Renda fixa em 2022 exige atenção com cada tipo de investimento

Remuneração depende de boa escolha

A queda da Selic nos últimos anos levou os investidores a buscarem alternativas em ativos mais arriscados, mas o cenário mudou novamente. A alta da inflação reverteu o movimento de corte da Selic e fez a taxa passar de 2% em janeiro de 2021 para os atuais 9,25%. A perspectiva é de que ocorram novas altas e, segundo o boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central (BC), os juros devem atingir 11,5% ao final deste ano.

Tal conjuntura, aliada à insegurança provocada pela corrida eleitoral e pelas novas cepas da Covid-19, deve levar ao retorno dos investimentos à renda fixa, tida como porto seguro nesses momentos. “Os títulos de renda fixa estão se tornando cada vez mais relevantes para o investidor, pois a alta da taxa Selic faz com que os papéis indexados ao CDI, que é um indicador que acompanha a taxa básica de juros, fiquem mais atrativos para se investir. Essa modalidade de investimentos tem atraído a atenção em detrimento à bolsa de valores, que possui muito mais risco”, analisa Francis Wagner, CEO do App Renda Fixa.

Guilherme Gentile, head do aplicativo Dividendos.me, lembra que 2022 tende a ser de muitas incertezas para a economia e volatilidade para os mercados. “Pensando nesse cenário, o investidor deveria começar a ter mais cautela ao investir e alocar seu capital em ativos mais defensivos como os investimentos de renda fixa, sobretudo aqueles mais conservadores como títulos públicos e ativos bancários como CDBs, LCIs e LCAs”, recomenda.

Outro ponto importante a se observar é o nível de inflação, pois o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já se encontra perto de 11% no acumulado de 12 meses. “O investidor deve optar por ativos de curto a médio prazo, principalmente os indexados ao CDI, já que a taxa Selic está em tendência de alta justamente para conter o avanço da inflação”, diz.

Segundo Gentile, os investimentos indexados ao IPCA podem ser uma alternativa, mas é importante que, nesse caso, o investidor opte por ativos mais curtos, já que com a subida da taxa Selic, a tendência da inflação é baixar, afetando diretamente a rentabilidade dos ativos atrelados a esse indexador. “No atual patamar da taxa Selic, é possível encontrar boas opções nas plataformas de investimentos, diversas com um retorno de mais de 1 dígito ao mês”, ressalta.

A recomendação dos especialistas é de que, mesmo na hora de buscar o conservadorismo, deve-se observar as opções do mercado para fazer a melhor escolha. “Basicamente existem três formas de remunerar o investidor quando falamos de títulos de renda fixa: os prefixados, os pós-fixados e os híbridos”, explica Wagner.

Os títulos prefixados são aqueles cuja remuneração é estabelecida no momento da contratação do título. Nos pós-fixados, existe um índice de remuneração, como o CDI, por exemplo. Nesse caso, só se sabe a taxa pactuada no momento da aquisição do título e não é possível saber quanto, de fato, o investidor receberá no vencimento, pois a rentabilidade do título varia de acordo com o indicador. Já os títulos híbridos possuem uma remuneração composta de uma parte prefixada e outra por índice de remuneração, sendo que os principais são o IPCA e o IGPM.

“Nesse tipo de título, a remuneração da parte prefixada é possível saber de antemão, entretanto a pós-fixada entra no mesmo caso dos investimentos pós-fixados”, ressalta. Wagner enumera seis investimentos em renda fixa para 2022 que não podem ficar fora do radar dos investidores.

Os CDBs, pois eles possuem proteção do FGC até o limite de R$ 250 mil por CPF e por conglomerado financeiro e podem possuir liquidez diária, além de ser possível encontrar títulos a partir de 1 real. Os LCAs e LCIs, que contam com isenção de imposto de renda, além de ter garantia do FGC. Os LCs, que são títulos bastante parecidos com os CDBs e podem ser uma alternativa a esses títulos, além de também possuírem garantia do FGC. O Tesouro Selic é um título bastante seguro e não sofrer tanto com a volatilidade do mercado. O Tesouro IPCA+ é um título híbrido, que paga acima da inflação, ou seja, que em tese, remunera a juros reais. O Tesouro IPCA+2026 tem menos volatilidade que títulos mais longos como o IPCA+2035.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Real pode se beneficiar da queda do dólar ante moedas emergentes

Em NY, os índices futuros acionários operam no positivo, assim como as principais Bolsas europeias; alta também na Ásia.

Títulos públicos prefixados: maiores rentabilidades de julho

Destaque ficou com os prefixados de vencimentos mais longos, representados pelo IRF-M1+

Últimas Notícias

Real pode se beneficiar da queda do dólar ante moedas emergentes

Em NY, os índices futuros acionários operam no positivo, assim como as principais Bolsas europeias; alta também na Ásia.

Dia dos Pais: shoppings preveem crescimento de 16% nas vendas

Setor deve movimentar R$ 4,4 bilhões entre os dias 8 e 14 de agosto.

BNDES: R$ 6,9 bi para construção da linha 6 do metrô de SP

Total previsto de R$ 17 bilhões financiados por um consórcio de 11 bancos

Área de oncologia movimenta R$ 50 bilhões no Brasil

Cerca de 625 mil novos casos de câncer são diagnosticados por ano