Revendo conceitos

Os participantes do Fórum Nacional A Biodiversidade como Estratégia Moderna de Desenvolvimento, ouviram uma surpreendente – e contundente – crítica do ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, coordenador-geral do evento, à divinização do mercado e da globalização: “O mercado sozinho não pode conduzi-la. Ele é eficiente economicamente, mas não tem valores ou ideologia. É semelhante à tecnologia e não pode ser o senhor da distribuição de renda ou usado contra a exclusão social. Precisamos de Estados e sociedades”, reconheceu. Ah, bom.
Hegemonia em xeque
Veloso advertiu que os Estados Unidos devem se conscientizar de que “hoje precisam do resto do mundo e até do Afeganistão”. O ex-ministro disse duvidar da capacidade norte-americana para se adaptar aos novos tempos: “Nos anos 90, os norte-americanos eram a única potência militar global e, economicamente, detinham a maior vantagem competitiva (tecnológica). Hoje o Japão lidera o setor eletrônico e divide a produção de automóveis. Os EUA não podem agora manter a tendência ao unilateralismo da grande potência”, salienta.
Antes tarde
Na mesma linha esqueçam o que eu fiz e escrevi, o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros afirmou, ao participar do programa Roda Viva, na Rede Brasil, que os atentados nos Estados Unidos revelam a desastrosa herança deixada pela política de desmonte do Estado. Citando dados sobre as precárias condições de funcionamento dos aeroportos norte-americanos, Barros salientou que, “na hora da crise, a população quer mais Estado”. E acrescentou que o “Brasil, de alguma forma, estava embarcando nessa”. Nem parecia, um dos comandantes da política neoliberal no país.

Chapa branca
Análise das matérias publicadas sobre educação infantil mostra uma cobertura oficial, pautada principalmente por anúncios do Executivo ou pela demanda de vagas nos estabelecimentos públicos. Tende-se a ignorar questões pedagógicas e a qualidade, não apenas a segurança, do trabalho desenvolvido no local. Pouco se focaliza a municipalização desse atendimento e a formação dos profissionais que atuam na área. No ano passado, os 50 jornais de 24 capitais brasileiras que a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) acompanha diariamente publicaram mais de 19 mil reportagens, editoriais ou artigos sobre educação de crianças e adolescentes. A 11ª edição da Pesquisa Infância na Mídia será lançada no dia 24 de setembro. O lançamento da pesquisa contará com a participação do Instituto Ayrton Senna, Unicef e Ministério da Educação.

Tempo
O presidente Fernando Henrique Cardoso homenageou ontem, em seu gabinete, o funcionário mais antigo da Presidência da República: Renato Pinheiro de Carvalho, que completou 50 anos de trabalho. Ex-fotógrafo, Renato Carvalho trabalhou com o presidente Getúlio Vargas. Não têm fundamento os boatos de que, com a homenagem, FH queria indicar o tempo que desejava permanecer no cargo.

Tirando a venda
Coisa rara, mas esta coluna encontra um ponto de contato com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, quando ele classifica de sacrifício inútil empurrar o país para a recessão, promovendo nova alta dos juros apenas para impedir que a inflação fique alguns pontos percentuais acima da meta exigida pelo FMI. Rompido o dogma, resta Fraga explicar para a quem serve manter o país engessado pelo cumprimento de metas que, como ele mesmo reconhece, são irrelevantes.

Gasto
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) registrou redução de 49,5% no consumo de energia elétrica em todo o Brasil no mês de agosto, em relação ao mesmo mês do ano passado. Em julho, a média da economia fora de 56,8% e em junho 52,4%. A eficiência parece demonstrar que o desperdício grassava na agência. E nada indica que tenha acabado: a Anatel informa que, somente na sede, em Brasília, o consumo no mês passado foi de 278,5 MWh, gasto que equivale ao de uma indústria de médio porte.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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