Rio, petróleo e prosperidade

Por Ranulfo Vidigal.

Incremento do capital humano, confiança, parcerias e economia solidária

 

A crise econômica global dá a dimensão e o ritmo da guerra mundial. A deflação (ou desvalorização) do capital determina a dinâmica da guerra, travestida de corrosiva inflação global dos preços, desabastecimento de bens de primeira necessidade e de fome para a população mundial. Nesse quadro, o petróleo atinge mais de US$ 100 por barril.

Nos últimos 12 meses encerrados em maio, segundo a ANP, o governo estadual do Rio de Janeiro recebeu cerca de R$ 10 bilhões somente na forma de royalties do petróleo. Para 2023, muito provavelmente, o orçamento total aprovado pela Alerj vai tangenciar a faixa dos R$ 100 bilhões. Em paralelo, a produção de óleo sobe.

Nesse contexto, a sociedade fluminense deve repensar o conceito de “economia”, conforme formos tomando ciência da crise climática, pois a segunda economia da federação possui ativos ambientais de grande qualidade e num curto espaço de tempo sofre fortes perdas de vidas humanas na belíssima Região Serrana.

Defender o capital natural da depleção e do custo da atividade produtiva geradora de poluição ambiental se faz urgente e necessário. O recurso finito do petróleo, por hora abundante, pode ter papel crucial na estruturação produtiva da segunda economia do país.

Devemos aproveitar o debate eleitoral de 2022 e repensar os conceitos desenvolvimento e progresso para não colocar no centro a simples acumulação de riquezas, mas o bem-estar humano, não separado da natureza, porque somos inseparáveis e dependemos do meio ambiente, seus recursos e serviços.

Buscar o progresso genuíno envolve a preocupação com a segurança alimentar, diante de uma alta acelerada dos preços dos alimentos, bens e serviços de primeira necessidade, que joga na extrema pobreza um elevado contingente da população fluminense.

A redução da desigualdade de renda e oportunidades envolve a provisão de bens públicos e principalmente, o incremento do capital humano (educação e saúde de qualidade), bem como a confiança, as parcerias e a economia solidária que fortalecem o capital social.

O Rio que conhecemos nasce como porto e fortificação militar, virando a capital do Brasil. Entre 1930 e 1980, a economia brasileira, em média, dobra de tamanho a cada dez anos. Quem “puxa” esse dinamismo é São Paulo.

No entanto, o Rio, como capital do país, sede de empresas nacionais e internacionais que atuam no Brasil, principal centro financeiro e cultural, acompanha o dinamismo brasileiro. Porém, a partir da transferência da capital para Brasília, a cidade e o Estado do Rio de Janeiro passam a ser lanterna em termos de dinamismo econômico. As estatísticas de emprego e arrecadação fiscal confirmam isso.

No tempo presente, lastreada pela economia do conhecimento com seu parque universitário e tecnológico e a recuperação da Petrobras como empresa pública nacional e fomentadora das cadeias produtivas estaduais, pode-se iniciar um novo ciclo virtuoso.

 

Ranulfo Vidigal é economista.

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