Reunião Matinal: Análise XP

Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos,...

Opinião do Analista / 13:39 - 11 de ago de 2017

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Relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) cria expectativas de alta em empregos, com criação esperada de 174 mil empregos, reforçando a chance de um Fed mais duro na alta de juros e uma Bolsa mais otimista. Na China, Bolsas fecharam em baixa após Banco do Povo da China elevar os juros da linha de crédito permanente, resultado da desaceleração do PMI industrial chinês em janeiro. No Brasil, Câmara confirma a reeleição de Rodrigo Maia como presidente da casa, representando força do governo sobre o avanço da agenda econômica no Congresso, e Edson Fachin sorteado novo relator da ação da Lava Jato no STF.

 

FECHAMENTO

Ibovespa fecha em queda após a definição dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

 

ABERTURA

Quarto dia de queda nos mercados, ainda temendo a possibilidade de conflito militar na Coreia do Norte. Bolsas registram a maior volatilidade desde a vitória de Donald Trump nas eleições americanas de 2016. No Brasil, mais de 2 mil municípios não cumprem a Lei de Responsabilidade Fiscal, Dória afirma que continua no PSDB.

 

FECHAMENTO

Ibovespa estende perdas, acompanhando forte recuo das ações americanas, com intensificação da tensão entre EUA e Coreia do Norte. Queda de -1%, atingindo 66.992,09 pontos.

 

MACROECONOMIA

Brasil - 2 mil municípios descumprem regras, Doria diz que fica no PSDB.

 

Mais de 2 mil municípios estão "fora da lei" - Mais de dois mil municípios descumpriram a Lei de Responsabilidade Fiscal em 2016. A Firjan apontou que prefeituras estouraram o limite de gastos com pessoal, deixaram de apresentar o balanço anual à Secretaria do Tesouro Nacional e ainda deixaram um rombo de R$ 6,3 bilhões de restos a pagar para a nova gestão municipal. O trabalho analisou as contas apresentadas por 4.544 prefeituras em cinco quesitos: a capacidade de geração própria de receita, gastos com pessoal, investimentos, liquidez e custo da dívida.

 

Não tenho intenção de deixar PSDB, diz Doria - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que fica "feliz" com interesse de outros partidos, mas que não tem a "intenção de deixar o PSDB". "Esse é o meu partido. (Em relação ao interesse do PMDB e DEM) As portas foram abertas... O que me deixa muito feliz. PMDB e DEM são parte da nossa base em São Paulo", afirmou o tucano. O Estadão revelou que o DEM e o PMDB, que integram a núcleo duro de apoio ao governo Michel Temer, se aproximaram de Doria e sinalizaram com a possibilidade de lançá-lo candidato ao Palácio do Planalto.

 

Ilan e balanço da B3 no radar - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, fará palestra hoje em seminário do BC em São Paulo (9h20). Goldfajn também terá uma reunião com executivos da Fitch. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, participa de evento na FGV, no Rio (9h30). O presidente Michel Temer vai à inauguração da primeira usina de etanol que utilizará milho em sua produção, em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. O ex-presidente Lula estará no lançamento do livro "Comentários a uma sentença anunciada - o processo Lula" (16h) e irá depois ao "Ato pela Reconstrução do Estado Democrático e de Direito", ambos na Faculdade de Direito da UFRJ, no Rio, que contará com a presença da ex-presidente Dilma Rousseff (19h). O balanço do segundo trimestre da B3 será conhecido após o fechamento dos mercados.

 

Mercados internacionais - Mercados seguem em queda apreensivos com a questão da Coreia.

Bolsas europeias e em Nova Iorque seguem em baixa - As principais Bolsas europeias e os futuros de Nova Iorque seguem em queda nesta manhã em meio a tensões geopolíticas, após a renovação de ameaças entre os EUA e a Coreia do Norte. Analistas afirmam que os investidores aproveitam o ambiente de aversão ao risco para realizar lucros nos mercados americanos, após renovarem diversos recordes seguidos.

 

CPI da Alemanha sobe - O CPI da Alemanha registrou crescimento de 0,4% no mês de julho na comparação mensal, e registrou alta de 1,7% na comparação anual, segundo a Destatis. Os números vieram em linha com as expectativas de analistas.

 

Crescimento dos gastos fiscais na China desacelera - Na China, os gastos fiscais desaceleraram em julho após um forte crescimento no primeiro trimestre, enquanto o governo reportou uma aumento das receitas fiscais. O governo chinês gastou 1,35 trilhão de iuanes (US$ 202,7 bilhões) em seu orçamento fiscal em julho, uma alta de 5.4% ante o ano anterior. A taxa recuou ante uma alta de 19,1% em junho.

