Respeito

As críticas à viagem do ministro Celso Amorim ao Oriente Médio não deixam de representar um certo complexo de inferioridade tupiniquim. Recebido pela chanceler israelense e candidata a primeira-ministra, Tziti Livni, pelo Rei Abdullah II, da Jordânia, pelo presidente sírio, Bashar Al Assad, e pelo premiê palestino, Salam Fayyad, Amorim gozou de um prestígio na região bem distante da imagem de presepada que quiseram impor alguns setores da imprensa nacional. Se não fosse pela importância como potência mundial emergente, o Brasil mereceria no Oriente Médio atenção pela grande presença de árabes aqui – São Paulo é a maior cidade libanesa fora do Líbano – e pelo exemplo de convivência amistosa entre israelenses e árabes.

Complexo
“Só quem não acredita no Brasil são os brasileiros. Isso se passava antes da Copa de 58, como dizia o Nelson Rodrigues”, comparou o ministro Celso Amorim. “No futebol nós superamos essa síndrome. Na política e no comércio internacional, não.”

Meio gasto
Enquanto contrarie a política fiscal adotada até agora em seu governo, de prioridade máxima para o pagamento de juros – prática batizada por economistas de superávit primário – o presidente Lula aponta para uma importante correção de rota ao reafirmar, de forma recorrente, em seus discursos, a importância dos gastos públicos para ajudar a debelar a recessão que ronda o país.
No entanto, ao criar uma dicotomia entre “investimentos” e “custeio”, como emblemático do gasto público “bom” e “mau”, como se esse fosse comparável ao colesterol, Lula mostra que a inflexão na orientação fiscal não foi completada e ainda abre, em tese, espaço para uma aberração administrativa.
Como sabe qualquer administrador, a construção de obras físicas permitidas pelos investimentos que Lula defende carece de manutenção para que não se deteriore ou se transforme num elefante branco. Manutenção, que inclui gastos com pessoal e trato das instalações físicas.
É inimaginável, por exemplo, construir um hospital ou uma escola, como defende corretamente Lula, mas, depois, como erra o presidente, cortar no custeio, não pagando salários decentes a professores, médicos, funcionários administrativos etc., ou ainda, economizando na manutenção de equipamentos como tomógrafos e computadores.
Caso isso ocorra, se estará diante de um meio gasto público, ou, para recorrer a uma metáfora do gosto de Lula: seria o mesmo que contratar os melhores jogadores para seu time, mas não pagar seus salários e os da comissão técnica, não aparar a grama do campo de treinamento…

Mais que remédio
Foi publicada no DO do Rio de Janeiro a Lei 5.370/09, que autoriza farmácias e drogarias a oferecer os serviços de aplicação de injeção, medição de pressão arterial e inalação, desde que a cargo de profissional habilitado em curso técnico ou profissionalizante, sob supervisão do farmacêutico e sob prescrição médica. A oferta destes serviços não é bem vista pela classe médica, mais por corporativismo do que atenção à saúde, mas é prática comum entre a população de baixa renda, que pena para ter acesso a postos de saúde.

Gelado
Os biscoitos Bono e Negresco, da Nestlé, entraram numa gelada no McDonald”s e no Burger King. Na maior rede de lanchonetes do mundo os clientes poderão provar o McFlurry Bono, combinação de sorvete, cobertura de chocolate e pedaços do biscoito. Já no Burger King, a novidade fica por conta do Negresco BK Sundae Shake, mistura de sorvete, cobertura de chocolate e biscoito Negresco.

2009 ainda não começou
O ano começa com uma ótima notícia para as operadoras da área de telecomunicações e péssima para os contribuintes vitimados pelos serviços e pelo descaso da empresas. Há pelo menos 48 horas, o telefone de atendimento da Anatel – 0800332001 – não recebe chamadas. O aparelho ou dá ocupado continuamente ou chama por um longo período sem que ninguém atenda. Quando se consegue falar com algum atendente, este manda retornar a operação, porque o sistema “enfrenta problemas”.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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