Risco fiscal amplia tensões

Bovespa encerrou quinta com queda de 1,62% e índice em 100.460 pontos, enquanto o Dow Jones inverteu para queda de 0,29%.

Opinião do Analista / 11:30 - 14 de ago de 2020

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Ontem os mercados na parte da tarde desaceleraram fortemente. A Bovespa encerrou com queda de 1,62% e índice em 100.460 pontos, enquanto o Dow Jones inverteu para queda de 0,29% e Nasdaq ainda com leve alta de 0,27%. Dólar por aqui fechando com queda de 1,53% e cotado a R$ 5,37. Motivo: impasse entre Democratas e Republicanos para fechar pacote de estímulos para a economia e novas críticas contra a China e suas empresas. Aqui, pressão dos "fura-teto" para ampliar obras e recursos para infraestrutura e a nova prisão de Fabrício Queiroz, chegando perto do filho do presidente.

Hoje, Bolsas da Ásia terminaram o dia com comportamento misto, Europa acelerando perdas nesse início de manhã e futuros do mercado americano operando no negativo. Aqui, corremos o risco de perder o patamar de 100 mil pontos e até 98 mil pontos, o que não seria bom e atrasaria a recuperação.

Dados divulgados na China durante a madrugada vieram piores que o previsto, induzindo comportamento negativo dos mercados de risco, e podemos ainda juntar muitos prejuízos anunciados na safra interna de resultados do segundo trimestre. Na China, a produção industrial anualizada de julho expandiu 4,8%, quando o previsto era 5%. As vendas no varejo encolhendo 1,1% anualizada, mas vindo de queda anterior de 1,8%. Os investimentos em ativos fixos urbanos encolheram 1,6% nos primeiros sete meses de 2020, mas também vindo de -3,1%. As vendas de imóveis cresceram 0,4% nos primeiros sete meses, sendo essa a primeira alta de 2020.

Na Zona do Euro, o PIB do segundo trimestre encolheu históricos 12,1%, mas o superávit da balança comercial de junho foi de 17,1 bilhões de euros, contra anterior de 8,6 bilhões de euros, fruto de exportações crescendo 11,2% e importações com expansão de 5,2%. Portugal registrou PIB em queda no segundo trimestre de 13,9% e taxa anualizada de -16,3%.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 0,99% e barril cotado em US$ 41,99. O euro era transacionado em queda para US$ 1,18 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,70%. O ouro e a prata com largas quedas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, Jair Bolsonaro admitiu a existência de fura-tetos dentro de sua equipe, tentou justificar o interesse por obras, mas disse que a economia está 99,9% com Paulo Guedes. Mas o governo deve apresentar MP de R$ 5 bilhões de crédito extra para a área de infraestrutura, porém deve ter que aceitar R$ 1,3 bilhão em obras parlamentares. Isso causa estresse. A FGV anunciou que a inflação medida pelo IGP-10 de agosto teve alta de 2,53% (anterior em 1.,91%), deixando a inflação do ano em 9,24% e em 12 meses de 11,84%.

Na agenda do dia, ainda teremos dados que podem mexer com os mercados, como produção industrial e vendas no varejo dos EUA em julho, e aqui o IBC-Be de junho, uma prévia do PIB do primeiro semestre.

Expectativa para o dia com Bovespa em queda, dólar mais forte e juros longos ainda estressados.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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