Risco de racionamento de energia aumenta, mas ainda é baixo

O relatório mensal Sensor Elétrico XP mostrou que, em julho, o cenário hidrológico brasileiro piorou, com os níveis dos reservatórios caindo abaixo do esperado. “Como resultado, atualizamos nossas estimativas e vemos a probabilidade de racionamento nos próximos 12 meses subindo para 5,5% de 3,0% no nosso último relatório”, citou os analistas de Elétricas e Saneamento da XP, Victor Burke e Maíra Maldonado. O relatório veio com uma atualização das estimativas para a probabilidade de racionamento em 2021.

Em julho, o Ministério de Minas e Energia (MME) disse que a região Sudeste, responsável por 70% da capacidade de armazenamento do Brasil, está com apenas 26% de sua capacidade. Acrescentou que a bacia mais atingida é a do Rio Paraná e seus afluentes, como o Tietê e o Paranaíba.

Segundo os analistas da XP, os destaques do mês de julho foram: (i) o aumento no consumo de energia elétrica, +2,0% acima do mesmo mês do ano anterior. A demanda ficou -3% abaixo de nossas estimativas, o que vemos como positivo na situação atual; (i) a energia natural afluente – ENA (quantidade de água que chega às hidrelétricas, em unidade de energia) – atingiu 19.873 GWh contra 28.995 no mesmo mês do ano passado, sendo uma queda de -31% A/A.

O nível dos reservatórios consolidados continua diminuindo, atingindo 37% da capacidade máxima em julho contra 39% em junho e (iii) um maior despacho térmico necessário por mais tempo. “Como nosso modelo agora começa a partir de um nível de reservatório mais baixo, ele requer um despacho térmico mais alto para manter os níveis de reservatório saudáveis. A utilização da capacidade térmica na janela de agosto/dezembro subiu para 72% de 58% no nosso último relatório”, disseram os analistas.

Chance de racionamento

O relatório estima 5,5% de chance de racionamento de energia nos próximos 12 meses. Em nosso cenário base, não vemos a necessidade de racionamento de energia nos próximos doze meses. “Embora estimamos que os reservatórios atinjam níveis baixos históricos (15% em novembro/2021 para o SIN consolidado), há capacidade térmica suficiente para ser utilizada e evitar medidas mais dramáticas”.

O ponto de ruptura para o modelo agora é se a energia afluente natural média (ENA) ficar abaixo de 55% da média de longo prazo (anteriormente 50%). De acordo com os cálculos, a probabilidade de a ENA ficar em 55% ou menos (portanto, ocorrer racionamento de energia) é de 5,5%.

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