Revendo “Syriana”

Esta coluna se associa aos fãs de George Clooney em defesa do direito do ator de exercer a livre manifestação de expressão  – prática quase sempre espinhosa de serem praticada na singular democracia dos Estados Unidos. No entanto, se Clooney quer, efetivamente, se engajar em relação à política do Sudão deve rever o seu Syriana, para entender que os interesses que envolvem a bilionária indústria do petróleo são muito mais complexos que a defesa seletiva dos direitos humanos. Ou seja, não se resume à luta entre o Sudão (malvado) e o Sudão do Sul (bonzinho e que, por concentrar as maiores reservas de petróleo do país, precisa ser protegido pelo Ocidente).

Lobby manchado
O mais recente desastre ambiental provocado pela Chevron, apenas quatro meses depois do primeiro que levou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) a proibir a multinacional estadunidense de abrir novos poços no país, suscitou uma dúvida extra, além de se, de fato, a empresa será efetivamente multada: será que as revistas The Economist  e Forbes vão insistir em minimizar as consequências dos vazamentos da Chevron?

Relatório, que relatório?
A campanha contra a Síria, para justificar a invasão ou a tentativa de uma intervenção externa similar à da Líbia, levou governos e meios de comunicação ocidentais a ignorarem solenemente o vazamento do relatório feito a mando da Liga Árabe, que mostrou não haver nenhum tipo de repressão letal organizada pelo governo sírio contra manifestantes pacíficos. O documento (Report of Arab League Observer Mission), elaborado por cerca de 160 monitores, após um mês de investigações na Síria, foi engavetado pelas monarquias que integram a Liga, justamente por contrariar a tese que justificaria a invasão.
O relatório denuncia gangues armadas como responsáveis pelas mortes de centenas de civis e de cerca de mil soldados do Exército sírio, em atentados organizados. Rússia e China vêem o governo sírio em luta de resistência contra grupos de mercenários estrangeiros pesadamente armados. O relatório caminha na direção de confirmar essas suspeitas. O Exército Sírio Livre (ESL) estaria infestado de mercenários estrangeiros armados pelo Conselho de Cooperação do Golfo, especialmente gangues salafistas.

Ação
Relato feito a esta coluna por um brasileiro que está na Síria vai na mesma direção do relatório engavetado pela Liga Árabe. Mercenários fortemente armados são vistos em diversas cidades do Interior, muitas vezes fingindo serem do Exército sírio.

Máfia na empresa
Não se divida ao meio: uma decisão errada é melhor do que nenhuma; as paredes têm ouvidos: nunca fale mal do chefe. Essas e outras 86 estratégias são apresentadas pelo ex-mafioso Louis Ferrante no livro O Poderoso Chefão Corporativo (Saraiva). O autor conta suas experiências como parceiro da família Gambino e como usou seus instintos para executar alguns dos maiores roubos da história dos Estados Unidos. Após passar oito anos e meio na prisão, Ferrante percebeu que as lições comerciais mais valiosas da máfia garantiriam sua sobrevivência e seu progresso no mundo real. O livro revela suas técnicas de gerenciamento e como aplicá-las – legalmente – em qualquer negócio.

Não culpe terceiros
Entre as diversas causas de insolvência nas seguradoras de ramos elementares estadunidenses nos últimos 40 anos, os maiores motivos foram insuficiência de reservas, preços mal calculados, crescimento muito rápido de prêmios ou fraude. Basicamente, razões internas. O resseguro (um motivo externo) representou menos de 4% dos motivos de insolvência. Ou, como diz o consultor Francisco Galiza, em palavras mais simples: “Nas seguradoras, os resultados ruins são, sobretudo, causados por uma má administração dos negócios, e não se pode culpar terceiros por isso.”

Sem mágica
Os seguidos recordes de desemprego na Grécia, que já atinge 1 milhão de pessoas, reafirma que, longe de resolvido pela liberação das recentes parcelas dos empréstimo ao país, o problema grego é uma crescente bola de neve. Não existe qualquer possibilidade de uma nação reativar sua economia e gerar caixa para pagar suas dívidas com políticas contracionista que deprimem sua arrecadação.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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