Restrição a oferta de semicondutores não acabou

China cobra da Holanda mudança na postura em relação à Nexperia, fabricante de semicondutores ‘tomada’ pelo governo holandês.

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Placa de vídeo com chips e semicondutores
Placa de vídeo com chips e semicondutores (foto Pixabay)

Se precipita quem acredita que acabou a crise no mercado de semicondutores, que preocupa especialmente as montadoras de veículos. Nesta sexta-feira, o Ministério do Comércio da China instou a Holanda a demonstrar disposição para cooperar e apresentar uma solução “substancial e construtiva” para a questão da Nexperia.

Um porta-voz do ministério fez as declarações ao ser questionado sobre uma recente declaração de Vincent Karremans, ministro holandês de Assuntos Econômicos, referente à fabricante de semicondutores Nexperia, subsidiária estrangeira da empresa chinesa Wingtech.

Karremans disse que “faria tudo de novo” ao se referir a 30 de setembro, quando o governo holandês assumiu o controle da Nexperia, alegando riscos à “segurança econômica europeia” – sim, aquele velho recurso (quando adotado pelos países fora do “Ocidente”) de defender o Estado Nacional.

O Governo da Holanda (derrotado nas urnas e que deve ser substituído em prazo ainda incerto) invocou uma lei da Guerra Fria, nunca antes utilizada. A China reagiu e anunciou limitações às exportações de semicondutores produzidos pela companhia. A medida foi suspensa após negociações entre EUA e China no âmbito do tarifaço de Trump.

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Segundo o porta-voz do Ministério do Comércio chinês, o país concordou que a Holanda envie representantes à China para consultas. “A China está pronta para trabalhar com a Holanda para resolver a questão atual o mais rápido possível, visando manter a segurança e a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais de semicondutores”, afirmou o porta-voz.

O porta-voz observou ainda que a China espera que o lado holandês apresente soluções construtivas e busque resolver os problemas, em vez de criar outros problemas e conflitos. O recado está dado.

Ainda nesta sexta-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que espera que a União Europeia (UE) proporcione um ambiente justo e previsível para que as empresas chinesas invistam e operem na Europa.

Relatório sobre o Desenvolvimento das Empresas Chinesas na UE 2025/2026, divulgado pela Câmara de Comércio da China à UE, mostra que a avaliação geral do ambiente de negócios da UE entre as empresas chinesas caiu pelo sexto ano consecutivo, com a “incerteza” sendo citada como o maior obstáculo às operações das empresas chinesas na UE.

“Tomamos nota do relatório e também notamos que as empresas chinesas estão preocupadas com a pressão contínua sobre suas operações na Europa”, disse o porta-voz em uma coletiva de imprensa regular.

Ele enfatizou que a UE impôs restrições a semicondutores, 5G e veículos elétricos e adotou medidas discriminatórias e restritivas contra empresas chinesas, o que interrompeu o funcionamento sólido e estável das cadeias industriais e de abastecimento globais. Recado reafirmado.

Rompimento da barragem da Samarco em Mariana, MG (foto ABr, arquivo)
Rompimento da barragem da Samarco em Mariana, MG (foto ABr, arquivo)

Recado à Justiça do Brasil

Duas afirmações feitas pelo advogado Thomas Goodhead, após a justiça britânica admitir processo contra a mineradora BHP, australiana com ações na Bolsa de Londres, pelo desastre da subsidiária Samarco em Mariana (MG), deveriam fazer a Justiça brasileira corar:

“Mesmo agora, mais de 10 anos depois, ninguém foi condenado em uma corte criminal.”

“Multinacionais se aproveitam de um mercado globalizado para maximizar lucros, mas devem também ser responsabilizadas de forma global – sobretudo quando não encontram devida reparação no país do crime, como foi o caso de Mariana.” (as declarações foram publicadas por Jamil Chade no UOL)

No caso criminal, todos os réus foram absolvidos. O MPF recorreu. Alguns crimes já prescreveram.

Rápidas

O desembargador do TRF2 André Ricardo Cruz Fontes e o professor de Filosofia do Direito da Uerj Antonio Augusto Madureira de Pinho farão palestras no IAB nesta segunda-feira, 16h, sobre a relação entre Direito e Filosofia, com transmissão pelo canal TVIAB no YouTube *** Aos 29 anos, o estrategista político mineiro Celso Lamounier foi incluído na lista Compol 100, que reúne os maiores consultores políticos do mundo. O reconhecimento é promovido pela revista Washington Compol e pela The Washington Academy of Political Arts & Sciences (Wapas) *** A I Cúpula das Vozes Quilombolas pelo Clima acontecerá neste sábado, na Fundição Progresso, no Rio. A iniciativa é da Koinonia em parceria com a Acquilerj.

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