Revanchismo

A proposta de Orçamento do governo FH para o ano 2001 acaba de aterrissar no Congresso Nacional. Nela, o tucanato anuncia a intenção de torrar R$ 93,4 bilhões com pagamento de juros ano que vem. Além disso, a União pretende sangrar estados e municípios em cerca de R$ 48 bilhões com a cobrança de juros – deste número deve, porém, ser descontada a parte relativa ao Banco Central.
Na prática, isso significa que o cartão de visitas da equipe econômica aos prefeitos eleitos este ano será ainda mais amargo do que se supunha. Seus desdobramentos políticos, sociais e econômicos são particularmente relevantes quando se recorda que boa parte dos juros a serem cobrados refere-se à Prefeitura de São Paulo, que ano que vem deve estar sob comando da petista Marta Suplicy.
Em outras palavras, o eleitorado que surrou nas urnas os políticas identificados com o desmonte do Estado e a precarização dos serviços públicos pode receber, a partir de 1º de janeiro, um alcaide destinado a gerenciar a mesma política repudiada nas urnas. Esse silogismo, porém, só se tornará verdadeiro se oposicionistas obcecados por atestados de bons moços aceitarem naturalizar uma política econômica, que, escorada na Lei de Responsabilidade Fiscal, elegeu o pagamento de juros em destino número um dos recursos dos impostos pagos pelos brasileiros.

Concentração
Dos 563.834 advogados registrados no conselho federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), 48% (271.479) estão no Rio e em São Paulo. Com a violação permanente de direitos, recorrentes nos planos econômicos gestados pelos sábios das equipes econômicas de plantão, e com a enxurrada de casos de corrupção, mercado de trabalho é o que não falta para os advogados brasileiros.

Alô PF!
Para quem gosta de data redondas, hoje se completam 90 dias que Salvatore Cacciola escafedeu-se do Brasil, beneficiado pela revogação da sua prisão preventiva. Já o juiz Nicolau dos Santos comemora, dentro de 25 dias, 200 dias de liberdade gozando o doce caviar do exílio com o dinheiro alheio.

Palavra
O prefeito reeleito de Resende, Eduardo Meohas (PSB), não pretende deixar barato o apoio do governador Anthony Garotinho ao seu rival na eleição Sílvio de Carvalho (PDT). Apesar de dizer, em entrevista ao jornal da região Imprensa Livre, que já perdoou o governador – apesar de não ter esquecido “as agressões da campanha eleitoral” – Meohas quer pegar Garotinho num ponto fraco: vai cobrar dele todas as promessas feitas no palanque pedetista.

Ausente
A impressão de quem passa por Niterói é de que nem o candidato Sérgio Zveiter, do PMDB, acreditava no segundo turno na cidade. Marcada por uma maciça campanha no primeiro turno, a candidatura agora está apagada, sem presença nas ruas, dependendo do corpo-a-corpo de Zveiter – que não tem experiência no ramo. Parece que a verba de campanha se esgotou no dia 1 de outubro. Como agravante, o peemedebista está sendo obrigado a explicar que não é o “candidato do Moreira (Franco)”, como propaga o adversário e atual prefeito Jorge Roberto Silveira.

Vox populi
A provável derrota na eleição para a Prefeitura de Curitiba não será a única baixa pesada sofrida pelo PFL do Paraná. O partido do governador Jaime Lerner foi derrotado em seis dos oito principais municípios do estado. E ainda tem gente que acredita na fábula de que o PFL, ao lado do PT, foi o grande vitorioso do primeiro das eleições, por ter aumentado sua inserção nos grandes centros.

Artigo anteriorSafra
Próximo artigoJogatina
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Privatização da Eletrobras aumentará tarifa em 17%

Estatal dá lucro e distribuiu R$ 20 bi em dividendos para a União.

Dois mitos sobre a Petrobras

Mídia acionada pelo mercado financeiro abusa de expedientes que ataca quando usados por bolsonaristas.

Mudar preços implica parar venda de refinarias

Mercado financeiro cobrará deságio, e Petrobras precisa de ativos para poder operar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Preços dos carros mais vendidos subiram 9,4% em média em um ano

Com 18,23% de variação, Renault Kwid foi o que mais subiu de preço entre os 13 mais vendidos.

PEC Emergencial pode sair da pauta do Senado desta quinta

Parlamentares resistem a cortes na saúde e educação e propõem votar apenas questão do auxílio emergencial.

Desdobramentos da intervenção na Petrobras

Percepção é de que o 'superministro' de Bolsonaro pode estar ficando cada vez mais isolado.

IPCA-15 de fevereiro ficou abaixo da expectativa

Índice mostra variação mais fraca que o esperado em alimentação, educação; já saúde e transportes vieram mais fortes que a expectativa.

Tentativa de superação

Ontem foi dia de recuperação da Bovespa, liderada pelas ações da Petrobras, Eletrobrás e setor bancário.