Responsabilidade social acaba no departamento de pessoal

Códigos de ética têm belas palavras, mas ondas de demissão são a realidade.

Fatos e Comentários / 19:01 - 15 de jun de 2020

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Ao que parece, os decantados códigos de ética, sem auditoria e acompanhamento, servem apenas para ornamentar os balanços anuais e as apresentações, em mídias físicas e eletrônicas”, ironiza o consultor Luiz Affonso Romano. Para ele, a atual crise mostra que muitas empresas ditas responsáveis na verdade respeitam tanto a ética como as companhias no início da revolução industrial.

As ondas de demissões nas grandes empresas, com o enxugamento decorrente da queda do emprego formal e das crises da pandemia, econômica e política, são feitas sem qualquer preocupação com a apregoada atitude ética e responsabilidade social. Por que as empresas não tentam prepará-los para uma nova carreira ou readaptá-los a outras funções?”, questiona.

Para o consultor, os agentes diretos e indiretos da administração pública deveriam conceder, cumulativamente, redução de impostos, taxas, incentivos à exportação e preferência no fornecimento ao governo e os bancos oficiais empréstimos a juros privilegiados.

E conclui: “Os benefícios seriam dados às empresas que, diante da crise, aplicassem políticas mais humanas e estratégicas, proporcionando ambiente fecundo ao surgimento de talentos e comprometimento mútuo, ético. Afinal, cidadãos, governos, corporações, todos, estão na mesma viagem e no mesmo barco, cúmplices e companheiros do mesmo destino.”

 

Privatizar mata

Uma década de privatizações deixaram o Reino Unido mais vulnerável aos efeitos do coronavírus. Desde 2008-2009, o número de leitos hospitalares na Inglaterra foram reduzidos em 32 mil. O número é quase o mesmo que os 33 mil que o NHS (o SUS britânico) teve que reconfigurar para atender aos pacientes da Covid-19.

A matéria do jornal The Guardian apresenta outro número estarrecedor: quando o vírus começou a se espalhar pela Europa, o Reino Unido figurava na 24ª posição entre os países em número de leitos para cuidados intensivos, com 6,6 por 100 mil habitantes, enquanto a Alemanha, no topo da lista, dispunha de 29,2 por 100 mil.

A privatização deixou os britânicos com menor controle sobre os efeitos da pandemia, o que pode ser ilustrado na quantidade de testes. Ao setor privado coube fazer 75% dos testes, com a ambiciosa meta de 100 mil por dia ao final de abril. Objetivo não alcançado: ficou na casa de 80 mil. Pior: muitos testes, enviados pelos Correios, muitos perderam validade. A meta só foi atingida em 11 de maio.

Vale registrar que os cortes não começaram com o primeiro-ministro conservador David Cameron, mas com o trabalhista Gordon Brown. A ascensão de Boris Johnson não é tão inexplicável assim.

 

Déficit

Vamos combinar, esse grupo autodenominado 300 do Brasil deveria ser rebatizado para 30 de Bolsonaro; depois das prisões desta segunda, 24 + 6.

 

Os donos da voz

Muito interessante prender meia dúzia de baderneiros. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) está devendo uma ação firme contra quem financia a balbúrdia.

 

Cidade Maravilhosa na quarentena

O Portal Consultoria em Turismo Bayard Boiteux lançou no Facebook uma exposição de fotos do Rio de Janeiro de várias pessoas que foram clicadas durante a quarentena. Os registros foram feitos de varandas, janelas, jardins, e mostram um amor incontido pelo Rio.

Com curadoria de Viviane Fernandes e Gustavo Delesderrier, a mostra traz fotos de Vanda Klabin, dos cônsules do Peru, Hugo Fores, e da Argentina, Cláudio Gutierrez, de Maritza Orleans de Bragança, entre outros.

 

Desvio

Bolsonaro incentiva a invasão de hospitais para descobrir se há excesso nos gastos; o filho 03 diz que todo brasileiro deve fiscalizar o uso do dinheiro público. Isso inclui entrar e filmar a loja de chocolates?

 

Rápidas

Diante da pandemia, a Abrasco decidiu adiar o 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, que ocorreria em novembro em Fortaleza *** Eduardo Gonzaga de Oliveira Natal, sócio do escritório Natal & Manssur, é um dos convidados para o debate virtual “Transação Tributária e Contribuinte Legal (Lei 13.988/20) – Demais soluções para o Passivo Tributário”, uma realização da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (Abat). Será em 16 de julho, com transmissão aberta pelo Youtube, das 15h às 18h.

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