No sábado de manhã, um morador local colocou um ramo de flores brancas debaixo de uma árvore na calçada que ligava o prédio número 2 do Centro Municipal de Virginia Beach expressando suas condolências.
"Poderia ter sido eu. Eu poderia estar aqui. Poderia ter sido alguns dos meus entes queridos", disse o morador à Xinhua, que não quis dar seu nome.
Virginia Beach, uma cidade resort no estado sudeste da Virginia nos EUA, entrou em tristeza no sábado depois que 12 pessoas foram mortas e quatro outras ficaram feridas por um atirador que abriu fogo "indiscriminadamente" em um edifício municipal no dia anterior.
O atirador foi identificado pela polícia como um homem de 40 anos, DeWayne Craddock, engenheiro no departamento de utilidade pública da cidade nos últimos 15 anos.
Craddock morreu depois de um "longo tiroteio" com quatro policiais, depois de andar por três andares atirando em pessoas aterrorizadas. Ele disse ter usado duas pistolas calibre 45 equipadas com um dispositivo "supressor de som" e cartuchos de munições estendidos.
Essas armas foram compradas legalmente, disseram os investigadores, acrescentando que eles recuperaram mais armas na casa do atirador.
O chefe de polícia de Virginia Beach, Jim Cervera, recusou-se a comentar qualquer possível motivo.
Vigílias em prol das vítimas foram realizadas em Virginia Beach durante todo o sábado. "Somos uma cidade de coração partido", disse Julie Hill, diretora de comunicação da cidade. "Nós perdemos 12 pessoas que não fizeram nada além de ir trabalhar."
O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que as bandeiras dos EUA fossem içadas a meio mastro em memória das vítimas. Ele estava ordenando a ação como um "sinal de respeito solene para as vítimas do terrível ato de violência", de acordo com a Casa Branca sobre o ataque de sábado.
"Este é o dia mais devastador da história de Virginia Beach", disse o prefeito Bobby Dyer na sexta-feira.
O tiroteio em Virginia Beach foi o pior tiroteio em massa nos EUA desde novembro de 2018, quando uma dúzia de pessoas foram mortas em um bar na Califórnia.
Com sede em Washington, The Gun Violence Archive, entidade sem fins lucrativos, documentou mais de 150 tiroteios em massa até agora este ano nos EUA. 5.866 pessoas foram mortas e 11.222 feridas por incidentes relacionados com a arma dentro da nação desde o dia 1 de janeiro, disse a corporação.
Das 12 vítimas mortas no tiroteio de sexta-feira, 11 eram funcionários da cidade e o outro era um empreiteiro que estava solicitando uma permissão.
Vários meios de comunicação dos EUA descreveram Craddock como um "funcionário insatisfeito".
Brasil: CCJ decide destino das novas regras sobre armas de fogo
No Brasil, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) se reúne na quarta-feira, a partir das 10h, e deve votar seis projetos de decreto legislativo (PDLs) que suspendem as novas regras para porte e posse de armas, editadas pelo governo federal. Os projetos têm parecer contrário do relator, senador Marcos do Val (Cidadania-ES), o que significa a manutenção das normas.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou dois decretos nos últimos 30 dias para flexibilizar o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 2003). O primeiro deles (9.785) criou novos grupos autorizados a ter o porte de armas. Também estendeu a possibilidade de posse para armamentos de calibres mais altos, permitiu que menores de idade pratiquem tiro esportivo com autorização dos pais e abriu uma brecha para que passageiros carreguem armas em vôos. O segundo decreto (9.797) reverteu essas três últimas medidas, mas manteve a ampliação do porte.
Os seis decretos, assinados por senadores de quatro partidos diferentes, tramitam em conjunto. Eles alegam ilegalidade nos decretos presidenciais, que teriam inovado sobre a legislação, e não apenas regulamentado a sua aplicação.
O senador Marcos do Val deu parecer contra todos eles, defendendo a manutenção das novas regras. Para ele, os decretos refletem a vontade da população no tocante à posse e ao porte de armas. Além disso, segundo o relator, medidas de desarmamento da população tiveram efeito negativo sobre a criminalidade e a violência.
O parecer de Marcos do Val recebeu dois votos em separado, dos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB). Eles contrariam o parecer e sustentam a aprovação de todos os PDLs.
Mesmo que sejam rejeitados pela CCJ, nos termos do relatório de Marcos do Val, os projetos ainda serão analisados pelo Plenário, que terá a decisão final sobre eles.
Com informações da Xinhua e da Agência Senado
















