Retomada?

“Os países centrais devem sair da crise em dois anos.” A previsão é do economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ. Apesar de esses países terem perdido boa parte da autonomia para praticar políticas keynesianas, Gonçalves, que é professor de Economia Internacional, ainda vê quatro instrumentos estruturantes à disposição desses governos: distribuição de renda via cobrança de impostos dos ricos, como quer Barak Obama, nos EUA; investimentos pesados em inovações, “que aumentam a produtividade, baixam preços e criam demanda”; aumento da competitividade internacional (consequência da inovação); e gastos bélicos.

Melhor negócio
“A guerra, do ponto de vista macroeconômico, ainda é o melhor negocio”, prossegue Gonçalves, que calcula que, em dois anos, ficará visível o “retorno do investimento (bélico)” feito no Afeganistão, no Iraque e, mais recentemente, na Líbia: “E pode vir por aí uma intervenção no Paquistão”, completou.
No entanto, enquanto a guerra (e os terremotos) estariam reconduzindo aos trilhos as locomotivas EUA, Alemanha e Japão, o professor da UFRJ vê alguns vagões descarrilhando em breve: “Sobretudo os países periféricos da Europa e o Brasil, cujo passivo externo deve chegar a US$ 2 trilhões em 2016”, projeta.

Vinho
Languedoc, região rica em vinhedos no sul da França, quer aumentar as vendas para o Brasil em 32% até 2015. No ano passado, foram exportados para o Brasil cerca de 1,2 milhão de litros , no valor de 2,5 milhões de euros. O crescimento do consumo da classe média no Brasil nos últimos cinco anos aumenta a atração exercida pelo mercado brasileiro. Os vinhos franceses ocupam a quinta posição no país, atrás de Chile, Argentina, Portugal e Itália, que ficam com 90% das vendas. De acordo com o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), as importações de vinhos pelo Brasil cresceram 27% no ano passado.

Anacronismo adiado
O Ministério do Trabalho adiou pela quarta vez a entrada em vigor das mudanças no sistema de ponto eletrônico. O prazo agora – “improrrogável”, diz a portaria do ministério – é 1º de janeiro de 2012. Segundo a presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-RJ), Márcia Tavares, a maioria das empresas ainda não adquiriu o sistema. “Isso se deve aos altos custos do equipamento, de arquivamento, de manutenção, material de consumo e também de pessoal. O valor médio dos aparelhos variam de R$ 1,7 mil a R$ 3,8 mil”, afirma. Estão obrigadas a adotar o novo sistema as empresas com mais de dez funcionários que já usam equipamento eletrônico para o registro da jornada de trabalho.

Anti-ecológico
De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Equipamentos de Registro Eletrônico de Ponto (Abrep), foram comercializados até o final de julho desse ano somente 260 mil unidades, em um mercado potencial de 700 mil máquinas. A mudança criará o “eletrônico impresso”: apesar das marcações serem informatizadas, o relógio de ponto terá que emitir comprovantes em papel.

Agir primeiro
“Podemos reduzir tributos. Mas só se a situação piorar”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se referindo à possibilidade de agravamento da crise mundial. Caro ministro, inverta sua frase. A crise vai se agravar no Brasil justamente se não forem adotadas medidas de redução de impostos, aliadas à imprescindível queda da taxa de juros.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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