Resistência

Sessenta e três em cada 100 jornalistas ouvidos pela Toledo & Associados são contra a criação do Conselho Federal de Jornalismo. No rádio a resistência contra o CFJ é menor; nas redações das revistas as opiniões contrárias se multiplicam. Essa diferença também tem relação com a questão regional, já que no Nordeste é de quase meio a meio a avaliação sobre o conselho, enquanto no Sudeste mais de 70% são contra – e as revistas estão concentradas nesta região. A Toledo ouviu, em agosto, 307 jornalistas (45% no Sudeste), com idade média de 41 anos. Os argumentos contrários vão desde a questão da liberdade de imprensa até a contrariedade com anuidades para sustentar mais um órgão burocrático.

Celso Furtado será o grande homenageado desta terça-feira à noite, por ocasião da solenidade de abertura do XX Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia (Since), que acontece em Belém do Pará. “Pelo conjunto da obra e inestimável contribuição à formação do pensamento econômico”, o Conselho Federal de Economia (Cofecon) lhe conferirá comenda especial. Por sua vez, Reinaldo Gonçalves, professor de Economia Internacional da UFRJ, será condecorado com a medalha Personalidade Econômica 2004. A condecoração foi especialmente instituída pelo Cofecon, em 2004, para homenagear o profissional que mais se destacou no cenário das Ciências Econômicas em nível nacional.

Papagaio
Só metade (mais exatamente 51%) das dívidas brasileiras de médio e longo prazo no exterior foram roladas em julho. No mês anterior, a taxa de renovação ficara em 70%. Os dados levantados pelo Instituto de Estudos e Desenvolvimento Industrial (Iedi) no Banco Central mostram que as amortizações de médio e longo prazos permaneceram elevadas, situando-se em US$ 3 bilhões e os desembolsos foram superados pelas amortizações em US$ 1,4 bilhão em julho, contra US$ 1 bilhão em junho e US$ 753 milhões em julho de 2003.
Os bônus de médio e longo prazos tiveram desembolsos de US$ 750 milhões, mesma cifra do mês anterior. As amortizações de bônus em julho totalizaram US$ 250 milhões. Já a rolagem de notes e commercial papers foi de 93%. No que se refere ao crédito de fornecedores (crédito comercial), a taxa de rolagem ficou em 39%, aquém dos patamares registrados em junho (43%) e de julho do ano passado (49%), meses nos quais os níveis de rolagem também foram baixos. As amortizações líquidas ficaram em US$ 100 milhões.
“Dificuldade ainda maior em se rolar compromissos foi observada nos empréstimos e financiamentos de médio e longo prazos”, destaca o Iedi: apenas 22% das obrigações foram roladas em julho, menor ainda do que a taxa do mês anterior, 65%, e do mesmo mês do ano passado, 73%. As amortizações líquidas atingiram US$ 1,3 bilhão em julho último.

Reservas baixas
A taxa de rolagem do setor privado foi ainda pior que em junho, no qual o nível já havia sido de meros 28%, ficando em 26%. “Tais patamares de rolagem asseveram que as condições de financiamento externo não estão tranqüilas”, alerta o Iedi. Ajudou a salva as contas externas do país, além da balança comercial, os investimentos externos diretos (IED). Com isso, entrou no país US$ 1,3 bilhão a mais do que saiu, valor aquém daquele registrado em junho (US$ 1,9 bilhão). Os fluxos de capitais estrangeiros alcançaram US$ 2,9 bilhões; as saídas líquidas de capitais brasileiros totalizaram US$ 1,6 bilhão.
O Iedi faz outra advertência: as reservas internacionais líquidas ajustadas permaneceram em US$ 25 bilhões, “montante que não resguarda a economia brasileira ante choques externos, ficando esta mais vulnerável diante dos reveses no cenário econômico global”.

Lá como cá
No México, as instituições financeiras colocam em destaque a manutenção da estabilidade. Análise do Scotiabank e BBVA Bancomer diz que nos quatro anos da administração Fox o destaque foi a situação financeira do país. Quanto ao elevado desemprego e subemprego, todos preferem esquecer.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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