Resultados positivos nos EUA e Europa balizam leve alta de índices

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Bolsa de Nova York, Nyse
Bolsa de Nova York, Nyse (foto de Michael Nagle, Xinhua)

Após a derrocada das bolsas ontem, em meio a temores sob a saúde financeira dos bancos regionais americanos, resultados positivos nos EUA e Europa balizam leve alta dos índices, apesar da cautela com a decisão do FOMC, que deve subir os juros em 0,25% e sinalizar a pausa no ciclo. Commodities seguem negativas, com Brent caindo 7% em 2 dias, levando à queda das taxas de juros, enquanto dólar opera com perdas, com o franco suíço liderando os ganhos. Aqui, agenda tem Fenabrave e vários balanços importantes, mas a pauta do dia é a decisão do Copom, que deve manter a Selic em 13,75%, com os investidores atentos a tom do comunicado, que deve seguir hawkish, apesar da afundada no IGP-M e da apresentação do novo arcabouço. A incapacidade do governo de aprovar o PL das Fake News deve calibrar as apostas em torno do arcabouço e da reforma tributária. A abertura deve ser em tom misto, com o Ibovespa deve sentir as commodities, enquanto dólar deve abrir em queda, apoiado pela dinâmica global das moedas. Nos juros, a queda das taxas no exterior deve levar à abertura mais baixista.

Ásia: em dia sem negócios na China e no Japão, bolsas fecharam no negativo, sentindo as perdas em NY de ontem. Na Austrália, vendas no varejo acima do consenso (exp 0,2%), crescendo 0,4% (5,4% a/a) em mar/23. O PMI de serviços subiu de 48,6 para 53,7 pontos (prévia 52,6) em abr/23. Hoje, balança comercial da Austrália (mar/23) às 22h30 e PMI industrial da China Caixin (mar/23) às 22h45.

Europa: resultados acima das expectativas (BNP Paribas, Lloyds, Lufthansa, Porsche, Stellantis e Unicredit) blindam as bolsas do clima de cautela global. Na Itália, o PPI deflacionou 1,5% (exp -4,6%) em mar/23, com a taxa interanual caindo para 3,8%. A taxa de desemprego caiu de 7,9% para 7,8% (exp 8%) em mar/23. O CPI da zona do Euro subiu 0,7% (exp 0,9%) em abr/23, somando 7% em 12 meses. O núcleo do CPI avançou 1% (exp 1,1%), crescendo 5,6% ante abr/22. Na agenda, taxa de desemprego da zona do Euro (mar/23) às 6h. Airbus (França) e Enel (Itália) divulgam resultados.

EUA: apesar da cautela com a decisão do FOMC, futuros em leve alta, após fortes quedas de ontem, apoiados por balanços acima das expectativas de Ford e Starbucks. Encomendas à indústria abaixo do consenso (exp 1,1%), avançando 0,9% (1,3% a/a) em mar/23. Segundo o JOLTS, havia 9,59 mi (exp 9,74 mi) vagas de emprego abertas em mar/23, com a razão vagas abertas por desempregados caindo para 1,64. Na agenda, ADP (abr/23) às 9h15, PMIs (abr/23) da Markit às 10h45 e da ISM às 11h, estoques do DoE (28/abr) às 11h30 e decisão do FOMC às 15h, com coletiva de imprensa a partir das 15h30. CVS divulga resultado antes da abertura. CVS e Qualcomm, após fechamento.

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Brasil: os temores com a saúde financeira dos bancos americanos, que levou à derrocada em bolsas e commodities, com o petróleo, além da cautela com as decisões de juros e a MP de taxação de rendimentos offshore resultaram em dia negativo para o mercado local, com o Ibovespa fechando em 101.926 pontos (-2,40%), com companhias de commodities e varejistas liderando as perdas. Apesar da derretida nas taxas de juros globais, que tirou prêmios na parte curva da curva, o ambiente de aversão a risco levou à alta das taxas longas. A MP do governo, que tributa as offshores, e o clima de aversão a risco pesaram sobre o Real, com o dólar fechando em R$ 5,05 (1,18%).

O PMI industrial caiu de 47 para 44,3 pontos (-7,5% a/a) em abr/23, mínima em 4 meses. As acelerações em alimentação, despesas pessoais e saúde fizeram o IPC-S a fechar abr/23 com alta de 0,50% (exp 0,48%), com o acumulado em 12 meses caindo para 3,45%, mínima desde set/20. A balança comercial teve superávit de $8,2 bi em mar/23 (exp $8,4 bi), com exportações de $27,4 bi (0% a/a), com recuos nas exportações de minério de ferro e petróleo, e importações de $19,1 bi (-2,6% a/a). Em 12 meses, o superávit comercial atingiu $67,2 bi (3,4% do PIB). Relatório Focus (28/abr): no IPCA, alta de 6,04% para 6,05% (2023), estáveis em 4,18% (2024) e em 4,00% (2025). No PIB, altas de 0,96% para 1,00% (2023), estável em 1,41% (2024) e alta de 1,70% para 1,80% (2025). Na taxa Selic, estáveis em 12,50% (2023), em 10% (2024) e em 9% (2025). Na agenda, venda de veículos da Fenabrave (abr/23) às 10h, índice antecedente de emprego (abr/23) e monitor do PIB da FGV (fev/23) às 10h15, fluxo cambial (abr/23) às 14h30 e decisão do Copom às 18h30. Embraer, Gerdau e Klabin divulgam resultados antes da abertura. 3R, CSV, Dexo, EDP, GPA, Quero-Quero, Lojas Renner, Neogrid, PetroRio, Taesa, Tegma, Tenda e Ultrapar, após fechamento.

Nicolas Borsoi é economista-chefe da Nova Futura Investimentos

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