Rio de Janeiro: chegando a hora da renovação

Por Paulo Alonso.

Opinião / 16:11 - 30 de jul de 2020

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Eternizada como Cidade Maravilhosa, parte do Rio de Janeiro foi designada Patrimônio Cultural da Humanidade, como “Rio de Janeiro: Paisagem Carioca entre a Montanha e o Mar”, classificada pela Unesco, em 1º de julho de 2012, e categorizada como uma Paisagem Cultural. Em 18 de janeiro de 2019, a cidade foi eleita pela Unesco como a primeira Capital Mundial da Arquitetura.

Sem dúvida alguma, a capital do Estado do Rio de Janeiro, um balneário à beira-mar, é famosa por reunir praias e montanhas que seduzem o visitante pela beleza e pelo fascínio que provocam nas pessoas que aqui chegam. E as praias de Copacabana e de Ipanema, a estátua de 38 metros de altura do Cristo Redentor, lá no alto do Corcovado, e o Pão de Açúcar são alguns dos mais belos postais de todo o mundo.

As festas de Réveillon, com fogos de artifícios, são um cenário deslumbrante, na virada do dia 31 de dezembro para o dia 1º da janeiro, assim como o empolgante Carnaval, com carros alegóricos, fantasias extravagantes e sambistas, é considerado o maior do mundo. Essas festas não serão realizadas, conforme tradicionalmente acontecem, em virtude da pandemia que se instalou nos cinco cantos do mundo.

Lamentavelmente, a cidade, fundada em 1º de março de 1565 e com uma área de 1.255 km², também é conhecida pelas grandes favelas, milícias, pela violência em toda a parte e ainda pelo grande número de moradores de rua. E agora com o coronavírus, desemprego acentuado, estabelecimentos sendo fechados, tristeza.

No momento em que estamos prestes a escolher o prefeito que governará a cidade nos próximos quatro anos e os vereadores, é preciso atenção máxima. Votar certo e de forma consciente, entendendo que o Rio de Janeiro precisa de gente que viva, que ame e que trabalhe pelo seu permanente progresso, desenvolvimento e (re)construção.

E, para tanto, não somente o carioca como todos aqueles que elegeram o Rio para viver precisam se empenhar para que a Cidade possa continuar sendo, de fato, Maravilhosa. Para que isso ocorra, todos os cidadãos devem contribuir. E as autoridades constituídas têm o dever constitucional de zelar por sua segurança, além, é claro, de buscar caminhos, visando oferecer, e de forma permanente, educação, saúde, cultura, cidadania, saúde e bem-estar social.

Não há no mundo Cidade mais encantadora e mais sedutora. Já percorri o mundo, tendo visitado 91 países nos cinco continentes. Paris, Londres, Roma, Atenas, Istambul, Jerusalém, Dubai, Auckland, Fiji, Cairo, Cape Town, Túnis, Tóquio, Pequim, Nova York, San Francisco e Las Vegas guardam seus encantos, suas tradições, culturas e civilizações. A Cidade Maravilhosa, coração do Brasil, guarda encantos mil. Guarda praias, abriga florestas, encanta com o Pão de Açúcar e é abraçada pelo Cristo Redentor, que, diariamente, também abençoa a todos e sempre de braços abertos. Incansável!

Entre o sol de Ipanema, o mar de Copacabana, as Lagoas Rodrigo de Freitas e Marapendi e a Mata Atlântica, está geograficamente a Cidade do Rio de Janeiro, que vem servindo, desde a sua fundação por Estácio de Sá, de inspiração constante para músicos, poetas, cineastas, escritores e pintores.

Tom Jobim e Vinícius de Moraes, por exemplo, se serviram dos cenários desta Cidade para compor músicas inesquecíveis, além de Chico Buarque e Belchior, dentre tantos. João Cabral de Melo Neto, na Praia do Flamengo, Manuel Bandeira e Pedro Nava, na Glória, Carlos Drummond de Andrade e Antonio Olinto, em Copacabana, Rubens Braga, em Ipanema, e Rachel de Queiroz, no Leblon, foram lembrando o poeta português Fernando Pessoa, “antenas do mundo”. Fizeram prosas e poesias declarando, assim, amor e paixão, além de reverência, pelo Rio.

