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domingo, janeiro 24, 2021

Retomar a soberania

Num momento em que o debate sobre projetos nacionais permanece amesquinhado pelo “debate” sobre qual o grau de submissão mais ou menos aceitável aos interesses do mercado, vale a pena revisitar personagens que ousaram pensar à altura de um Brasil que buscava se construir como nação. Em longa entrevista ao último número do Jornal dos Economistas, o economista Juvenal Osório aponta como maior desafio do Brasil contemporâneo voltar a tornar-se superavitário na conta corrente (comércio mais serviços) do balanço de pagamentos.
Com a experiência de quem integrou o núcleo pensante e executor dos projetos que garantiram ao País elevadas taxas de crescimento entre 1950 e 1980, Juvenal salienta ser essa condição indispensável para o País retomar maior grau de liberdade sobre sua macroeconomia, fugindo ao constrangimento imposto pela situação das contas externas à capacidade de desenvolvermos um projeto autônomo:
“É de recuperar a soberania de que se trata, antes de mais nada, para podermos pensar no resto. Precisamos perguntar claramente aos brasileiros: vocês querem uma nação ou não querem? Esta é a questão”, defende com entusiasmo.
Gênese
Juvenal, que trabalhou no BNDES, desde a fundação do banco, em 1953, até 1979, ao lado de nomes, como Aníbal Vilela, Luiz Botelho, Diogo Gaspar, Evaldo Correia Lima, João Mesquita Lara, Joaquim Mangia, Inacio Rangel, Américo Cury, Américo Barboza, Heitor Lima Rocha, José Pelúcio e Carlos Marques, conta que resolveu se afastar da instituição após a chegada de “uma turma nova, muitos com PhD nos Estados Unidos”. O veterano economista lembra-se que essa turma nova se caracterizava pelos ataques ao Estado e ao nacional, num discurso negativista contra tudo que fora feito no País sem apresentar alternativas, que deveriam ficar ao livre arbítrio do mercado. Deu no que deu…

Miado
Para este coluna não foi surpresa, mas não custa registrar: ACM, mais uma vez, voltou a rugir como leão e agir como gatinho. Depois de falar grosso contra as medidas provisórias, cedeu às vontades do Planalto, como legislar, via MP, sobre reformas constitucionais. Em relação ao salário mínimo, já ensaia topar uma migalha um pouco maior do que a inicialmente pensada por Malan e Cia. O próximo passo será elevar os salários de seus pares para o teto de R$ 12.720 mil, depois de  se bater por um limite de R$ 10,8 mil.

Debutante
Antes tarde do que nunca. Principal exportadora de café do Brasil, como destaca o release da empresa, a Companhia Cacique de Café Solúvel acaba de lançar sua home page na Internet. No endereço www.cacique.com.br pode-se encontrar informações sobre a empresa e seus produtos.

Rósea
À época em que apresentou o novo plano estratégico da Petrobras, no fim do ano passado, o presidente da estatal, Henry Philippe Reichstul, considerava “conservadora” a estimativa de preço médio de US$ 15 por barril no mercado mundial até 2005 na qual o plano se baseava. Em reunião-técnica promovida pela Abamec-Rio, Reichstul ouviu do analista Paulo Guilherme Hostin Samy, colaborador do MONITOR MERCANTIL, que a estimativa era muito “rósea”. Hoje, com a cotação acima de US$ 25, Samy está convencido de que o ideal seria usar bandas com intervalo de US$ 5 (por exemplo, de US$ 15 a US$ 20 ou US$ 17,50 a US$ 22,50). Entre os quatro ou cinco riscos contra o preço estimados pelos diretores da Petrobras estava exatamente o de problemas gerados a partir do Oriente Médio.

Luxo
A aposentadoria do Boeing 707 da FAB que serve à Presidência da República não convence especialistas no setor, que acham que seria o caso de realizar uma boa vistoria técnica nos aviões para ver se estes ainda estão em bom estado. Todas as forças aéreas que usam a versão militar dessa aeronave (denominada C-137, com diferentes configurações para missões específicas) ainda estão satisfeitas com ele. Só aqui no Brasil o imperador, ansioso por uma versão mais luxuosa, tacha o avião de “sucatão”, auxiliado pela imprensa chapa branca. Ou será pressão de fabricantes para vender seus produtos?

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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