nos próximos meses. Entregaria o país bem mais redondo para o novo presidente. É de suma importância defender a moeda nesse momento. Nem eu nem você queremos a volta da inflação. Creio que, dependendo da cotação do dólar, o Banco Central deverá elevar ainda mais a taxa básica de juros. Vamos acompanhar os próximos capítulos! José Arthur Assunção Vice-presidente da Federação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e diretor da ASB Financeira.

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