 

Bolsas asiáticas em queda - Mais uma vez investidores adotaram uma postura cautelosa por conta da possibilidade de conflito militar na Coreia do Norte. Na Coreia do Sul, o índice Kospi caiu 1,69% e, na semana, acumulou desvalorização de 3,2%, a maior desde junho do ano passado. Já na China, o índice Xangai Composto teve baixa de 1,63%, enquanto o Shenzhen Composto recuou 1,60%. No Japão, não houve negócios hoje devido a um feriado local. Hong Kong caiu 2,04%, maior perda em nove meses. Na Oceania, a Bolsa australiana recuou 1,18%.

 

yuan O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA de julho é o indicador principal do dia. Na agenda de eventos, há discursos dos presidentes regionais do Federal Reserve (BC norte-americano) Robert Kaplan, de Dallas (10h40), e Neel Kashkari, de Minneapolis (12h30), ambos com direito a voto nas reuniões deste ano. A Baker Hughes divulga relatório sobre poços e plataformas em operação no país (14h).

 

Petróleo em queda - Os futuros de petróleo atingiram as mínimas da sessão após a Agência Internacional de Energia dizer em relatório que a oferta global da commodity subiu pelo terceiro mês seguido em julho, apesar de um acordo em vigor que tem como objetivo reduzir a produção. Às 8h45, o barril do Brent para outubro recuava 0,16% na ICE, a US$ 51,63 enquanto o do WTI para o mesmo mês recuava 0,21% na Nymex, a US$ 48,44.

 

PAINEL CORPORATIVO

Petrobras: 2T17 - Abaixo das expectativas devido a não recorrentes. Neutro. Ponto positivo foi o anúncio da descoberta no pré-sal.

A Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 316 MM, uma redução de 93%, devido, principalmente, a eventos não recorrentes, como o aumento do imposto de renda e contribuição social, como resultado da adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), adesão ao PRT (Programa de Regularização Tributária), além da provisão para perdas com recebíveis referentes ao navio-sonda Vitória 10.000. Expurgando os itens não recorrentes, o resultado viria em linha com as expectativas.

Lucro Bruto - R$ 21,369 bi, uma queda de 10%, devido a redução das margens de diesel e gasolina, pelo menor volume de exportações de petróleo (reflexo da realização de estoques ocorrida no 1T17), aliados a maiores gastos com importação de petróleo e gás natural. Por outro lado, houve maior volume de vendas de diesel, gás natural e de geração de energia elétrica.

Fluxo de Caixa - atingiu R$ 9,354 bi, 30% abaixo do 1T17, devido à redução da geração operacional em 15% e ao aumento dos investimentos em 4%. Vale ressaltar que veio positivo por mais um trimestre.

Ebitda ajustado acabou cedendo 6,6% em relação ao 2T16 e 24% ante o 1T17, para R$ 19 bi. A cifra ficou 12% abaixo das expectativas, porém, se expurgarmos os itens não recorrentes, como os mencionados acima, o Ebitda teria vindo em linha com as expectativas.

Endividamento - O endividamento líquido em dólares ter encerrado o 1S17 em US$ 89,263 bi, com queda de 7% ante os US$ 96,381 bi registrados no 4T16. Informação positiva. Segue o plano de redução do endividamento da companhia.

Investimentos totalizaram R$ 11,451 bi, o que representa um recuo de 14,8% ante 2T16 e de 1% em relação ao 1T17. No 1S17, os investimentos totalizaram R$ 22,993 bi, com declínio de 21% ante os R$ 29 bi aportados em igual período de 2016. O Guidance da companhia, sobre investimentos, era de US$ 20 bi, foi reduzido para US$ 17 bi, e não acreditamos que o valor de US$ 17 bi seja atingindo.

Em suma, em relação aos resultados abaixo das expectativas, houve itens não-recorrentes, que impactaram negativamente o resultado da empresa, como mencionamos acima, expurgando esses itens não-recorrentes, o resultado viria em linha com as expectativas. No lado positivo, temos o anúncio da descoberta de acumulação no pré-sal da Bacia de Campos.

Vale ressaltar a redução do endividamento da empresa, e alongamento do prazo para pagamentos. O management da empresa segue focado na redução do mesmo.

Impacto do resultado neutro, porém, com a divulgação da descoberta, podemos até ver o ativo apresentar um desempenho positivo no curto prazo.

 

Lojas Americanas 2T17 - Um pouco abaixo do esperado. Levemente negativo..

As vendas em mesmas lojas (SSS) atingiram 3,7% no primeiro semestre (em linha com os 4 primeiros meses). Como o 2T17 foi impactado pelo efeito Páscoa (que caiu no 2T em 2017 e no 1T em 2016), daremos foco nos números semestrais. A receita líquida caiu 2,6% no semestre, atingindo R$ 7,7 bi. No entanto, ressaltamos que mesmo com a queda de receitas, houve ganho de 1 p.p. na margem bruta e de 0,4 p.p. na margem Ebitda em relação ao 1S16, que ficaram em 30,5% e 14,6% respectivamente.

