Riscos da dependência

Tornou-se versão recorrente entre os operadores do mercado financeiro que a forte baixa da bolsa, que, apenas esta semana, somou 9,13%, tem sido puxada pela “venda de Brasil” por investidores estrangeiros – os nossos gringos – que estavam atuando nos mercados futuros. Receosos de uma futura alta de juros nos Estados Unidos, esses players estão se desfazendo de ativos nos mercados emergentes. Verdade ou não, o movimento de queda da bolsa mostra quão frágil é um modelo econômico que se sustenta na ilusão do financiamento das contas externas do país pelo capital especulativo atraído pelos juros do doutor Palocci.

História
Ainda sobre os 20 anos das Diretas Já, faltou dizer que a não aprovação, por apenas 22 votos, da emenda que garantiria o direito de os brasileiros elegerem o presidente da República deveu-se em grande medida a uma articulação entre Tancredo Neves e o então vice-presidente, Aureliano Chaves. Quem revisita a votação da bancada do PDS de Minas Gerais vê que os parlamentares ligados a Aureliano votaram em peso contra as diretas ou não compareceram ao plenário. Favorito no colégio eleitoral, Tancredo dificilmente tiraria a indicação de Ulysses Guimarães pelo PMDB se as eleições fossem diretas. Além disso, falou mais alto, novamente, a prática de acordo “por cima” entre as elites. Existiu, é verdade, quem, de boa fé, acreditasse que a união em torno de Tancredo era o melhor caminho para a unidade nacional, driblando a tensão inerente à disputa eleitoral.
Como se verificou pelo ministério legado por Tancredo, com predomínio dos conservadores na economia, e o governo praticado por José Sarney, a opção por gerenciar a crise resultou apenas na desmoralização do PMDB e na abertura do caminho para a aventura Collor. Coadjuvante dos fatos, o PT, hoje protagonista, parece se dar ao luxo de não aprender com a história ao se vocacionar para ser o novo gerente da crise.

Público interno
Ao reclamar que o Brasil é o único país cuja imprensa noticia diariamente as cotações do risco país e do dólar, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, não apenas faz coro com artigo publicado, há poucas semanas no MM, por nosso vizinho José Carlos Assis, como introduz interessante questão no debate interno do governo. Poderia começar repetindo o pedido feito à imprensa ao presidente Lula e ao ministro Antônio Palocci. Na falta de indicadores da economia real, como emprego, renda, educação, saúde etc, para exibir, Lula e Palocci, dia sim, outro também, citam entre as conquistas solitárias do governo a queda do risco país.

Sem dinheiro na bolsa
Apesar de terem tido os valores de suas bolsas novamente equiparado às do CNPq, o mestrandos e doutorandos da Capes sofrem com atraso de até dois meses no repasse das verbas. Embora evitem se manifestar publicamente, alguns coordenadores de pós-graduação temem que o problema tenha origem no contingenciamento do Orçamento da União. Em outras palavras, no superávit primário (economia para pagar juros) no primeiro trimestre de 5,41% do produto interno bruto (PIB), superior até aos 4,25% do PIB prometidos ao FMI.

Cavalo de Tróia
A curiosidade dos usuários da Internet é um dos principais fatores que permite a propagação dos ataques de vírus e hackers. “Freqüentemente são enviadas mensagens falsas nas caixas postais com Cavalo de Tróia (programas escondidos) que, uma vez abertas, liberam para o invasor todos os dados do usuário”, salienta Emerson Santini, coordenador de suporte da Eclipse Consultoria e Teleinformática.
A identificação desses e-mails nem sempre é fácil, pois eles chegam camuflados: “A forma mais comum é uma notificação sinalizando ao usuário um recadastramento de conta e senha. Outra forma muito utilizada é a de cartão virtual, principalmente perto de datas comemorativas, como dia dos namorados, Natal e Ano Novo”. Os ataques realizados por hackers estão aumentando, principalmente em empresas de pequeno porte – que geralmente investem pouco em informática, diz o especialista.

Com estação
A Tribunal Regional Federal de São Paulo impediu, em julgamento esta semana, que o Metrô de São Paulo oferecesse o prédio da Estação Júlio Prestes como garantia de pagamento de sua dívida previdenciária. O argumento da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de que o prédio da estação não afetaria à prestação do serviço à população não foi aceito pelo tribunal.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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