Saco sem fundo

Boa parte da retomada do crescimento dos Estados Unidos remonta à decisão do então presidente do Federal Reserve (Fed), Paul Vocker, de elevar, em 79, a taxa de juros norte-americana para 21% ao ano. Contratada a juros flutuantes, a dívida da América Latina, nos anos 80, saltou de US$ 180 bilhões para US$ 440 bilhões, apesar de os países da região terem esterilizado US$ 225 bilhões no pagamento de juros.

Suspeitas
Entre os profissionais da área de saúde existem fortes suspeitas de que os assassinatos, na manhã de ontem, de Edma Valadão, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, e de seu marido Marcos Valadão, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem, possam estar ligados a inúmeras outras mortes – de médicos – ocorridas recentemente por terem contrariado as máfias que dominam os hospitais públicos. Eles foram mortos a tiros quando se dirigiam à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), local onde se realiza desde a semana passada uma conferência sobre a área de saúde na qual denúncias que vão desde desvio de verba a irregularidades no Sistema Único de Saúde (SUS) têm sido apresentadas.
Máfia
Médicos que trabalham em hospitais públicos federais já estão com receio de denunciar esquemas que lesam os cofres públicos em benefício de algumas empresas, que cobram até cinco vezes mais do Estado do que da iniciativa privada. Três deputados da bancada fluminense estariam envolvidos no esquema, trabalhando para liberação de recursos em Brasília, que já viriam “carimbados” para as empresas da máfia.

Dois pesos
Numa demonstração de preocupação com a área social, o Governo anunciou com pompa a liberação extra de quase R$ 1 bilhão do Orçamento nos três últimos meses do ano. Menos da metade do que o BC liberou para o Banco Marka em apenas um dia, 13 de janeiro.

Maçonaria em ação
Cerca de cem representantes de 30 lojas maçônicas do Paraná lançaram o “Manifesto pela verdadeira independência do Brasil”. Aprovado no início do mês naquele estado prega a retomada do desenvolvimento e denuncia a crescente desnacionalização da economia.

Barril de pólvora
Mais de 50% da população rural de São Paulo já não vivem da agricultura. O dado, que consta de pesquisa do professor José Graziano da Silva, da Unicamp, sinaliza o aumento geométrico do subemprego no campo. Graziano salienta que o fenômeno se repete nas áreas rurais do Rio e de Brasília.

Com estudo
Apesar da tentativa de satanização do movimento pelo governo FH e pela mídia “chapa branca”, que deletou suas atividades da pauta, o MST continua bem visto pela comunidade acadêmica. Segundo o coordenador do MST,. João Pedro Stédile, o MST mantém convênio com oito universidades brasileiras, o que já permitiu que 80 assentados tenham acesso a cursos universitários.

Rumo a Brasília
A chega a Brasília da Marcha Popular pelo Brasil, organizada pelo MST, está confirmada para 7 de outubro, segundo o economista Cesar Benjamin, um dos coordenadores do movimento. Segundo ele, dia 15, a Marcha entrou em Uberlândia, a primeira cidade em que a prefeitura se recusou a receber seus integrantes. O reitor da Universidade Federal de Uberlândia não deu permissão para os membros do MST acamparem no campus. Mesmo assim, os participantes da Marcha ocuparam o campus, sendo bem-recebidos pelos estudantes, o que levou o reitor a acabar pedindo desculpas aos manifestantes. A preocupação dos organizadores é com a queda no fundo financeiro da Marcha. Os 1.000 caminhantes gastam por dia R$ 1,5 mil com comida, remédios e outras despesas.

Machão a perigo
O sinal amarelo foi aceso por amigos do governador Mário Covas. É que para desfazer a imagem de indeciso, para ficar em palavra bem mais light que as expressões chulas usadas pelos adversários, os marqueteiros do tucano botaram-no para bater boca com caminhoneiros, internos, grevistas, funcionários públicos e tudo o mais o que no imaginário da elite forma a turba. Por enquanto, a reação restringiu-se a ovos, xingamentos e empurra-empurra, mas a imagem do “telefone” nas proeminentes orelhas do então ministro César Cals que aposentou o populismo do general João Figueiredo ainda está viva na memória de tucanos que não esqueceram tudo que viram na época da ditadura.

General Malan
Comentário indignado de um colaborador do MM, especialista em segurança e estratégia, sobre o Timor: “O Brasil, que poderia ter evitado que a situação chegasse a este ponto, agora está dando uma exibição pública de impotência. O Malan é que determinou o tamanho (ridículo) dos integrantes brasileiros da Força de Paz. Quando atacarem a Amazônia, ele vai querer que o Brasil se renda, para não aumentar o déficit público nem desagradar ao FMI. E FH é bem capaz de obedecer…”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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