Saco de gatos

A virtual indicação de um peemedebista não alinhado com o governo para vice de José Serra representa uma confissão da ala governista do partido de que não possui lastro político e eleitoral para indicar um dos seus para a vaga. Já o senador Pedro Simon, caso aceite a missão, dará razão a antiga crítica de seus companheiros de partido: de que é oposição no Rio Grande do Sul e situação em Brasília.

Segurança nacional
Informa o sítio Comunique-se (www.comunique-se.com.br) que os Estados Unidos não pretendem diminuir o atual limite à propriedade estrangeira de emissoras de rádio e televisão no país. Um dos fatores da resistência do governo norte-americano é a preocupação quanto à segurança nacional – assunto considerado jurássico pela imprensa tupiniquim quando expresso em português, mas que em inglês está em primeiro lugar na pauta de preocupações, ainda mais após os atentados de 11 de setembro. O Brasil se prepara para abrir as portas das empresas de comunicação para estrangeiros – e ninguém é ingênuo de pensar que os grandes grupos da mídia mundial vão se contentar com os 30% formalmente aceitos pelo congresso. No início de maio, o governo do Reino Unido também anunciou que vai permitir para investidores não-europeus, o que equivale a dizer empresários norte-americanos.

Censura
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticou, em nota assinada pelo seu presidente, Francisco Mesquita Neto, a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que concedeu liminar ao pré-candidato do PSB à presidência da República, Anthony Garotinho, impedindo a veiculação de informações pela revista CartaCapital. A ANJ lembra que não é a primeira vez que Garotinho recorre à Justiça para cercear o direito de informação: em 13 de julho do ano passado, o então governador do Rio de Janeiro conseguiu censurar o jornal O Globo e outros veículos de comunicação. A decisão judicial “contraria a Constituição Federal de 1988, que não permite qualquer forma de censura prévia no país”, afirma Francisco Mesquita Neto.

Maneta
A persistir a tentativa de José Serra de apontar Saúde e Educação como únicas áreas defensáveis do governo FH para efeitos eleitorais, o tucano defenestrará três dos cinco dedos das mãos da campanha do presidente FH. Mais uma vez, Serra ficará atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, que, por motivos involuntários, perdeu apenas o dedo mindinho da mão esquerda.

PTucano
As teses de Cristóvam Buarque – ex-governador do Distrito Federal e possível candidato do PT ao Senado – a favor de um banco central independente já são conhecidas. Também os elogios à ação de Armínio Fraga e Pedro Malan (apesar da ressalva feita pelo petista de que oito anos de governo representaram um desgaste para o ministro da Fazenda). Mas em entrevista a uma rádio, Cristóvam deu novas mostras de simpatia ao estilo tucano de ser. O ex-governador expôs o que considera as condições ideais para o ministério petista: amor ao país, competência, honestidade e ser “um dos nossos” (declaração que, vinda dele, é enigmática, mas pelo contexto entende-se ser um membro do PT). Para o Ministério da Fazenda, porém, a última condição não é necessária. Tradução: o PT fica no assistencialismo e a política econômica continua nas mãos dos especuladores.

Sem sustos
Se não colar a proposta de abrir mão da política econômica, então Cristóvam Buarque sugere que os candidatos garantam que qualquer mudança na economia será discutida com os agentes econômicos e o Congresso, com prazo. Tradução dessa coluna, novamente: quem quiser pode continuar especulando, que teria depois bom tempo para ir embora e levar os lucros (assim como na Argentina).

“Yes”
A exposição aos valores norte-americanos trazidos pela globalização adiciona novo componente ao conflito de gerações entre os executivos japoneses. Embora todos dominem o inglês, o yupies nipônicos se divertem em tentar confundir os veteranos, recorrendo ao uso de gírias em profusão.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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