Rumo a Brasília

Cerca de mil manifestantes iniciaram ontem à tarde, no Rio, a “Marcha Popular pelo Brasil”, com destino a Brasília. Organizada pelo MST (Movimento dos Sem-Terra) e por entidades e partidos de oposição ao governo FH, a marcha pretende denunciar as mazelas do governo neoliberal e “discutir com a população a gravidade da crise brasileira e um projeto alternativo”, de acordo com o coordenador nacional do MST João Pedro Stedile.
A previsão é que os manifestantes cheguem a Brasília no dia 7 de outubro. Nesse período, os manifestantes vão passar, entre outras cidades, por Petrópolis (RJ), no próximo dia 29; Juiz de Fora (MG), em 4 de agosto; Belo Horizonte (MG), 18 de agosto; Araxá (MG), 7 de setembro; e Uberlândia (MG), 15 de setembro. “O governo Fernando Henrique passou quatro anos preocupado com o capital internacional. Nesse período, sobrou a pobreza e o desemprego para o país”, atacou Stedile.
Grampo
Durante a marcha do MST, os manifestantes vão passar um abaixo-assinado pedindo a abertura da CPI da Telebrás, que deverá ser entregue em conjunto com partidos de oposição no dia 26 de agosto.

Exclusivo
Não se sabe se é por causa da concorrência acirrada ou apenas continuação de defeitos técnicos, mas de certas centrais telefônicas do Rio não se consegue ligar para outros estados atendidos pela Telemar usando o código da Embratel (21). A ligação cai antes que se consiga terminar de discar o número. Passando-se para o código da própria Telemar (31) tudo funciona.
Gol contra
Que a privatização não tenha melhorado os serviços da combalida Telerj, alguns usuários  mais resignados até admitem. Mas clientes da Telepar, do Paraná, estão revoltados com a queda da qualidade dos serviços de telefonia depois que a Tele Centro Sul assumiu a empresa. Paranaenses, que contavam com um atendimento razoável e barato (o telefone lá saía por menos de R$ 80 e era instalado rapidamente), agora reclamam que sofrem como os cariocas.

Heavy metal
Sob a alegação de que o barulho incomodava a vizinhança, o então prefeito César Maia mandou fechar e o seu sucessor, Luiz Paulo Conde, manteve fechado o Circo Voador. Agora, à medida que se aproxima o pleito municipal, a prefeitura volta a promover espetáculos públicos de música ao vivo. Um deles ocorreu na noite deste último sábado, até altas horas da madrugada de domingo, nos Arcos da Lapa, ao lado da desativada estrutura daquela casa de shows. Os decibéis superavam com facilidade a altura do som do Circo Voador.

Riqueza
“A água é um bem econômico finito e vulnerável e precisa ser preservado”. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), José Chacon, em entrevista ao jornal mensal Correio Sindical. Segundo dados da ONU, nos próximos 25 anos cerca de 38 bilhões de pessoas poderão viver em regiões de seca crônica. Água poderá se tornar um bem tão precioso quanto petróleo ou ouro – apenas 1% da água disponível no planeta é doce e o Brasil, sozinho, detém 8% do manancial de superfície existente no mundo; 80% dos recursos brasileiros se concentram na Amazônia, não por acaso, portanto, objeto da cobiça dos países ricos, que já estão nos limites de suas reservas hídricas.
Na mira
A privatização das empresas geradoras de energia – quase toda hidrelétrica – pode significar a perda da posse e da autonomia para manejo dos recursos hídricos do País.

Lá e cá
Redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, sem redução dos salários, para gerar, num período de três anos, entre 18 mil e 20 mil postos de trabalho. Fruto do acordo coletivo assinado na França entre empregados e a Eletricité de France (EDF), informa o jornal Correio Sindical. No Brasil, a EDF controla a Light, lucrativa empresa onde já se espera mais uma redução do quadro de pessoal.

Se correr…
Ao dizer que pretende aprovar o imposto contra a pobreza até dezembro deste ano, ACM pode estar exercitando sua faceta demagógica de costume, mas não se pode negar que ele conseguiu colocar FH numa sinuca de bico. Se o PSDB apoiar a proposta, ganha ACM; se for contra, ganha a antipatia da opinião pública.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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