O prefeito reeleito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), subiu ao palanque cerca de meia hora após o resultado ser declarado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao lado de familiares e apoiadores, e discursou para agradecer o apoio do paulistano. O mandatário reeleito lembrou dos ataques dirigidos à sua esposa e o apoio do governador Tarcisio de Freitas, que estava ao seu lado no palco. “A campanha terminou, a hora das diferenças passou, e vamos governar para todos”, afirmou.
Ao citar as críticas e posições de seus dois principais adversários, disse que “a democracia deixou uma grande lição”.
“O equilíbrio venceu todos os extremismos. São Paulo falou e mandou recado para todo o país. O que o povo precisa é de emprego, segurança, melhorias e oportunidades”, disse.
Ele lembrou do ex-prefeito Bruno Covas, quando dizia que não se faz política com ódio. Nunes foi eleito vice-prefeito de Covas há quatro anos, e cujo filho, Tomas, esteve presente na comemoração, em meio aos políticos.
Ricardo Nunes falou das obras realizadas e do reconhecimento aos esforços de seu governo. “A política não pode ser feita com máscaras ao invés de realizações, com posições de extremos ideológicos, mas deve se preocupar com resultados concretos para a população”.
Presença constante nos palanques de campanha, o governador Tarcísio de Freitas acompanhou Nunes no evento deste domingo, e atribuiu a vitória à frente ampla formada em torno da campanha. “Foi uma vitória do trabalho sobre a lacração, e vem muito mais por aí”, disse.
Com maioria na Câmara Municipal em seu primeiro mandato, Nunes, que teve dois mandatos como vereador, teve em candidatos e parlamentares eleitos cabos eleitorais atuantes, com peso político na disputa em seus dois turnos, alguns dos quais participaram da gestão em secretarias e subprefeituras, principalmente nos dois últimos anos.
Ricardo Nunes, que já se mostrava confiante durante entrevista concedida à imprensa após votar na zona sul da capital, pela manhã, se envolveu em polêmica durante o dia, quando o governador Tarcísio de Freitas, ao lhe acompanhar, comentou sobre factoide envolvendo suposto direcionamento da facção Primeiro Comando da Capital pelo voto de presos provisórios e familiares de presos contra candidatos de direita. O candidato Guilherme Boulos, em coletiva durante a tarde, considerou o comentário um crime eleitoral grave. Sua campanha ajuizou ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em resposta às declarações do governador.
A declaração do governador ocorreu após falas de Nunes, que comentou a participação de Boulos em entrevista a podcast na sexta-feira e reforçou as falas em que colocava o deputado federal do PSoL como um candidato “da desordem”, repetindo o tom usado durante toda a campanha.
Em nota, a assessoria de Nunes declarou que “por ora, a campanha de Ricardo Nunes (MDB) não vai se manifestar sobre os recentes pedidos de Guilherme Boulos à Justiça”.
Já Boulos declarou no início da noite deste domingo que, apesar da derrota nas eleições, não sai como vencido e que encara o resultado das urnas como um sinal de recuperação da esquerda.
“Não vou falar aqui das mentiras e dos ataques que definiram essa eleição. Eu não vou falar do crime eleitoral cometido pelo governador de São Paulo. Disso a Justiça cuide. Não vou fazer aqui um discurso de perdedor porque a gente perdeu uma eleição, porque a gente recuperou a dignidade da esquerda brasileira” afirmou, em meio a centenas de pessoas, muitas das quais integrantes de movimentos de base, na Casa de Portugal, bairro da Liberdade, onde discursou após o resultado das urnas dar a vitória das eleições da capital paulista a Ricardo Nunes.
De acordo com ele, a chapa mostrou a possibilidade de se fazer política de uma outra maneira, em que predomina o diálogo respeitoso. “Olho no olho, debatendo no campo de peito aberto, nas praças, nas ruas, com dignidade”, pontuou. Boulos foi recebido com palavras de ordem como “Boulos guerreiro do povo brasileiro” e discursou ao lado de Marta Suplicy, vice na chapa, e o ministro das Relações Exteriores, Alexandre Padilha.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que acompanhou o resultado das eleições com Boulos, diz acreditar que houve uma “onda de reeleições” beneficiada pelas ações do Governo Federal. “Os prefeitos que estavam nos governos se aproveitaram do momento de recuperação econômica do país, do aumento recorde da transferências de recursos do Governo Federal para os municípios”, disse em entrevista à imprensa.
Padilha também ressaltou que para ele não há dúvida sobre a configuração de crime eleitoral na associação feita pelo governador Tarcísio de Freitas, entre Boulos e a facção PCC. Padilha ressaltou que o contexto em que ocorreu a fala, na presença de Ricardo Nunes, demonstra intenções eleitorais.
“A esperança é de que a Justiça cumpra seu papel”, afirmou, adicionando que tudo indica se tratar de uma informação falsa, “tão falsa que não encaminhou denúncia” oficialmente e que, se o governador tivesse escondido das autoridades provas que o incriminassem, estaria cometendo prevaricação.
Mais cedo, O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a declaração do governador de São Paulo “compromete os princípios republicanos que deveriam guiar o processo eleitoral”. “Tal comportamento não pode ser ignorado pelas autoridades competentes, principalmente no que tange à preservação da integridade das eleições”, acrescentou, em sua conta na rede social X.
Com informações da Agência Brasil
Leia também:
-
Alcolumbre sugere ‘melhorar’ 6×1 e quer passar PEC por comissões
Presidente do Senado disse que vai discutir tramitação com o presidente da CCJ
-
Câmara aprova urgência de texto que facilita garimpo de menor porte
Governo e partidos de centro-esquerda denunciam fragilização ambiental
-
Alckmin: é factoide do clã Bolsonaro para desviar do caso Master
Se trata de factoide da família Bolsonaro para desviar a atenção do caso de corrupção e sonegação do Banco Master. Essa é a avaliação do vice-presidente Geraldo Alckmin, ao comentar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. “Infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que […]
-
Lula anuncia que vai indicar novamente Jorge Messias para o STF
Para o presidente, rejeição anterior teve critérios apenas políticos
-
Centrão tenta derrubar transição de 60 dias para fim da escala 6×1
Redução para as 40 horas está prevista para ocorrer 14 meses após a publicação do texto no DOU
-
Encontro em Niterói
Pré-candidato ao Senado, pelo PDT, o advogado, jornalista, ex-deputado federal e ex-ministro Miro Teixeira recebeu o apoio recebido do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. “Meu pré-candidato ao Senado pelo PDT. Miro Teixeira foi deputado federal, líder no Congresso Nacional e ministro. Tem uma trajetória marcada pelo compromisso com a ética, o trabalhismo e a democracia, em defesa das […]























