Ricos recuperam perdas da Covid em 9 meses; pobres levarão 10 anos

Relatório da Oxfam propõe imposto sobre lucros excessivos que arrecadaria US$ 104 bi em 1 ano.

As mil pessoas mais ricas do mundo levarão apenas nove meses para ver suas fortunas retornarem aos níveis pré-pandemia, enquanto os mais pobres vão levar 14 vezes mais, ou seja, mais de dez anos, para conseguir repor as perdas devido ao impacto econômico da doença. A conclusão é do relatório “O Vírus da Desigualdade”, que será lançado pela Oxfam nesta segunda-feira, na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Em fevereiro de 2020, foi identificado o valor da fortuna dos mais ricos, representando 100%. Em março, essa riqueza caiu para 70,3%, voltando aos 100% em novembro. Como base de comparação sobre a velocidade dessa recuperação, os mais ricos do mundo levaram cinco anos para recuperar o que perderam durante a crise financeira de 2008.

“Nosso injusto sistema econômico está permitindo que os super-ricos acumulem imensas fortunas enquanto dificulta a vida de bilhões de pessoas. Do jeito que tem funcionado, a economia global está dificultando a sua vida, se você for pobre, mulher ou de grupos étnicos e raciais, como negros, indígenas e quilombolas”, afirma a Oxfam Brasil.

“A pandemia escancarou as desigualdades – no Brasil e no mundo. É revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais já ocorridas na história”, afirmou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. “Enquanto os super-ricos lucram, os mais pobres perdem empregos e renda, ficando à mercê da miséria e da fome.”

O relatório mostra que, em todo o mundo, os bilionários acumularam US$ 3,9 trilhões entre 18 de março e 31 de dezembro de 2020, sendo que sua riqueza total hoje é de US$ 11,95 trilhões, o equivalente ao que os governos do G20 gastaram para enfrentar a pandemia. Apenas os dez maiores bilionários acumularam US$ 540 bilhões no período – o suficiente para pagar pela vacina contra a Covid-19 para todo o mundo e garantir que ninguém chegue à situação de pobreza.

Por outro lado, a pandemia deu início a uma crise em relação aos empregos, que, segundo a Oxfam, é a pior em mais de 90 anos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de meio bilhão de pessoas estão agora subempregadas ou sem emprego, enfrentando miséria e fome. “Quando o coronavírus chegou, mais da metade dos trabalhadores e trabalhadoras dos países de baixa renda viviam na pobreza, e 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo não tinham acesso a proteções sociais como auxílio-doença ou seguro-desemprego”, observa a entidade.

Economias mais justas são a chave para uma recuperação econômica rápida da pandemia, segundo avaliação da Oxfam. A existência de um imposto temporário sobre os excessivos lucros obtidos pelas 32 corporações globais que mais lucraram durante a pandemia poderia arrecadar US$ 104 bilhões em 2020. O valor, conforme estima a Oxfam, seria o suficiente para providenciar auxílio-desemprego para todos os trabalhadores afetados durante a pandemia e para dar apoio financeiro a todas as crianças e idosos em países de renda baixa ou média.

“A desigualdade extrema não é inevitável, mas uma escolha política. Os governos pelo mundo precisam utilizar este momento de grande sofrimento para construir economias mais justas, igualitárias e inclusivas, que protejam o planeta e acabem com a pobreza. A nova fase pós-pandemia não pode ser uma repetição de tantos erros do passado, que nos legaram um mundo que beneficia poucos às custas de milhões”, acrescentou Katia.

Com informações da Agência Brasil

Leia mais:

O lixo dos mais ricos

Rendimento médio mensal de brasileiros mais ricos cresceu 8,4% em 2018

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

África tem potencial inexplorado de exportação de US$ 21,9 bilhões

Área de livre comércio da África pode proporcionar um crescimento econômico inclusivo considerável.

Faria: De R$ 9,7 bi de multas, só R$ 900 milhões foram pagos no setor

Menos de 10% das multas aplicadas são pagas.

Setor de defesa e segurança exportou US$ 1,57 bilhão até novembro

Indústria gerou no Brasil 2,9 milhões de empregos.

Últimas Notícias

Senado só votará a reforma tributária em 2022

Relator da PEC, Roberto Rocha, cobra a leitura de seu relatório antes do fim do ano.

África tem potencial inexplorado de exportação de US$ 21,9 bilhões

Área de livre comércio da África pode proporcionar um crescimento econômico inclusivo considerável.

Prédio da Editora Três vai a leilão

Com quase 130 mil m², lance mínimo é de R$ 40 milhões.

Diálogo entre China e Reino Unido fortalece cooperação bilateral

O vice-primeiro ministro chinês Hu Chunhua realizou um diálogo via telefone nesta terça-feira, com o chanceler do tesouro britânico Rishi Sunak, sobre o avanço da cooperação prática bilateral.

TingHua cria experiência de degustação multissensorial de baijiu

A produtora de cachaças chinesas TingHua, localizada na cidade de Yibin na Província de Sichuan no sudoeste da China, lançou recentemente seu produto novo TingHua baijiu (um tipo de cachaça chinesa), que é caracterizada pela sua experiência única de degustação de cinco etapas.