S&P prevê bancos perdendo US$ 2,1 trilhões até 2021

Empresa de classificação de risco reduz rating da Braskem para junk.

Acredite se Puder / 17:35 - 9 de jul de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Os bancos globais podem registrar perdas combinadas de US$ 2,1 trilhões em empréstimos até o final de 2021, como resultado das medidas de isolamento, afirmou a S&P Global. Para este ano, a expectativa de impacto é de US$ 1,3 trilhão, mais que o dobro do nível de 2019. Cerca de 60% das perdas são esperadas na região Ásia-Pacífico, devendo ser responsável por US$ 1,2 trilhão das perdas em 2021, dos quais três quartos devem ocorrer na China, afirmou a agência nesta quinta-feira, embora os maiores aumentos relativos acontecerão na América do Norte que deve registrar US$ 366 bilhões, seguida por Europa Ocidental, com US$ 228 bilhões; Leste Europeu, Oriente Médio e África, com US$ 142 bilhões e US$ 131 bilhões na América Latina. A S&P estima que os 200 maiores bancos representem dois terços dos empréstimos feitos no mundo e, neste ano, as perdas com crédito devem absorver cerca de 75% do lucro antes de provisões, mas esse índice vai melhorar para cerca de 40% em 2021.

A Standard & Poor’s reduziu para junk o rating da Braskem, mas não informou qual foi o nível de lixo escolhido. Acredita-se que deve da primeira faixa, pois só houve o rebaixamento de BBB- para BB+, com perspectiva estável. Em relatório, a agência classificadora afirma que permanece alto o risco de novo rebaixamento diante das incertezas trazidas pela pandemia e aponta que a demanda por produtos químicos globais sofreu impacto substancial este ano e a recuperação para os níveis de 2019 permanece incerta, em meio à visão de uma provável recuperação econômica desigual em todo o mundo. Porém, revela que a perspectiva estável reflete expectativa de aumento gradual dos fluxos de caixa nos próximos 12 meses e da dívida líquida em relação ao Ebitda em torno de 4 vezes até o final de 2020.

A companhia petroquímica informou que estima desembolsar R$ 1,6 bilhão para lidar com as consequências das áreas afetadas pela extração de sal-gema em Maceió (AL). A petroquímica prevê R$ 850 milhões em medidas de apoio aos moradores dos bairros de Bebedouro, Mutange e Bom Parto, além de outros R$ 750 milhões para o encerramento das atividades em Maceió. O Ministério Público e a Defensoria Pública determinaram anteriormente a desocupação de 1.918 imóveis nesses bairros. Segundo a Braskem, a companhia negocia com as autoridades as medidas que serão implementadas, embora afirme que “não está automaticamente obrigada a apoiar a desocupação destas novas áreas”.

O valor total da provisão agora será de cerca de R$ 4,8 bilhões (R$ 1,6 bilhão além dos R$ 3,2 bilhões provisionados no primeiro trimestre de 2020) e, embora a Braskem tenha liquidez suficiente para lidar com o desembolso adicional de caixa nos próximos dois anos, os analistas do Morgan Stanley consideram a provisão adicional como negativa, pois em janeiro, o valor inicial a ser provisionado era de R$ 2,7 bilhões. Esses técnicos não fizeram a menor referência a classificação da S&P e mantiveram a recomendação de neutra para a ação e com preço-alvo de R$ 28.

 

Itaú e Bradesco injetarão R$ 614 mi no IRB

O Conselho de Administração do IRB Brasil aprovou um aumento de capital de, no mínimo, R$ 2,1 bilhões e, no máximo, R$ 2,3 bilhões que será feito por meio da emissão de ações. Os acionistas Bradesco e Itaú Seguros, não pretendem ter diluição em suas participações e vão participar da subscrição para manter as atuais posições acionárias de, respectivamente, 15,4% e 11,3%. Como o preço de emissão dos papeis será de R$ 6,93, os dois bancos farão aporte de R$ 355,056 milhões e R$ 259,727 milhões, totalizando R$ 614,7 milhões.

Conforme relatório da XP Investimentos, o anúncio em si não é uma surpresa, uma vez que a empresa já havia alterado o estatuto de forma a possibilitar o aumento de capital, além de ter divulgado que a Susep constatou R$ 2,1 bilhões em em insuficiência de liquidez. Porém alguns fatos são novos, tais como: a) sócios Itaú e Bradesco se comprometeram a aportar no mínimo seus direitos de subscrição; b) o preço por ação da oferta é de R$ 6,93, 26% abaixo do fechamento do pregão anterior, possivelmente para incentivar a subscrição dos atuais acionistas; além de c) diluição entre 24% a 26% para acionistas que não subscreverem a oferta. E para a equipe da XP, os recursos contribuirão para o reenquadramento do IRB nas exigências regulatórias de liquidez da Susep, o que possivelmente colocará um fim na inspeção do regulador, mas ressaltam que vão continuar com a cobertura sob revisão devido a incertezas remanescentes relacionadas aos impactos com reguladores, clientes, retrocessionários e crescimento de prêmios

 

Morgan reduz recomendações da CCR e Ecorodovias

O Morgan Stanley reduziu de “comprar” para “neutra” a recomendação para as ações da CCR e Ecorodovias, pois seus analistas levaram em consideração que a maior parte potencial com o reequilíbrio dos contratos já estão embutidos no preço dessas ações. Apesar disso, o preço-alvo de ambas as empresas foi elevado, sendo que o da CCR passou de R$ 14,70 para R$ 16,30 e o da Ecorodovias, de R$ 13,40 para R$ 15,30.

 

CVM aprova tag along da Biotoscana

A CVM aprovou a oferta pública de tag along da Biotoscana, que vai cumprir a obrigação estatutária de aquisição dos BDRs em circulação após a transferência do controle da companhia e a descontinuidade voluntária do programa desses títulos. A OPA será realizada até 20 de julho e os titulares de BDRs poderão vender-los num leilão que será realizado entre 30 e 45 dias depois. Cada BDR da Biotoscana está sendo negociado a R$ 10,20.

 

Buffet cai para a posição de 8º bilionário

Coitado do Warren Buffett: em junho era o quinto homem mais rico do mundo e, em julho, ultrapassado por Steve Ballmer, antigo CEO da Microsoft, e por Larry Paige e Sergey Brin, co-fundadores do Google, caiu para o oitavo lugar, sua mais baixa posição no índice de bilionários.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor