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segunda-feira, janeiro 18, 2021

Roupa suja

A solenidade de início de operação da usina termelétrica Eletrobolt (RJ), ontem no Palácio Guanabara, surpreendeu pela forma como as autoridades falaram sobre os problemas do mercado de energia. O diretor de energia da Petrobras, Delcídio do Amaral Gomez, provocou o presidente do Operador Nacional do Sistema (ONS), Mário Santos, ao cobrar a regulamentação de medidas que não deixem o sistema de geração de energia privada “morrer na xerox (burocracia)”. Mário Santos não se fez de rogado e respondeu, não sem antes lembrar a longa amizade entre ele e o diretor da Petrobras: “Ele (Delcídio) sabe o que penso e nem sempre se pode falar tudo que se pensa”. Hoje, na reunião do ministério do apagão, Santos espera resolver o problema que aflige Delcídio e a empresa controladora da Eletrobolt, a norte-americana Enron. Assistindo a toda a discussão, o governador do Rio, Anthony Garotinho.

Viúva
Especialistas do setor de energia, céticos, desconfiam que a conta da venda da produção das termelétricas privadas do tipo mercantil – que não opera com comprador firme – vai acabar com o governo federal. Ou seja, no final, a conta ficará com o contribuinte-consumidor.

Paraíso nacional
O contrabando e/ou a importação ilegal no Brasil somam cerca de US$ 20 bilhões ao ano, causando perda de arrecadação de impostos da ordem de US$ 9,6 bilhões ao ano. A estimativa é do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), que apresenta, hoje, em audiência pública, na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, ia 25 (terça-feira), dossiê preparado a partir das denúncias da imprensa. O presidente do Unafisco, Paulo Gil Introíni, salienta que essa atividade ilegal agrava o desemprego no país.
Paraíso nacional II
Introíni promete divulgar documento, entregue semana passada ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, com propostas de reformulação do atual sistema de controle aduaneiro e de combate ao contrabando e ao descaminho. Uma das principais proposta do Unafisco é a revisão da Instrução Normativa 111/98, que, segundo a entidade, na prática impossibilita que os fiscais controlem a carga que passa pelos portos, pois a maioria das mercadorias é liberada automaticamente pelo Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), sem a fiscalização ter qualquer contato com a carga ou checar sua documentação. A mesma IN permite que a documentação das cargas fiscalizadas seja devolvida aos importadores após o desembaraço aduaneiro, inviabilizando qualquer verificação posterior.

Linha de passe
Uma historiografia do futebol no Brasil e suas implicações na vida social do país, como o racismo nos anos 20 e a derrota do Brasil para a França na final da Copa do Mundo de 1998. Esses são os temas do livro A invenção do país do futebol: mídia, raça e idolatria (Maud), que será lançado hoje, às 19h, na Livraria Marcabru, no Gávea Trade Center. Escrito a seis mãos pelos professores Ronaldo Helal, Antonio Jorge Soares e Hugo Lovisolo, a obra trata desde da análise de textos de Graciliano Ramos, Mário Filho e Eduardo Galeano ao estudo do papel do jornalismo e da mídia na construção das imagens dos heróis dos gramados. Em tempo de desconstrução, não acadêmica, do futebol, o livro ganha em atualidade.

A calhar
Mais do que um presente de aniversário, a repentina de convocação de Ronaldinho para a seleção brasileira foi uma mão na roda para o atacante da Internazionale resolver importante problema contratual com a Nike. Como mostram documentos revelados pela CPI da Nike, para o contrato assinado com a multinacional norte-americana continuar vitalício, o jogador brasileiro não pode ficar mais de dois anos sem ser convocado para a seleção, também patrocinado pela Nike. Como o último jogo de Ronaldinho pela seleção da CBF foi em outubro de 1999, pode-se dizer que a salvação veio aos 44 minutos do segundo tempo.

Bola de cristal aposentada
O empresário Jorge Gerdau Johannpeter admitiu que, em apenas seis meses, errou seis vezes  em suas projeções sobre a variação cambial. Segundo confessou, no início do ano, previu que o dólar subiria entre 6% e 8% até dezembro. No acumulado desde janeiro, a disparada da moeda norte-americana chegou a superar os 40%, antes da queda de ontem. Pelo sim, pelo não, o presidente do Grupo Gerdau diz agora preferir não arriscar novos cálculos. Resta a abdicação da quiromancia ser seguida pelos babalorixás do mercado e da equipe econômica.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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