Risco zero

O presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini, também abraça as críticas do MM aos que, incomodados com a intervenção do Governo Lula na direção do Banco do Brasil, aconselham os investidores a desfazerem-se das ações do BB, uma das mais líquidas da Bovespa.
Após observar que, “de fato, o governo não é o dono do BB, mas o Estado brasileiro é o acionista amplamente majoritário”, Berzoini ironiza: “Quem compra ações do BB sabe disso, sabe inclusive que é um banco que não quebra. O acionista do BB não corre o risco que atingiu os cotistas do Banco Nacional, do Bamerindus, do Econômico ou do Lehman Brothers. Ele deve sim, óbvio, dar lucro. Mas quem disse que deve dar uma rentabilidade de 30% ao ano? Onde está escrito isso?”, afirma em artigo publicado no site do PT e intitulado “Por que o mercado derrubou dona Leitão”

Gangorra
O presidente do PT acrescenta que, cerca de um mês depois de terem recuado 8,15%, em 8 de abril, no primeiro dia após o anúncio da mudança na presidência do BB, e 2,8% no dia seguinte, as ações do Banco do Brasil voltaram praticamente ao mesmo valor de 7 de abril: “Alguns especuladores devem ter vendido ações no dia 8, prevendo já os artigos iluminados dos neoliberais. Talvez tenham recomprado dias depois, embolsado um lucrinho. Talvez vendam na semana que vem e comprem daqui a um mês. Assim é o mercado.”

Dinossauros
Não bastassem os ensinamentos pós-Enron, a crise desencadeada nos mercados auto-regulados dos EUA em 2007 comprovaram a indispensável presença do Estado na fiscalização da economia e dos mercados financeiros. A brasileira Comissão de Valores Mobiliários (CVM) parece alheia a tudo isso, e coloca em audiência pública o texto de uma instrução que trata das normas e procedimentos a serem observados nas operações realizadas com ações e similares em mercados regulamentados, para substituir as instruções 122, de 6 de junho de 1990, e 387, de 28 de abril de 2003.
Apesar de defender a importância de “aprimorar a disciplina das operações realizadas” e “estabelecer padrões mais estritos e éticos para as condutas dos intermediários em seus relacionamentos com clientes”, bem como “fortalecer o papel das entidades administradoras”, o texto da instrução bate na tecla de “aprimorar os mecanismos que incentivem e facilitem a auto-regulação das operações em mercados organizados”. É quase como entrar no túnel do tempo.

Fim do cassino?
A crise econômica mundial será o tema de debate nesta quarta-feira, às 15h, no Clube Militar (Av. Rio Branco, 251, 5º andar, Centro, RJ). O painel reunirá os professores Marcos Coimbra e Ubiratan Iorio. Mais informações em [email protected]

Virada
A crise internacional não inaugurou a bancarrota das repúblicas soviéticas. Na verdade, seu efeito devastador alastrou-se por um terreno já movediço. A Ucrânia, por exemplo, que ao tempo em que integrava a União Soviética chegou a exportar 70% da sua produção de máquinas agrícolas, atualmente vê-se obrigada a importar 90% do que utiliza no mercado interno.

Luz no meio do túnel
Numa época de crise, problemas e vida corrida, há necessidade de se olhar para dentro, de o indivíduo se ligar com uma fonte de energia interna. Assim a especialista Carmen Saez Dy Uai (Shangai) define o curso “A incontestável leveza do conhecer-se”, baseado na tradicional medicina chinesa. Os ensinamentos da palestra vão na contramão da crise econômica, das incertezas e das cobranças. Shangai fará aula aberta no dia 7 de maio, a partir das 19h, no espaço Fontes de Luz, no Jardim Botânico (RJ). Mais informações no site www.fontesdeluz.com.br

Apropriação
Alguma coisa diz a esta coluna que nem toda (ou talvez nada) da redução de impostos para construção e linha branca será repassada aos preços. A sensação é que os preços foram elevados às vésperas das isenções para agora retornar ao patamar normal, com aumento da margem de lucro de comércio e indústria. Em certos casos, deve-se reconhecer, recuperação justa.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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