Pancetti e Sylvio Pinto, com suas marinhas, retrataram o litoral da cidade, do cais do porto a Grumari. A magia da cidade, com seu clima paradisíaco, banhada pelo Atlântico Sul, debaixo da linha do Equador e sob o Trópico de Capricórnio, seduz. E não é à toa que ela recebe (recebia e voltará a receber), e sempre com hospitalidade, gente de todas as partes do mundo.

Lembrando o Maestro Tom Jobim, “minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudades. Rio, teu mar, praias sem fim… você foi feito para mim…”. Aqui, apareceram a Garota de Ipanema (salve Helô Pinheiro, que, mesmo aos 60, continua gata!), imortalizada pelo maestro maior, e o Menino do Rio, do baiano Caetano Veloso, que também adotou o Rio para viver, assim como outros baianos igualmente notáveis, como Gal, Gil, Bethânia e Simone, como a maranhense Alcione e a paraense Fafá de Belém.

As imagens das praias cariocas, do Morro Dois Irmãos, do Joá, do Jardim Botânico, da Princesinha do Mar (Dick Farney e Dorival Caymmi), da Ilha Fiscal (último baile do império), da romântica Ilha de Paquetá, da Floresta da Tijuca e dos carnavais (Mangueira e “as rosas não falam”, de Cartola e de Dona Zica; Império Serrano; Beija-Flor; Portela e Salgueiro), sem esquecer do Maracanã, templo sagrado do futebol mundial, e do Flamengo, é claro!

Leila Diniz, Albino Pinheiro, Glauber Rocha e Sergio Cabral foram e são alguns dos personagens mais ilustres da Cidade. O Rio Antigo de Ferrer, de Debret, de Rugendas. Ser carioca, aliás, é um estado de espírito, como costuma dizer a jornalista Danuza Leão, irmã de Nara, a musa da Bossa Nova. Ruas, becos, praças e favelas estão imortalizadas em belas canções e em telas. A Rua Nascimento e Silva, em Ipanema, por exemplo, ficou registrada e eternizada na voz da “Divina” Elizeth Cardoso, que estaria este ano comemorando 100 anos de vida.

Poder contemplar o projeto paisagístico do Aterro do Flamengo, da Igreja da Glória, do alto do Outeiro, da Candelária, dos prédios centenários e históricos do Theatro Municipal, Biblioteca Nacional, Centro Cultural Banco do Brasil e a Casa França-Brasil, assim como visitar o Mosteiro de São Bento – uma joia rara – , assistir à Santa Missa de domingo, às 10h, com cânticos gregorianos, é absolutamente fantástico, como também é emocionante subir às escadarias e rezar no Santuário de Nossa Senhora da Penha. Caminhar pelas Paineiras, ir à Cascatinha da Tijuca são passeios, igualmente, prazerosos. E a cidade vista lá de cima mais parece um imenso, e gigantesco, postal. É de tirar o fôlego!

Em cores, Santa Teresa, com o seu charmoso bondinho, encanta, com rara beleza, assim como os Arcos da Lapa. A feira de antiguidades da Rua do Lavradio e a feira hippie da Praça General Osório, em Ipanema, são opções de entretenimento e de lazer. Breve, poderemos voltar a aproveitar, sem receio, as maravilhas do Rio, voltando a frequentar suas opções de lazer e a todo vapor. Essa pandemia vai passar.

O Rio de Janeiro merece que todos os seus habitantes trabalhem pela valorização dos seus encantos, pela preservação da sua história – segunda capital do Império e primeira da República – pela divulgação da sua cultura, pela proteção do seu rico meio ambiente e pela obstinação em conservar o Rio como porta de entrada do turismo da América Latina. Para tanto, faz-se mister que todos estejamos de prontidão e em sua defesa.

Contemplado por grande número de universidades, o Rio é o segundo maior polo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, responsável por 19% da produção científica nacional e ainda é o maior destino turístico internacional no Brasil, da América Latina e de todo o Hemisfério Sul, sendo a cidade brasileira mais conhecida no exterior e que serve como um “espelho” ou “retrato” nacional, seja positiva ou negativamente.

Diante da beleza da cidade, da sua história e da sua importância política, é imprescindível que saibamos escolher e bem, no dia 15 de novembro, os políticos que ocuparão o Palácio da Cidade e o Palácio Pedro Ernesto, a nossa Câmara de Vereadores. Votar, antes de um dever, é um direito de todos.

Paulo Alonso

Jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula.

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