Requalificação automatizada e nova política educacional são prioridades contra apagão de mão-de-obra

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Fila de em busca de emprego (Foto: José Cruz/ABr)
Fila de em busca de emprego (Foto: José Cruz/ABr)

O desemprego atinge cerca de 9 milhões de brasileiros no início do ano e é considerado um problema crônico da economia do País. Por outro lado, a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) estima que o País irá gerar, até 2025, cerca de 797 mil vagas no setor. O problema é que anualmente são formados 53 mil trabalhadores nesta área e seriam necessários muitos mais para suprir as vagas que serão abertas no período. Essa diferença entre oferta e procura é chamada de apagão de mão-de-obra, que começa a ser enfrentado pelas startups com soluções de automação na requalificação dos times, mas precisa também contar com relevantes ajustes estratégicos na política educacional.

Na avaliação do professor Francisco Borges, mestre em Políticas Públicas do Ensino e consultor da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT), esse “apagão” é resultado de políticas educacionais que ignoraram as reais demandas do mercado. “Alinhar essas expectativas é crucial para reduzir o desemprego, e o primeiro desafio hoje é a busca pela excelência da capacitação, aquém do necessário na maior parte dos casos”, diz.

De acordo com ele, atualmente, existem mais de 19 milhões de vagas de cursos de graduação técnica presenciais e mais de 13 milhões de vagas para cursos EaD. Ou seja, não se trata de um problema de quantidade de vagas para qualificação profissional, e sim para quais setores elas são ofertadas. “Às vezes, as políticas educacionais priorizam cursos descolados da realidade do mercado”, afirma.

Ele destaca que existem, nas Instituições de Ensino Superior públicas, cursos que sequer conseguem ocupar suas vagas por serem de baixa capacidade de empregabilidade. Não é diferente nas instituições privadas, que também precisam conhecer mais o mercado, entender as demandas dos setores produtivos e se preparar para garantir aos alunos um acesso a posições de aproveitamento real do saber e do fazer.

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O que fazem as startups?

Neste cenário, reter talentos e motivar pessoas são práticas que ocupam ainda mais o topo da lista de prioridades das empresas. Uma das respostas mais eficazes encontradas foi a modernização dos programas de incentivo para adaptar suas funcionalidades rapidamente às necessidades de cada organização. Rodolfo Carvalho, CEO da Incentivar, primeira plataforma especializada em incentivo inteligente do Brasil, apostou neste modelo e, no último ano aumentou a quantidade de usuários na plataforma em 40%.

“Temos a solução para uma das maiores dores das empresas, que é justamente manter seus times devidamente motivados e focados nas metas traçadas. Não é à toa que tivemos um crescimento de mais de 30% em faturamento de janeiro de 2021 até agora e aumentamos consideravelmente nossa carteira de clientes no mesmo período”, afirma o gestor.

Há 3 anos no mercado, a Incentivar atualmente atende companhias de todos os portes. No total, são mais de 50 clientes incluindo marcas líderes de seus segmentos como Coca-Cola Femsa, iFood, Wizard, Remax, Hypera, Marilan, entre outras. Uma das vantagens do software é sua característica SaaS e White Label. Por meio de dashboards tanto os colaboradores quanto seus gestores podem acompanhar o desempenho e o quanto falta para a meta ser alcançada. Aliás, o aplicativo possibilita o uso inteligente com base nos dados coletados durante a campanha. É possível acompanhar os resultados segmentados de todos os participantes durante a campanha, saber quais produtos foram resgatados com pontos na plataforma, entre outras funcionalidades que facilitam a tomada de decisões e preparação das equipes.

Outras ferramentas que têm ganhado cada vez mais espaço para ajudar os colaboradores a melhorarem suas performances durante o treinamento estão relacionadas à Inteligência Artificial (IA). Um levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), que compõe o relatório Future of Jobs, mostrou que apesar de empregadores demonstrarem a intenção de oferecer requalificação e atualização para 70% de seus funcionários, apenas 42% dos empregados estão dispostos a receber esta oportunidade de atualização profissional. Neste contexto, cresce a expectativa de que, neste ano, setores ainda pouco familiarizados com essas tecnologias emergentes, como a própria IA, apostem na recomendação automática de conteúdo e gamificação.

Utilizando como base os dados do trabalho produzido pelo FEM, o fundador da Beedoo, plataforma de comunicação e capacitação para equipes operacionais, Álvaro Manzione, acrescenta que, em média, as empresas estimam que cerca de 40% dos trabalhadores precisarão de uma nova requalificação a cada seis meses. Além disso, 94% dos líderes empresariais esperam que seus funcionários adquiram novas habilidades no trabalho o quanto antes. “Suprir uma demanda com este volume e nesta velocidade é uma tarefa praticamente impossível de ser executada pelos métodos tradicionais de treinamento. Por isso, as empresas estão buscando a cada dia novas tecnologias e metodologias de ensino profissional”, diz.

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