Rolex “by” Lula

Um relógio de R$ 90 – pouco menos que metade do salário mínimo – é a estrela da loja virtual do PT, que arrecadou R$ 2 milhões durante o período de campanha. No primeiro turno da campanha eleitoral a lojinha na Internet vendia R$ 40 mil em média por dia. No segundo turno, o faturamento dobrou. O material mais pedido anteriormente era a camiseta vermelha com a estrela branca do PT. O tesoureiro do partido e da campanha de Lula, Delúbio Soares, avisou que o relógio deveria ser comprado logo: “Vai valer mais do que um Rolex depois da eleição de Lula.”

Lula lá?
O Comitê Organizador do Fórum Social Mundial convidou formalmente o presidente eleito do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, para participar do Fórum Social Mundial 2003, que acontecerá em Porto Alegre entre os dias 23 e 28 de janeiro próximo. Lula esteve presente nas duas edições anteriores do FSM, em 2001 e 2002. O fórum é um movimento contra a globalização e seu nome é em oposição ao Fórum Econômico Mundial, que reúne a nata do sistema financeiro internacional.

Ninho tucano
Analistas políticos, discorrendo nesses últimos dias sobre o destino do PSDB, apontam que a liderança do partido será disputada por Geraldo Alckmin, governador reeleito de São Paulo, ou Aécio Neves, futuro governador de Minas. Sem tantas credenciais para entrar no debate, esta coluna acha que qualquer análise séria não pode esquecer dois nomes: José Serra, que, apesar da derrota, falta de carisma e brigas internas, chegou ao final do processo eleitoral com mais de 33 milhões de votos; e FH, que pode querer dar uma de Menen e, apesar do recado das urnas, tentar voltar em 2006.

Verde
Como daqui a dois meses acaba o mandato no Senado do ex-candidato à Presidência José Serra, esta coluna sugere ao tucano entrar em nova eleição: para presidente do Palmeiras. Palmeirense roxo, Serra teria ainda a calhar a provável queda do tradicional time paulista para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, tal qual – em sentido figurado – ocorreu com o PSDB e sua política neoliberal.

Desejos
O resultado final das eleições no Rio Grande do Sul deixa, mais uma vez, muito mal os institutos de pesquisa que se auto-intitulam de primeira linha. A diferença de cinco pontos percentuais entre Germano Rigotto (PMDB) e Tarso Genro (PT) é quase um terço inferior aos até 14 pontos percentuais apontados por institutos como Ibope e Datafolha. Registre-se, ainda, que os institutos genéricos, como os de universidades gaúchas, a exemplo do primeiro turno, detectarem com precisão a real o que se revelou o resultado final. A diferença, certamente, não se restringe a questões metodológicas.

Desejos
Se todos nomes “plantados” na mídia pelo mercado financeiro emplacarem uma vaguinha no governo do PT, certamente Lula vai ter um superministério. Se não em qualidade, em gigantismo.

República das Alagoas
A obsessão de José Serra em relação ao Rio Grande do Sul levou alguns maledicentes a insinuar que o tucano trocara a luta pela presidência da República pela disputa pelo governo daquele estado. Como a derrota de Serra no Rio Grande mostrou, tudo não passava de maldade de gente com má vontade com os tucanos. Na verdade, como o mapa eleitoral indica, a verdadeira vocação de Serra é ser governador de Alagoas, único estado no qual venceu Lula no primeiro e no segundo turnos.

No ar
No Distrito Federal, no Pará, no Ceará, na Paraíba e em Santa Catarina a decisão do segundo turno se deu por dois pontos percentuais ou menos. Se houver dúvidas sobre a apuração, como poderiam ser recontados os votos eletrônicos? Tirando Brasília, onde foi testado o voto impresso simultâneo à urna eletrônica, nos demais fica-se apenas com dados virtuais. Os números movimentaram os técnicos que defendem mudanças na urna eletrônica e questionam a validade do processo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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