Renda em queda

Análise econômica distribuída na semana pela Itaú Corretora mostra pouca esperança na queda significativa do desemprego este ano, mesmo num cenário otimista. Em 2005, com crescimento econômico, poderia haver redução da taxa de desemprego para um dígito e renda mais próxima do patamar alcançado em 1995.
A análise mostra que está havendo migração contínua da população não economicamente ativa (Pnea) para a economicamente ativa (PEA). “De uma maneira simplificada, muitos associam esse movimento à redução do desalento, ou seja, o retorno ao mercado de trabalho de pessoas que haviam desistido de procurar trabalho devido à má situação econômica do país”. Entre quem comunga dessa tese está o ministro Antônio Palocci.
Porém, alerta o estudo, a participação da população em desalento dentro da Pnea é de cerca de apenas 0,2%, o que não explicaria o aumento do desemprego. Melhor explicação seria que a redução da renda familiar força pessoas que não estavam disponíveis a disputar emprego no mercado de trabalho, como jovens e donas de casa. Tanto que houve aumento da participação feminina e redução da idade média da PEA.

Contrição
Não é apenas o presidente Bush quem deve pedir desculpas, públicas e sem subterfúgios, aos iraquianos por enviar tropas e, mais grave, mercenários, para torturar e matar os filhos daquele povo. O pedido deve ser seguido por todos que, na mídia tupiniquim e fora dela, justificaram a invasão com a cantilena da exportação do processo civilizatório norte-americano. Para evitar recebimentos de cartas, a coluna prefere que as desculpas sejam feitas nos próprios veículos nos quais foram tocados os tambores da guerra.

Dicionário
Diante de jornais que insistem em chamar os mercenários norte-americanos no Iraque de “funcionários civis a serviço da CIA” e mascarar tortura como “maus tratos”, esta coluna dá algumas sugestões para maquiar termos desagradáveis. Em vez de “pobres”, por exemplo, poderia se empregar “pessoas desprovidas de recursos monetários”; e “desempregado” viraria “trabalhador gozando de ócio não remunerado”.

Livre
Para desespero da Microsoft, o movimento pelo uso de software livre – do qual o programa Linux é o maior expoente – não pára de crescer. A Câmara Municipal de Petrópolis (RJ) aprovou esta semana projeto de lei do vereador Renato Freixiela (PCdoB), criando mecanismos para que o município possa se utilizar de software livre e restrições ao uso de programas de código proprietário. Estes só poderão ser utilizados se não existirem programas de código aberto similares ou compatíveis com outros programas já utilizados nos computadores da Prefeitura.

Nossa língua
Para comemorar o centenário de nascimento de Joaquim Mattoso Câmara Jr., que publicou, em 1942, o primeiro compêndio de lingüística geral em português, e o seu 60º aniversário, a Academia Brasileira de Filologia (ABF) promove, entre 19 e 23 de junho, o Congresso Internacional de Língua Portuguesa, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Realizado em convênio com o Instituto de Letras da Uerj, com o Instituto Antônio Houaiss, com a Fundação Cultural Brasil-Portugal e com o jornal Folha Dirigida, o congresso debaterá desde a gênese da língua portuguesa a revisão e atualização do Dicionário Houaiss. Particularmente indicado para os que confundem conhecimento agregado com submissão cultural.

Pela janela
A liminar que revogou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, numa chicana que caminha para o terceiro ano sem uma decisão de mérito, estimula os que buscam o caminho mais curto para entrar para as redações driblando a necessidade de adquirir a cultura e o conhecimento universitários. Somente em Minas Gerais, o Ministério do Trabalho já expediu, desde outubro de 2001, cerca de dois mil registros precários. O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, porém, não aceitou nenhum pedido de filiação ou de emissão de carteira profissional para os portadores deste tipo de registro. Essa posição foi respaldada, em março, por decisão do juiz Estevão Lucchesi de Carvalho, da 14ª Vara Civil de Belo Horizonte e que julgou improcedente ação nesse sentido de um desses “janeleiros”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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