Rio pode ficar sem ônibus a partir desta sexta-feira

Empresas alegam que sem ajuda do poder público, setor está entrando em colapso total.

Rio de Janeiro / 23:49 - 26 de mar de 2020

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Sem ajuda do poder público neste momento de contingência decorrente da pandemia do coronavírus (Covid-19), as empresas de ônibus urbanos do Rio de Janeiro ameaçam tirar a frota de circulação a partir desta sexta-feira. O anúncio foi feito, por meio de nota, pelo Sindicato das Empresas de Ônibus do Município do Rio de Janeiro (Rio Ônibus).

“O Rio Ônibus adotou todas as medidas estipuladas pelo poder público e até se antecipou para tentar manter o emprego dos mais de 26 mil rodoviários e o transporte público por ônibus, neste momento tão difícil para todos”, diz o texto.

Segundo o Rio Ônibus, o setor está entrando em “completo colapso total com o agravamento da crise por conta da pandemia do novo coronavírus”, com uma queda de 72,6% no número de passageiros registrada na última terça-feira.

“Hoje (quinta-feira) a queda é ainda maior. Com o baixíssimo número de pessoas embarcando e sem nenhuma ajuda das autoridades, diferentemente de como acontece em São Paulo, as empresas não têm mais condições de manter a compra de combustível e os salários dos rodoviários.”

A Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho com as empresas de ônibus para discutir ações e tomar medidas de prevenção contra o coronavírus no transporte público.

Por parte dos trabalhadores, o Sindicato dos Rodoviários enviou um ofício à Prefeitura solicitando que sejam tomadas medidas urgentes e que seja formada uma mesa de negociação para resolver a situação e evitar o colapso. O sindicato da categoria diz ter sido informado na quarta-feira, por dois consórcios de empresas de ônibus, dos cinco que operam as linhas na cidade, o Internorte e o Intersul, de que “não vão conseguir honrar os salários dos motoristas e demais profissionais que fazem circular a frota de ônibus do município”.

A Secretaria Municipal de Transportes disse que “mantém canal aberto com todos os consórcios e com o Rio Ônibus” e que já permitiu “diversas concessões ao sistema”, para que se adeque à realidade do combate ao coronavírus. “Neste momento, não há como conceder qualquer reajuste da tarifa dos ônibus municipais. A questão está na Justiça e uma audiência deverá ser feita, em breve, para discutir o assunto”, diz a nota da Secretaria de Transportes.

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