Respeitar a vontade do povo e a tendência dos tempos

Tian Min, cônsul-geral da China no Rio de Janeiro.

Apesar das repetidas advertências da China, Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, fez uma visita a Taiwan. O ato viola seriamente o princípio de Uma só China e as disposições dos três comunicados conjuntos sino-estadunidenses, abala gravemente a base política das relações China-EUA, infringe a soberania e a integridade territorial da China e mina a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan. Em vista disso, a parte chinesa manifesta veemente objeção e severa condenação.

Existe no mundo apenas uma China, da qual Taiwan é parte inseparável. O governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa o país. A Resolução 2758 da Assembleia Geral da ONU analisou com clareza todo o histórico da questão de Taiwan e deixou explícito o fato e o status quo de que os dois lados do Estreito de Taiwan pertencem à mesma China. O princípio de Uma só China é consenso na comunidade internacional, uma norma reconhecida nos relacionamentos internacionais, assim como uma premissa fundamental para as relações diplomáticas da China com 181 países, incluindo os EUA. Em 1979, no comunicado para o estabelecimento das relações diplomáticas com a China, Washington reconhece explicitamente que o Governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa o país e promete manter apenas relações culturais, comerciais e outras não-oficiais com Taiwan. O princípio de Uma só China é o cerne dos interesses centrais da China e uma linha vermelha e uma linha de fundo que não devem ser cruzadas. Esse princípio deve ser respeitado e qualquer contato oficial deveria ter sido evitado por Nancy Pelosi, na qualidade de presidente da Câmara e figura política no. 3 dos EUA. Uma visita dela a Taiwan, sob qualquer circunstância e em qualquer momento durante seu mandato, constitui uma grave violação do princípio de Uma só China reconhecido por Washington, uma grande provocação política ao intensificar contatos oficiais e relações substanciais dos EUA com a Ilha e uma conivência com as forças secessionistas da “independência de Taiwan”.

A nova rodada de tensões e desafios severos no Estreito de Taiwan deve-se, fundamentalmente, às contínuas provocações feitas pelas autoridades da Ilha e dos EUA, na tentativa de mudar o status quo. As autoridades do Partido Democrático Progressista de Taiwan sempre buscam apoio dos EUA para sua agenda independentista, recusam-se a reconhecer o Consenso de 1992, que incorpora o princípio de Uma só China, e fazem de tudo para viabilizar uma “dessinicização” e uma “independência progressiva”. Além disso, conspiram com forças externas para engajar-se em atividades secessionistas na arena internacional. A parte estadunidense, por sua vez, tenta usar Taiwan para conter a China, trai os compromissos assumidos e vem distorcendo, obscurecendo e esvaziando o princípio de Uma só China. Além disso, dissemina a teoria do “status indeterminado de Taiwan” e encoraja as atividades separatistas em busca da “independência de Taiwan”. Diante disso, a China não ficará de braços cruzados, mas tomará medidas necessárias e justificadas para defender sua soberania nacional e integridade territorial.

A China é um grande país com uma história de mais de 5 milênios e uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Tanto o governo como o povo chinês mantêm uma postura coesa e clara sobre a questão de Taiwan. A proteção da soberania e da integridade territorial é um firme compromisso de todos os chineses e concretizar a reunificação completa da pátria, sua aspiração comum e responsabilidade sagrada. A vontade do povo não pode ser desafiada, e a tendência dos tempos não será revertida. Nenhum país, nenhuma força nem ninguém deve subestimar a determinação, a vontade e a capacidade do governo e do povo chinês na defesa da soberania e da integridade territorial e seu compromisso com a reunificação e a revitalização da nação. Temos toda a confiança de que o Brasil e toda a comunidade internacional observarão o princípio de Uma só China, apoiarão a China na questão de Taiwan e nos demais assuntos que envolvam os interesses centrais do país e darão seu respaldo aos esforços da China para salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial.

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