Safra

O Jornal Nacional, da Rede Globo, gastou quinta-feira perto de três minutos para tentar mostrar que o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra (MST) cobravam uma contribuição dos assentados para financiar a invasão de fazendas. Acabou conseguindo demonstrar o lado positivo do MST, que é seu bom trabalho cooperativo. Por mais que o repórter se esforçasse em contrário, o que conseguiu colher foi uma série de depoimentos de agricultores que contribuem espontaneamente para o movimento, por acreditar que assim estão fazendo o que é correto. Estranho é o jornal da Globo cobrar da cooperativa do MST no Pontal do Paranapanema que abrisse seus balanços, já que o movimento reclama da falta de transparência do governo federal. Não se consegue enxergar os motivos pelo quais uma associação teria de revelar seus dados a outros que não os cooperativados. Já o governo federal tem, não só a obrigação de ser transparente, como também correr atrás dos “lalaus” que se multiplicaram nos últimos anos.

Culatra
A ostensiva campanha do governador do Rio, Antony Garotinho, em favor do candidato à reeleição à prefeitura da capital, Luís Paulo Conde, está provocando uma estranha reação em setores da classe média da zona Sul, que estão aderindo ao candidato rival, César Maia. Não que Garotinho esteja “queimado”, mas sua insistência e os métodos que tem utilizado estão levando à preferência por alguém, digamos, menos comprometido.

Invertido
Sobe e desce tal qual ao Sul do equador, os institutos de pesquisa norte-americanos colhem resultados que a razão desconhece. Depois de vencer o primeiro debate na televisão, na opinião dos pesquisados, o candidato democrata à presidência dos EUA, o Al Gore, viu sua candidatura perder a liderança que mantinha há meses nas pesquisas. O republicano George Bush teria agora de um a oito pontos percentuais de vantagens. Como Bush foi apontado o vencedor segundo debate, espera-se – por esta estranha lógica – ver Al Gore de volta ao primeiro posto em breve.

Seis e meia dúzia
Ao ver as duas candidaturas postas à disposição da população dos EUA, o eleitor carioca não tem como não se lembrar da eleição local, onde deverá escolher entre Conde e seu ex-mentor César Maia.

Perdendo terreno
A taxa média anual de crescimento das exportações brasileiras no período 1984/1999 representou a metade da taxa média de expansão no mundo: 3,9% contra 7,8%. Enquanto isso, o concorrentes diretos do país em 84 – com Coréia do Sul, México e Taiwan – dispararam. As exportações da Coréia aumentaram 11,2% no período, as do país latino 10,9% e as de Taiwan 9,7%. Os dados são do ex-ministro Delfim Netto, defensor das empresas exportadoras no Brasil.

Jóia rara
A resistência à privatização do Banespa cresce no Estado de São Paulo. Trezentos e cinqüenta câmaras municipais – 114 mais do que o previsto em lei – já aprovaram seu apoio à proposta de emenda constitucional nº 4, que estabelece que o Banespa tenha gestão pública, com sete representantes do estado e oito da sociedade. Além disso, a Associação dos Funcionários do Banespa (Afubesp) recolheu 306.607 assinaturas de eleitores em 645 municípios do estado para requerer plebiscito para que a população se pronuncie sobre a privatização ou não da instituição. Segundo o balanço de 1999, o banco conta com 577 agências e 771 postos de atendimento no país, 14 agências no exterior, 3 milhões de clientes, 22,5 mil funcionários, lucro de R$ 1,1 bilhão até novembro, ativos de R$ 26,6 bilhões, patrimônio líquido de R$ 4,7 bilhões e R$ 12,3 bilhões em títulos do governo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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