Só as multinacionais criticam abertura unilateral

Após 24 horas, tempo mais que necessário para digerir a notícia, é espantosa a ausência de manifestação de uma, uma só que fosse, entidade da indústria ou da agricultura sobre a intenção do governo brasileiro em abrir mão das prerrogativas na Organização Mundial do Comércio (OMC) em troca de apoio para ingressar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A OMC, mesmo com seus defeitos e seu viés pró-ricos, proporciona alguma proteção para as nações em desenvolvimento. A OCDE, por seu lado, é, na prática, uma instituição destinada a impor a ideologia liberal (leia mais na nota abaixo). Aderir significa concordar com tratamento igual para desiguais.

Apesar da perspectiva real de prejuízos, os empresários e produtores rurais brasileiros preferem ficar na toca. Talvez menos por simpatia ideológica, mais por medo de retaliação do governo.

A única entidade a se manifestar contra a abertura comercial unilateral foi a das montadoras multinacionais. A Anfavea alerta que o Brasil perderá indústrias para o México.

 

Corpo de pesquisa

A OCDE é apresentada como “clube dos países ricos”. Não está muito longe da realidade, pois, apesar de contar com 36 membros, são os poderosos que mandam. Mas a instituição está longe de reunir os mais ricos do planeta. Como a própria entidade informa, além de economias avançadas, há entre os membros países emergentes (cita México, Turquia e Chile – sim, Paulo Guedes, a OCDE não considera o Chile desenvolvido).

O que faz a OCDE? Nas palavras da revista Economist, a organização é conhecida basicamente por três fatores: o primeiro são suas pesquisas; o segundo, trabalho contra evasão de impostos (Beps, Base Erosion and Profit Shifting); finalmente, o Pisa, o programa de análise e comparação do sistema educacional.

Talvez uma descrição mais adequada, embora mais prosaica, seja ‘um corpo de pesquisa e padrões’”, ironiza a revista britânica. Imposição de padrões liberais, acrescentaria a coluna.

 

Borogodó

O Brasil é inevitável tanto pelo que passou em sua história ríspida, dura, tumultuada, mas com algum esmero, quanto pelo que necessariamente há de se tornar no futuro, por todo seu potencial aqui analisado, e a partir de nosso posicionamento cultural e ético. Assim Mércio Gomes escreve em seu livro O Brasil Inevitável: Ética, mestiçagem e borogodó (Topbooks), que chegou às livrarias nesta terça-feira (19).

A reflexão sobre a moral e a ética brasileira é fundamental para o brasileiro tomar pé de sua vida social. A mestiçagem é tudo aquilo que nos constituiu desde o começo. Mestiçagem fundamental entre índios e negros, entre índios e brancos e entre brancos e negros – é o que formou nossa cultura de base. Inconfundível em qualquer parte do mundo. E o borogodó é o nosso mistério, que só à flor da pele, na experiência vivida, é que dá para senti-lo”, define Gomes, Ph.D em Antropologia, que presidiu a Funai entre 2003 e 2007.

 

Cota de sacrifício

Jornais lembram que (JUDICIÁRIO NÃO) militares, políticos e servidores também devem sua cota de sacrifício ao país. Além de faturar compulsoriamente a contribuição previdenciária dos trabalhadores formais (e vender pecúlio aos informais), o que compõe a cota dos bancos? Responda.

 

Rápidas

A Deloitte apresentará, na última semana de março, o Industry Transformation Cycle (ITC), no Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e Recife. Em discussão, um mundo em transformação, cada vez mais digital. Detalhes em deloitte.com/br/pt/pages/about-deloitte/events/itc-rio-de-janeiro.html *** Entre 2 e 11 de abril, seis cidades brasileiras receberão o Invest In Flórida, que apresentará um panorama sobre opções de investimentos em imóveis residenciais e comerciais. Informações em investinfloridaevents.com *** O concurso para o Corpo de Engenheiros da Marinha (CEM) está com inscrições abertas até 1° de abril. São oferecidas 54 vagas a candidatos de ambos os sexos. Inscrições: marinha.mil.br/sspm/ *** Em 25 e 26 de março, a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro montará um posto de vacinação contra a Febre Amarela no Carioca Shopping, das 10h às 13h *** O Secovi-SP lança no próximo dia 27 a quarta edição do Anuário do Mercado Imobiliário *** A avaliação positiva do presidente Jair Bolsonaro caiu 15 pontos em relação a janeiro, segundo o Ibope.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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