Repondo a verdade

A afirmação do presidente do BNDES, Andrea Calabi, de que, desde 91 – era Collor – até agora o total arrecadado pelas privatizações perpetradas por União e estados foi de US$ 90,812 bilhões deve ser examinada por lupa especialíssima. Até dezembro de 98, o tucanato jactava-se de que as privatizações nos dois níveis de governo tinham rendido R$ 85,2 bilhões – nessa época, quando o delírio cambial ainda não se esfumaçara, os números ainda eram divulgados em reais.
Desse total, R$ 46,2 bilhões eram de privatizações federais; R$ 22,5 bilhões de negócios estaduais; R$ 11,3 bilhões de dívidas transferidas aos compradores das primeiras e R$ 5,2 bilhões de dívidas transferidas aos compradores das segundas.
Esses são os números pelo lado das receitas, não incluindo o custo do saneamento das estatais. Essa rubrica junta, entre outros gastos, as dívidas assumidas pelo Governo das empresas e que deveriam ser pagas pelos compradores; investimentos pesados antes das vendas (apenas no sistema Telebrás foram torrados R$ 21 bilhões em 30 meses); demissões em massa cujos passivos trabalhistas foram pagos pelo Estado e dividendos e lucros que o Governo deixou de receber depois que as empresas foram tornadas lucrativas. Além disso, várias empresas foram vendidas em prestações intermináveis e juros camaradas, mas os números foram divulgados como se  tivessem sido pagas à vista.
Decubando-se esses números, tem-se que as vendas a prazo somaram R$ 14,8 bilhões; as dívidas assumidas pelo Governo, R$ 16,1 bilhões; os juros de 15% pagos pelo Governo sobre essa dívidas, R$ 8,7 bilhões; investimentos totais antes das privatizações, R$ 28,5 bilhões; juros pagos por esses investimentos; R$ 8,9 bilhões; “moedas podres” recebidas, R$ 8,9 bilhões; dinheiro deixado em caixa para os compradores, R$ 1,7 bilhão. Essa farra com o dinheiro público totalizou R$ 87,6 bilhões.
Portanto, na verdade, em vez de um lucro de R$ 85,2 bilhões, o País amargou prejuízo de R$ 2,4 bilhões. Essa perda não contabiliza gastos incalculáveis, como os pagos por demissões antes das privatizações; perda com Imposto de Renda; lucros das antigas estatais que deixou de ser recebido pelo Governo.
Esse levantamento, levado a cabo pelo jornalista Aloysio Biondi, no seu O Brasil privatizado, vai até dezembro de 98. De lá para cá, certamente, a gastança somente fez aumentar.

Mini-bancos
A Caixa Econômica Federal recebeu 11.812 inscrições na primeira fase de licitação para abertura de 2 mil novas lotéricas em 500 municípios que não contam com agências da Caixa ou casas de loteria. Nesta segunda-feira, o Diário Oficial da União publica outro edital com mais um bloco de 500. Cada município, com população entre 2 mil e 20 mil habitantes, recebeu em média 24 propostas de pontos lotéricos. Além da loteria, a ampliação da rede prestar serviços financeiros, como pagamento de contas de água, luz, impostos, prestação da casa própria e depósitos da Poupança. O investimento necessário para abrir uma lotérica nos padrões definidos pela Caixa é de R$ 5 mil. O candidato terá acesso a financiamento da própria Caixa no valor máximo de R$ 4 mil. A CEF estima que serão criados 5 mil empregos.

Agressão
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) protestou contra as agressões físicas e as arbitrariedades praticadas por policiais militares contra o repórter-fotográfico Juarez Rodrigues, do jornal Estado de Minas, no último dia 17. Dois PMs agrediram o profissional, apreenderam o seu equipamento de trabalho e o seu telefone celular e exigiram a entrega de filme fotográfico que registrava uma ocorrência policial. O presidente da ANJ, Paulo Cabral, e o vice-presidente responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão, Renato Simões, enviaram correspondência ao Comandante Geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Mauro Lúcio Gontijo, afirmando que “tais fatos caracterizam intolerável atentado à liberdade de imprensa, que é assegurada pela Constituição Federal”. Os dirigentes da entidade solicitaram “urgentes e enérgicas providências para o caso e a exemplar punição dos agressores”.

Controle de qualidade
Não foi a assessoria da Telemar que considerou “normal” a espera de 40 minutos quarta-feira pelo atendimento do serviço de informação 102, mas sim uma funcionária, cujo nome não foi anotado pela fonte desta coluna. Na verdade, a assessoria da empresa negou que o sistema estivesse com defeito, como informara uma atendente do 102 e gravação da própria empresa. A assessoria somente soube do defeito, quando foi perguntada a respeito. Ou seja, pelo padrão Telemar esperas de 40 minutos já estão incorporadas à rotina dos assinantes.

Comendo massa
Os fabricantes de macarrão estão otimistas em relação ao ano 2000. A Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima) estima que o setor cresça 10% em volume e venda esse ano. “Não temos previsão de crise no País, como a de 99, e a safra de trigo da Argentina deve ser boa esse ano”, explica Aluísio Quintanilha, presidente da entidade.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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