RS: desempenho do comércio é negativo em janeiro, menos em livraria/papelaria/brinquedo

Enquanto o comércio, de uma forma geral, fechou com queda de 23,90%, em relação a dezembro de 2015, o seguimento de Livrarias, papelarias e brinquedos, foi o único a apresentar um crescimento positivo em relação ao mês anterior, com 45,40%.
O alto percentual, no entanto, não é motivo para grandes comemorações, segundo o assessor de Economia e Estatística da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul (RS), Mosár Leandro Ness, já que em comparação com o mesmo período do ano passado as livrarias ainda estão com vendas 26,27% menores em 2016.
– O desempenho do comércio em janeiro é um reflexo do momento econômico em que vivemos tanto em âmbito nacional quanto, regional e local. As dificuldades impostas ao setor privado vêm sobrecarregando as famílias e empresas. O reflexo dessa situação é uma crise profunda que se alastra por todo o tecido econômico.
Quando comparado a janeiro de 2015, o resultado do comércio é de 21,74% negativo. As atividades do ramo duro sofreram o maior prejuízo do que as do ramo mole. No mês de janeiro, comparadas com o mesmo período do ano passado automóveis, caminhões e autopeças novos e material elétrico foram os seguimentos com maiores quedas em suas vendas. automóveis, caminhões e autopeças novos com 41,60% e material elétrico com queda de 41,53%.
Já o segmento de informática e telefonia foi o que apresentou a menor queda com 7,60%.
No acumulado dos últimos 12 meses, o setor de materiais de construção é o único que apresenta crescimento positivo, com 17,08%;
No ramo mole, a variação entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016 é de 5,75% negativa e no acumulado de 12 meses o crescimento negativo é de 5,60%. O segmento de produtos químicos, embora apresente uma variação negativa entre dezembro e janeiro de 8,04%, ainda mantém desempenho positivo no acumulado do ano, contabilizando 16,14 %.
Em relação aos empregos, no mês de janeiro os números revelaram um saldo positivo de contratações da ordem de 539, representando um acréscimo de 0,34%. Porém em um ano, o saldo de continua negativo em 14.010 vagas, revelando um saldo negativo de 8,14%. O comércio fechou janeiro com 90 vagas fechadas, uma variação negativa de 0,34%; no acumulado de 12 meses o comércio apresenta um saldo negativo de 1.223 vagas o que corresponde a uma variação negativa de 4,39%.
Segundo Mosár, o setor mais penalizado continua sendo a indústria de transformação que acumula um saldo negativo de 11.041 vagas no ano.
–  As perspectivas para o ano que inicia continuam sendo não animadoras, já que não se observa até o momento medidas concretas para reverter a atual crise que assola o sistema econômico nacional – explica ele.
Em relação às consultas realizadas pelos lojistas junto ao sistema SPC, tem-se que houve uma diminuição (14,05%) em relação ao mesmo período do ano passado. E uma diminuição ainda maior (25,91%) em relação a dezembro de 2015. Já as consultas realizadas pelos consumidores junto ao sistema SPC diminuíram 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado e aumentaram (3,81%) em relação a dezembro de 2015.  
Em relação a inclusão de débitos no sistema SPC tem-se um aumento (5,80%) em relação a dezembro de 2015, mas uma diminuição expressiva (16,73%) relativa ao mesmo período do ano passado. Já as exclusões de débitos diminuíram em relação ao ano anterior (11,55%) e também diminuíram em relação a dezembro de 2015 (30,65%).
Nas inclusões de cheques registrou-se um aumento em relação ao mesmo período do ano anterior (53,97%). Da mesma forma, também aumentaram em relação a dezembro de 2015 (41,92%). As exclusões de cheques diminuíram (45,39%) em relação ao mesmo período do ano. A diminuição (48,88%) também se confirmou em relação a dezembro de 2015. As inclusões de CPFs aumentaram em relação aos dois períodos analisados: (11,80%) em relação ao mesmo período do ano passado e (1,41%) em relação ao mês anterior.
Para o economista, o aumento da inclusão de CPF no sistema decorre da retomada do processo inflacionário.
– Hoje convivemos com a retomada do processo inflacionário que é derivado de cinco vetores: realimento dos preços controlados, com altas nos preços da energia e combustíveis; instabilidade climática, que frustrou safras de alguns alimentos; o recorrente descontrole dos gastos do Governo, que pressiona o déficit público; a variação da taxa de câmbio; a percepção por parte dos agentes econômicos de que o Banco Central não consegue controlar a inflação via instrumentos de política monetária. As perspectivas para o ano que inicia ainda não são animadoras, seguramente nossa economia ainda tem um longo caminho até reverter a fase descendente do ciclo econômico.

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