Saco sem fundo

A soma de sonegação, evasão, elisão, brechas legais e fraudes provocaram um buraco de R$ 32 bilhões na receita do INSS no primeiro ano do governo Lula, segundo a Associação Nacional dos Servidores da Previdência (Anasps). A previsão da Anasps é que este rombo chegue a R$ 36 bilhões em 2004, equivalente a 40% da receita de R$ 90 bilhões do instituto. O presidente da Anasps, Alexandre Barreto Lisboa, critica o governo petista por não cobrar dívidas, não capitalizar o INSS, “estimular e apurar o calote”, através do Refis.

Biografia
A manutenção da política econômica de Palocci ameaça fazer Lula entrar para a história pela porta dos fundos como condutor do crescimento mais medíocre imposto ao Brasil. Se entre os anos 50 e 80, a média do crescimento nacional foi de 7% ao ano – equivalente a um Japão por ano – na década perdida de 80 a média desabou para 2,1%, para recuar ainda mais, para 2%, na década desperdiçada de 90. Com queda de 0,2% no PIB no seu primeiro ano de governo e promessa de crescimento medíocre para o restante de seu mandato, Lula caminha para fazer um governo mais medíocre que a soma dos de FH e Collor, caso não mude sua política econômica.

Rio gosta do Lessa
No próximo dia 24, às 19h, o presidente do BNDES, Carlos Lessa, recebe no Plenário Barbosa Lima Sobrinho, da Assembléia Legislativa do Rio, a Medalha Pedro Ernesto. Autor da proposta, o deputado André Corrêa (PPS-RJ) justificou a homenagem como um reconhecimento “aos relevantes serviços prestados aos país, à experiência administrativa e ao elevadíssimo nível cultural” de Lessa, além dos “novos e promissores rumos” que vem dando ao BNDES.

Dores do parto
A adoção de uma política externa mais afirmativa, em contraste com o alinhamento automático tucano com os interesses dos Estados Unidos causa engulhos em setores do Itamaraty. A carta enviada ao secretário-geral, Samuel Pinheiro Guimarães, pelo embaixador Luiz Antonio Jardim Gagliardi,  na qual refere-se em termos muito pouco diplomáticos a Guimarães e ao chanceler Celso Amorim para justificar a antecipação de seu pedido de aposentadoria voluntária, revela como a aceitação de certas mudanças é dolorosa para os que vêem no papel desempenhado até então pela política externa nacional um fatalismo histórico.

Fila
Tema do momento, a obtenção de emprego é o mote do curso Marketing Pessoal – Desenvolvendo Empregabilidade, da Associação e o Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro – que poderiam começar em casa, aumentando o número de bancários ao invés de inflarem as agências com caixas eletrônicos. O curso começa nesta segunda-feira e termina na quinta, de 18h30 a 21h30. Inscrições pelos telefones (21) 2253-1538 e 2203-2188 ou e-mail [email protected]

Nota zero
Os professores e os funcionários administrativos da Universidade Candido Mendes entram em greve nesta segunda-feira. A paralisação, que atinge os campus do Centro e de Ipanema, se estende até quarta-feira, quando nova assembléia vai deliberar os rumos do movimento. Com um passivo trabalhista que soma R$ 8 milhões, entre salários não pagos, reajustes legais não obedecidos e não depósito de FGTS, entre outras obrigações, a universidade propos um redutor salarial e parcelar o pagamento dos atrasados em 20 vezes. Professores e funcionários administrativos resolveram, então, entrar em greve.

Economia
A Nova Dutra, concessionária da Rodovia Rio-São Paulo, deixou de recolher cerca de R$ 230 mil, referente ao ISS de janeiro, por conta de uma disputa política na cidade fluminense de Itatiaia. Segundo a prefeitura, a Lei Complementar Federal 116/03 possibilita a cobrança do imposto em cada município em cujo o território haja extensão de ferrovia, rodovia, postes, cabos, dutos e condutos de qualquer natureza, objetos de locação, sublocação, arrendamento, direito de passagem ou permissão de uso, compartilhado ou não. No Rio, a lei atingiria Telemar, Furnas, Cerj, Light, MRS e outras. Itatiaia não consegue arrecadar o imposto porque a Câmara de Vereadores não aprovou o Projeto de Lei 241/03. A estimativa é que a cidade deixe de recolher ao seu cofre R$ 8 milhões este ano. As empresas que seriam atingidas não se queixaram da morosidade do Legislativo municipal.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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