Sachs: 'Guerra Fria geopolítica com China seria erro terrível'

Já em Cuba, presidente Díaz-Canel descreveu como 'obsessão perversa' dos EUA em enfraquecer o governo da ilha.

Internacional / 11:47 - 12 de ago de 2020

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"Os políticos norte-americanos correm o risco de cometer um 'erro terrível' ao fomentar uma Guerra Fria geopolítica com a China, advertiu Jeffrey Sachs, professor de Economia da Universidade de Columbia e conselheiro-sênior das Nações Unidas.

"A última Guerra Fria foi perigosa o suficiente. Esta seria ainda mais perigosa. Ela está sendo completamente mal-entendida e orientada, mas muitos americanos querem colocá-la na China e pensam que comandamos o show, o que é uma visão de pensamento muito perigosa", afirmou, em entrevista com a CNBC na segunda-feira.

Sachs observou que atacar a China se tornou uma estratégia bipartidária para ganho político nos EUA, mas uma Guerra Fria geopolítica com a China ameaçaria a segurança global em um período já tumultuado, pois a pandemia da Covid-19 continua sua propagação em todo o mundo.

"Embora a política seja um jogo, e muito difícil nos EUA, é um esporte incrivelmente perigoso também, e brincar com os fatos e as mentiras que estamos dizendo sobre a China atualmente terá consequências", disse Sachs à CNBC.

Sachs pediu que os líderes globais cooperem em questões como a mudança climática, à medida que a economia passa por um "período notavelmente agitado de ruptura e transição".

"Se encararmos sozinho como cada um está, vamos olhar para trás com muito pesar", enfatizou ele.

"A China rejeita qualquer tentativa de criar uma chamada 'nova Guerra Fria', porque isso vai contra os interesses fundamentais dos chineses e norte-americanos, bem como a tendência global na direção ao desenvolvimento e progresso", declarou o conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, no início deste mês.

Segundo ele, "qualquer um que tentar iniciar uma chamada 'nova Guerra Fria' no século XXI estará no lado errado da história e só será lembrado como aquele que acabou a cooperação internacional".

Também o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou na segunda-feira o que descreveu como a "obsessão perversa" dos EUA em enfraquecer o governo da ilha.

"Novos milhões para velhas infâmias, a obsessão perversa de esmagar a Revolução", postou Díaz-Canel no Twitter depois que Washington destinou US$ 3 milhões para organizações dispostas a investigarem as missões médicas de Cuba no exterior, alegando "violações trabalhistas".

Díaz-Canel incluiu um link para um artigo publicado pelo jornal estatal Granma, que dizia que a "nova aberração na guerra contra a ilha" era parte da estratégia do presidente dos EUA, Donald Trump, para desviar a atenção da pandemia de coronavírus, na esperança de aumentar suas chances de reeleição. Trump aposta em sua postura anticubana para conquistar a poderosa comunidade cubana exilada em Miami, que ajudou a elegê-lo em 2016, segundo Granma.

"O governo dos EUA nos calunia como pretexto para intensificar o embargo comercial contra Cuba, que concilia a máfia de Miami para fins eleitorais", dizia o artigo.

 

Com informações da Agência Xinhua

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