Rumo ao sol

O PT sofrerá mais três baixas entre este fim de semana e a metade da próxima semana. Em reunião, neste sábado de manhã, no gabinete do deputado Chico Alencar (PT-RJ), no Centro do Rio, filiados do partido discutem seus rumos a partir do resultado do primeiro turno das eleições diretas no PT. Alencar deve formalizar sua desfiliação no próprio sábado, sendo seguido pelos deputados estaduais Eliomar Coelho e Alessandro Molon, que devem sair, respectivamente, na segunda e na quarta-feira. O destino dos três deve ser o PSOL, comandado pela senadora Heloísa Helena .

Recado alemão
Cientistas políticos e colunistas da imprensa impregnados pelo neoliberalismo têm tido dificuldade em entender o sucedidos nas eleições da Alemanha, onde o partido vencedor perdeu e o primeiro-ministro, segundo colocado, viu a votação de sua agremiação minguar. As análises, mais tendenciosas que profundas, tentam explicar que o povo alemão votou na mudança, mais radical (voto em Merkel), ou mais dissimulada (Schröder). Se foi assim, como explicar que os dois sejam encarados como derrotados?
A eleição, na verdade, deixou clara a rejeição às reformas (traduzindo do neoliberalês: garfada nos direitos da população); por isso, o CDU de Merkel teve votação pífia perto do que as pesquisas (também na Alemanha) tentaram empurrar e inferior aos votos das eleições anteriores. E Schröder, que tentou um golpe de mão para manter o poder e tocar as reformas, se vê agora entre se aliar aos liberais ou ao próprio CDU para continuar como primeiro-ministro.
O que o eleitor alemão não conseguiu enxergar no cardápio oferecido pelos partido foi uma alternativa efetiva. Por isso, parte votou em Schröder para impedir o avanço de frau Merkel. Outros foram para o novato Partido de Esquerda, que superou os verdes e despontou como a grande novidade da eleição. Porém, o complexo sistema eleitoral alemão impede – não por acidente – que os votos se transformem rapidamente em eleitos. Não por acaso, foi na Alemanha que nasceu a cláusula de barreira, no pós-II Guerra Mundial, para, no clímax da Guerra Fria, interditar o acesso dos comunistas ao Parlamento.
Os defensores da reforma não se sentem mais fortes – pelo contrário, sabem ouvir o recado das urnas e sabem que insistir no caminho do corte de direitos custará seus mandatos, como já ocorreu em eleições regionais. E nunca é demais lembrar que em momento de crise, com alto desemprego, na mesma Alemanha, o desconhecido Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores pulou de apenas 32 cadeiras, obtidas na eleição de maio de 1924, para 107 deputados (18% do parlamento), em 1930; dois anos depois, alcançou 44% das cadeiras. Em 30 de janeiro de 1933, Hitler assumiu como primeiro-ministro.

Mãe só para rentistas
Para Delfim Netto, czar econômico da ditadura militar, a vinculação de verbas, que no Brasil estão restritas às áreas sociais, não passa de corporativismo. “A vinculação é a avó da vagabundagem. Não é mãe, porque mãe às vezes castiga, o que nunca ocorre com a avó”, disse.
De acordo com Delfim, o presidente Lula ficou “entusiasmado” com sua proposta de déficit nominal zero: “Mas o Tesouro não quis, porque ficaria explícito para a sociedade o tamanho dos gastos com juros e seu efeito sobre o estoque da dívida”, ressalta, sem comentar, porém, o fato de sua proposta servir de garantir para o pagamento dos juros que critica. Ou seja, para Delfim, indexação só para os gastos financeiros.

Resistência
Nos últimos 126 anos, os trabalhadores de 168 países realizaram 91.947 protestos de tipos variados. O dado consta do livro Forças do trabalho movimentos de trabalhadores e globalização desde 1870, da professora Beverly Silver, da John Hopkins University. Em sua pesquisa Silver recorreu à base de dados do The World Labour Group, que registra manifestações de trabalhadores ao redor do mundo, para estudar as relações entre capital transnacional e trabalho a partir de um ponto de vista que não trate os operários como mera alavanca para reprodução do capital. O livro será lançado durante o seminário “Alternativas à globalização: potências emergentes e os novos caminhos da modernidade” promovido pela Reggen, entre 8 e 13 de outubro, no Rio.

Shell na rede
A Shell. Com tecnologia da empresa de ensino pela Internet Eschola.com, lança o primeiro treinamento on line do país para postos de combustíveis. O curso a distância “Descarga Segura”, resposta ao endurecimento das leis ambientais brasileiras, será oferecido aos 800 postos da Rede Mil da Shell e tem um custo até 80% inferior ao de um treinamento presencial, segundo a Eschola.com. Os postos que descumprirem as leis ambientais podem ser multados em até R$ 50 milhões.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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