Rota para jogar para escanteio a especulação

Chongqing, no sudoeste da China, não produz nenhum fertilizante de potássio, mas se tornará um centro de vendas do produto graças às rotas ferroviárias ligando a cidade à Europa. “No fim de março, o primeiro trem carregando 500 toneladas de fertilizantes de potássio produzido no Cazaquistão vai chegar a Chongqing no seu retorno da Alemanha”, disse administração da cidade à agência de notícias Xinhua. “A Iniciativa Cinturão e Rota cria muitas oportunidades para a cooperação econômica e comercial bilateral”, afirmou Zhang Jun, presidente da diretoria de uma empresa de potássio no Cazaquistão.

Desde 2013, a iniciativa cada vez mais influente tem impulsionado o comércio e investimento entre a China e os países ao longo das rotas e oferecido uma solução para as dificuldades econômicas globais. As importações e exportações combinadas da China com os países ao longo do Cinturão e Rota superaram 6,3 trilhões de iuanes (cerca de R$ 2,83 trilhões) em 2016, um aumento de 0,6% em relação a 2015, de acordo com o Ministério do Comércio da China. As empresas chinesas ajudaram a construir 56 zonas de cooperação econômica e comercial em 20 países ao longo das rotas com um investimento combinado superando US$ 18,5 bilhões, gerando quase US$ 1,1 bilhão em receita fiscal e 180 mil empregos nos países.

A Iniciativa Cinturão e Rota se tornou o produto público internacional mais popular e uma plataforma para a cooperação internacional com melhores perspectivas no mundo”, afirmou o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi. “A Iniciativa se opõe ao protecionismo e isolacionismo de vistas estreitas”, disse Sergei Luzyanin, diretor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente sob a Academia Russa de Ciências. “Somente tínhamos a opção ocidental europeia-americana de integração e desenvolvimento econômico nos anos 1990, agora há uma nova opção partindo da China.”

Marco Polo

A proposta chinesa faz sucesso na Europa. Mario Lettieri e Paolo Raimondi, economista de Roma, escrevem na Resenha Estratégica que “a Rota da Seda está no DNA da Itália. Não por acaso, foram italianos, em especial, Marco Polo e o padre jesuíta Matteo Ricci, que deram a conhecer a China a uma Europa que conjugava o localismo com as ambições colonialistas”. Recente missão empresarial italiana, comandada pelo presidente Sergio Mattarella, retornou com da China com um caderno de acordos econômicos superior a 5 bilhões de euros em diversos setores, do agroalimentício à exploração espacial, dos transportes às novas tecnologias, das pesquisas à cultura. “Tenha-se em mente que participar da implementação da Nova Rota da Seda significa estar envolvido em um extraordinário projeto histórico, com corredores de transportes, desenvolvimento e urbanização, que exigem a capacidade de se trabalhar em áreas complexas e de múltiplos propósitos. De fato, o projeto envolverá diretamente numerosos países que formam um vasto mercado, antecipando um forte crescimento da classe média, com pelo menos 3 bilhões de pessoas a mais, até 2050, e um aumento no comércio mundial da ordem de US$ 2,5 trilhões de dólares”, exultam os economistas romanos.

Cinturão e Rota trata-se da construção de uma impressionante variedade de infraestruturas, incluindo ferrovias, rodovias, portos e plataformas logísticas. Poderá integra-se com o projeto russo de infraestrutura, o Cinturão de Desenvolvimento Eurasiático, que liga a Europa com Moscou e daí até o estratégico porto de Vladivostok, no Oceano Pacífico. “Na verdade, a cidade russa de Kazan já está se tornando o hub de conexão central entre os dois corredores.” “Tais projetos de desenvolvimento intercontinentais exigem, evidentemente, grandes linhas de crédito e financiamentos consideráveis. Para isso, a China criou o Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB), ao qual já aderiram a Itália e outros 50 países. Este banco será essencial para o financiamento necessário, mas espera-se que venha a tornar-se um promotor de novas formas de financiamento produtivo e não especulativo”, finalizam Lettieri e Raimondi.

Rápidas

A Philips anunciou a nomeação do chileno David Reveco Sotomayor como CEO para a América Latina, cargo que ocupará a partir de 1º de abril. Ele substituirá Henk de Jong, que assumiu a posição de diretor de Mercados Internacionais e membro do Comitê Executivo da multinacional *** Nesta terça-feira, a Fiesp realizará programação a fim de comemorar o Dia Mundial da Água (quarta-feira). Detalhes em www.fiesp.com.br/agenda/mudanca-do-clima-e-seguranca-hidrica-reflexos-e-impactos-para-a-sociedade/ *** O conselho formado pelos empresários Ricardo Amaral, Boni, Roberto Medina e o presidente da ACRio, Paulo Protasio para definir as políticas de turismo da cidade do Rio de Janeiro fará sua primeira reunião aberta nesta segunda-feira, na sede da Associação Comercial, às 16h. Informações: [email protected]

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Montadoras não vieram; demissões, sim

Promessas de Doria e Bolsonaro para fábrica da Ford não passaram de conversa para gado dormir.

Ganhos de motoristas de app desabam

Renda média é de pouco mais de 1,5 salário mínimo.

Lei determina que estatais respeitem interesse público

Acionistas da Petrobras sabem que ela tem obrigações e bônus por ser de economia mista.

Últimas Notícias

Itália é o segundo país europeu que mais vende alimentos ao Brasil

Portugal lidera ranking; Brasil também tem nichos de mercado para alimentos da Jordânia.

Cana: safra começa com qualidade e produtividade inferiores à anterior

Indicadores de qualidade e produtividade em abril são negativos, mas clima pode contribuir para a recuperação.

Ford anuncia venda da fábrica de Taubaté

No ano passado, montadora anunciou o fim de suas atividades no país.

Títulos chineses detidos por instituições estrangeiras diminuem

Instituições estrangeiras diminuíram suas participações em títulos interbancários chineses, segundo um relatório divulgado pela sede do Banco Popular da China em Shanghai.

Operações financeiras de Shanghai estão estáveis apesar da epidemia

O centro financeiro da China, Shanghai, conseguiu manter suas operações financeiras estáveis apesar do recente ressurgimento da COVID-19.