Principais destaques:

- Para efeito de comparação com o consenso, a receita líquida no 2T17 atingiu R$ 4,1 bi, 5% abaixo do consenso. Já o Ebitda ajustado cresceu 10% em relação ao 2T16 (para R$ 673 mi), ~2% abaixo do esperado. Por fim, o lucro líquido ficou em R$ 63 mi, razoavelmente abaixo do esperado, mas 24% maior que o 2T16.

- Houve melhora no consumo de capital de giro no semestre, que caiu de R$ 506 mi para R$ 267 mi.

- Com o objetivo de inaugurar 800 novas lojas no período entre 2015 e 2019 em todo o Brasil, a Companhia mantêm o plano de expansão “85 anos em 5 - Somos Mais Brasil”.

- Lucro e Ebitda da B2W vieram em linha com o consenso. Prejuízo líquido foi de R$ 112 mi no 2T17, 5,5% pior a/a. O Ebitda ajustado caiu 14% em relação ao 2T16, para R$ 137 mi. No 1S17, o GMV consolidado alcançou R$ 10,5 bilhões, crescimento de 4,2% em relação ao 1S16. O Marketplace da B2W segue em rápido desenvolvimento e atingiu R$ 816 milhões de GMV no 2T17 (crescimento de 105%), com participação de 29,6% do GMV total.

Embora os resultados ainda tenham se mostrado pressionados, ressaltamos que a empresa atravessa um momento importante: i) estão sendo abertas novas lojas (previsão de 200 para o ano dentro do plano de expansão), ii) a empresa está explorando um canal novo de venda, as lojas de conveniência, e iii) o Marketplace está em fase de crescimento dentro da B2W. Mesmo com perdas nas receitas, a empresa vem entregando margens melhores a cada trimestre, e acreditamos que a melhora dos indicadores econômicos será alavanca para os próximos resultados.

BRF: Resultados fracos, mas apenas levemente abaixo do esperado. Levemente negativo..

A BRF queda de 39% no Ebitda, que atingiu R$ 575 mi no trimestre, número levemente abaixo do consenso de mercado. Entre os principais motivos para a queda, podemos citar i) a receita 6% menor no 2T17, ii) margem bruta pior e também iii) custos relacionados à operação Carne Fraca da polícia federal. O prejuízo líquido atingiu R$ 167 mi no trimestre, número melhor que o esperado pelo consenso (prejuízo de R$ 207 mi). A companhia anunciou ainda que venderá até 13.468.001 ações ON em tesouraria para reforçar o caixa com os recursos obtidos com as operações.

 

Vale - Levantamento preliminar da conversão de ações está em 72%. Positivo.

A Vale divulgou um resultado parcial da conversão de ações preferenciais em ordinárias. Segundo as informações recebidas pela mineradora, do Bradesco, banco escriturador da operação, e do Citibank, agente da conversão, um total de 1.421.178.947 ações PN, inclusive as representadas por American Depositary Shares (ADS), aderiram à conversão para ON. Esse número corresponde a 72,2% do total em circulação no mercado. A Vale ressalta que assim, já foi superado o porcentual mínimo estabelecido na conversão voluntária, de 54,09%. A conversão dos papéis faz parte da reestruturação societária da mineradora, que busca ingressar no segmento Novo Mercado da Bolsa brasileira, de governança mais rígida.

 

CSN - Aumento de 12,75% nos preços de aço plano. Positivo.

A CSN aumentará, a partir do dia 25 deste mês, o preço do aço plano em 12,75%, para todos os clientes - rede de distribuição, indústria e setor automotivo. O diretor-executivo comercial Luiz Fernando Martinez destaca que o reajuste foi possível por conta do aumento do preço do aço no mercado internacional, e ainda pela alta dos custos das matérias-primas, o carvão e minério de ferro.

Esse é o segundo aumento promovido pela CSN neste ano. Em julho a empresa ajustou seus preços do laminado a quente em 10%, mas apenas para a distribuição. Ou seja, o efeito no resultado da companhia será maior desta vez. Já Usiminas ampliou seus preços em cerca de 10% mês passado, apenas para a distribuição. O aumento da Gerdau, nesse mesmo porcentual para o aço plano, entrou em vigor do início deste mês.

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XPI

Disclaimer

Celson Plácido

Analista, CNPI

Fonte: Análise XP e Bloomberg

Fontes dos textos: AE, Bloomberg, InfoMoney e Reuters.

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