Requião: manipulação da PM para endurecer o regime

Ex-governador diz que estamos sob risco de caos: ‘Liberalismo não deu certo em nenhum lugar’.

O movimento dos policiais militares em todo o país pode estar sendo provocado ou manipulado por aqueles que querem endurecer o regime, avalia o ex-governador Roberto Requião, em entrevista à coluna. O ex-senador pelo Paraná afirma que os PMs lutam para obter o mesmo aumento que o governo deu para os altos oficiais das Forças Armadas, mas ressalta que greve de policiais é ilegal e condena os atos de violência.

 

Senador, como o Sr. vê o movimento dos PMs, que resultou no ataque a tiros ao senador Cid Gomes, no Ceará?

São atos absolutamente inaceitáveis. O que ocorreu no Ceará acontece com frequência contra professores e demais trabalhadores, sem a mesma indignação. Gosto da coragem do Cid Gomes, que tem todo meu apoio, apesar de ter sido um ato de temeridade agir contra policiais armados e exaltados. Ele foi vítima de uma tentativa de assassinato.

 

O Sr. acredita que a movimentação dos PMs pelo país é uma reação à política recessiva do ministro Paulo Guedes?

Não sei se é reação ou é provocado por eles, há muita manipulação a partir da insatisfação concreta da PM. Estamos sob risco do caos. O liberalismo não deu certo em lugar nenhum no mundo. Pode estar havendo manipulação para levar a um endurecimento do regime.

 

A declaração do general Heleno contra o Congresso vai neste sentido?

O general quer entregar o Brasil sem pagar comissão aos congressistas corruptos. Rodrigo Maia quer a mesma coisa, mas pagando comissão.

 

Nesse quadro, como o Sr. vê as alternativas para o Brasil?

A proposta de uma frente ampla com os liberais me assusta. A ideia atende aos interesses internacionais, especialmente dos Estados Unidos. Significa consolidar o neoliberalismo no Brasil, a venda da Petrobras, a privatização da água. Afasta o Bolsonaro e alguns integrantes do governo para colocar alguém mais palatável, que terá aplausos da Globo e da Folha.

Sou favorável a uma frente popular, nacionalista e democrática, que tenha como centro o desenvolvimento do Brasil e a anulação dos atos lesivos contra o país.

 

Escolas dão aula de combatividade no pé

Escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo levarão às passarelas, como de costume, enredos com tom político. Abaixo, uma lista com os desfiles mais engajados dos grupos especiais das duas capitais:

Rio

Mangueira: Enredo A Verdade vos fará Livre

A verde e rosa fará um dos desfiles mais simbólicos, com Jesus crucificado negro, identificado com os mais pobres, moradores de favelas, contra o preconceito e a intolerância.

União da Ilha: Enredo Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está lançada: Salve-se quem puder!

Cobra dos políticos o cumprimento de promessas para resolver problemas sociais: saúde, emprego, educação e moradia

São Clemente: Enredo O conto do vigário

Fala sobre malandragens e falcatruas. No samba-enredo, denuncia de laranjas, mamatas, marajá puxando férias em Bangu, fake news e decreta: “A maré vai virar”.

São Paulo

Barroca Zona Sul: Enredo Benguela

Homenagem à líder quilombola Tereza de Benguela.

Tom Maior: Enredo É coisa de preto

Levará ao sambódromo a importância do negro na construção e desenvolvimento do Brasil.

Mancha Verde: Enredo Pai, perdoai! Eles não sabem o que fazem

O enredo de tom religioso defende a luta de “Penhas e Marias”, direitos, igualdade e fala: “Deus não criou raça e nos ensinou / Aos olhos não existe cor”.

Águia de Ouro: Enredo O poder do saber – Se saber é poder… Quem sabe faz a hora não espera acontecer

A escola falará sobre a educação. O título do enredo, com verso da música antiditadura de Geraldo Vandré, mostra o espírito do desfile.

 

Receptadores

Proposta de emitir bônus para recomprar ações e retomar o controle da Petrobras, feita por Ciro Gomes, não agrada ao ex-senador Roberto Requião. Ele defende a edição de um decreto em que os atos lesivos sejam anulados. “É como tratar um receptador de mercadoria roubada”, ataca.

 

Rápidas

O professor Mércio Gomes, ex-presidente da Funai, fala sobre “Moral e ética no Brasil”, dentro do ciclo de conferências “Pensar o Brasil: Sínteses e confluências”, da Academia Brasileira de Letras, coordenado por Ana Maria Machado. Será em 12 de março, 17h30, no Teatro R. Magalhães Jr., na sede da ABL, no Centro do Rio. Informações em academia.org.br *** O Caxias Shopping acaba de aderir ao conceito de amigos dos animais domésticos. As regras de boa convivência podem ser lidas no site.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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