Risco real

Depois de conquistar a confiança do mercado, o ministro Antônio Palocci poderia propor ao J.P. Morgan que calculasse novo tipo de risco: o risco Rocinha. O cálculo resultaria do cruzamento entre o número de desempregados e a concentração de renda no país e os espetáculos pirotécnicos oferecidos pelos bandidos em todo o país. Como base inicial, se poderia informar que, com cerca de 20 milhões de desempregados no país, tem-se algo como quatro dias de guerra civil no Rio. Os operadores do mercado futuro podem fazer suas projeções considerando mais três anos de superávit primário (economia para pagar juros) de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ruptura
O professor da UFRJ José Ricardo Tauíle considera que a coesão social no Brasil está “a um passo da absoluta desagregação”. Em palestra sobre crédito para cooperativas populares, promovida pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) – antes do conflito na Rocinha -, Tauíle lembrou que o país foi contemporâneo da revolução industrial, mas que a imperatriz Maria I mandou destruir os teares da recém-nascida indústria têxtil. “No século XIX, foi a vez de o industrial Delmiro Gouveia ser torpedeado”, recordou, acrescentando que “o Brasil está no limite. Não suporta mais as contradições de um sistema que nos levou da oitava para a décima quinta posição no mundo, além de manter uma das piores distribuições de renda do planeta”.
Frustrado com o governo Lula, o economista classificou o atual modelo de “produtor de uma sociedade esquizofrênica, no qual a indústria da segurança é a que mais cresce”.

Exército
No primeiro trimestre do ano, o sistema penitenciário do Rio de Janeiro recebeu, em média, 70 presos por dia. Isso representa 210 novos presos por mês e 2.520 por ano.

Raio X
Diferentemente do presidente Lula, que elegeu a criatividade como o principal indicador de sucesso de seus ministros, a experiência histórica e o pragmatismo apontam o dinheiro recebido como sinal da prioridade de governo Esse indicador mostra que, em 2003, ao pagar R$ 145 bilhões de juros, o governo Lula destinou a essa rubrica cerca de R$ 12 bilhões por mês. Como o mesmo governo prevê que seu investimento total, em 2004, em infra-estrutura somará apenas R$ 12 bilhões – noves fora os contingenciamentos do ministro Palocci – e tem-se um retrato 3 x 4 para prioridades petistas.

Efeito Ludu
Depois das duplas sertanejas que atormentam os ouvidos nacionais desde o início da era Collor, o país ganhou nova dupla do barulho: Lulu e Dudu, os rivais que disputam um mercado estimado em pelo menos R$ 10 milhões por mês, movido pela venda de drogas na Rocinha.

Fora do mercado
Embora trágico, não deixa de ser irônico. Foi preciso a Páscoa sem lei na Rocinha para os defensores da tese de que os fundamentos da equipe econômica funcionam às mil maravilhas descobrirem que há algo errado num país onde o direito de ir e vir está sujeito a indicadores que não o risco país, a Bovespa ou a cotação do dólar.

Bolívia
Parte do Ciclo Internacional América Latina em Debate, será exibido na próxima segunda-feira o filme O Inimigo Principal, de Jorge Sanjinés. A mostra será seguida de debate sobre os dilemas e desafios contemporâneos enfrentados pelos bolivianos. Participarão Juan Carlos Torres Obleas, cônsul-geral da Bolívia no Rio de Janeiro, Antonio Carlos Peixoto, sub-secretário de Assuntos Internacionais da Secretaria de Planejamento do Rio, e Pedro Amaral, assessor da Secretaria de Cultura. A exibição começa às 18h, na Casa França-Brasil (R. Visconde de Itaboraí, 78, Centro).

Vem “pra” Caixa
Coitado do Waldomiro, não tinha renda, não tinha aplicação financeira, poupança, nem imóveis. Quem sabe ele foi tantas vezes na Caixa se informar sobre financiamento para compra da casa própria?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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