Sai o banco, entra a banca

Cresce o número de pessoas que têm ido a Las Vegas, apesar do elevado custo de vida na cidade. Longe, porém, de representar um sinal de manutenção do poder aquisitivo dos estadunidenses mesmo com o acirramento da crise, a visita aos cassinos e o frenesi dos visitantes soa mais como uma busca da sorte nas roletas depois da quebra dos bancos.

Carga
Numa época em que a escassez de empregos de qualidade no setor privado leva milhões de brasileiros a enxergarem nos concursos públicos a última esperança de uma vida sem sobressaltos, a história a seguir ilustra as fragilidades do Estado nacional. Um fiscal recém-aprovado em concurso público foi deslocado para trabalhar na fronteira com a Bolívia. Numa das suas primeiras jornadas, deparou-se com um caminhão lotado de pacotes de cocaína. Chamou a Polícia Federal e lavrou os autos – sim, o imposto é cobrado independentemente da legalidade ou não do produto. Na mesma noite, recebeu a visita em sua casa de dois homens muito bem vestidos, que, após apresentarem-se como os donos da “mercadoria”, ofereceram-lhe duas alternativas: deixar de ter qualquer problema financeiro para o resto da vida ou ter a família assassinada.

Desmonte
As apreensões pararam, mas, para além de uma decisão pessoal, o episódio reafirma como as estruturas do Estado brasileiro foram apropriadas pelos mais variados interesses privados.

Mudo
O prefeito do Rio, Cesar Maia, gasta boa parte de seu Ex-blog analisando pesquisas sobre as próximas eleições. Mas há uma semana é esperado dele algum comentário sobre pesquisa do DataFolha que apontou o edil carioca como o pior prefeito de capital do país.

Domínio
Apesar da eleição de Evo Morales, a oligarquia boliviana continua com domínio total sobre os grandes meios de comunicação do país. E manteve também o poder em estados como Tarija, Santa Cruz, Beni e Pando, nos quais todos os atuais governadores são afilhados políticos do general Hugo Banzer. Também participaram do governo de Gonzalo Sanchez de Lozada, refugiado nos anos Estados Unidos desde 2003 para fugir de processos na Justiça boliviana, na qual responde à acusação de responsável pelo assassinato de manifestantes que protestavam contra seu governo.

Caixa
A desculpa de que os estados “oposicionistas” lutam contra a redução nos impostos sobre o petróleo é esfarrapada, relata “correspondente” desta coluna na Bolívia. Com as nacionalizações feitas pelo governo, essas arrecadações aumentaram, de modo que as prefeituras não conseguiam gastar nem 60% desses recursos e não existe qualquer projeto ou proposta para utilização desse dinheiro, relata o brasileiro temporariamente estabelecido na Bolívia.

Segregação
Até a eleição de Morales, uma pessoa com sobrenome indígena não podia entrar em uma universidade ou ascender a um posto no Exército. Em Sucre (capital constitucional e um dos focos de distúrbios), alguns restaurantes proibiam explicitamente a entrada de indígenas (e continuam fazendo isso na prática).

Razões
A desconversa do ministro da Defesa, Nelson Jobim, depois que exames periciais descartaram a possibilidade de os equipamentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) serem aptos para grampear telefones tornam ainda mais intrigante o papel de Jobim no episódio. Com sua tese desautorizada pela perícia, Jobim alegou que não se pronunciaria sobre o assunto porque este não era da sua alçada. Ou a pasta do ministro ganha e perde atribuições em intervalos exíguos de tempo ao sabor das conveniências do ministro, ou Delfim deve ter razões mais profundas para fazer lobby contra a Abin.

Fim de linha
O diagnóstico é, praticamente, consensual, inclusive, nos mercados financeiros: a quebra do sistema financeiro dos Estados Unidos marca o fim da era dos bancos de investimentos. Conhecidos mais popularmente como bancos de gaveta, eles estão sendo engolidos, um a um, pelos bancos tradicionais ou indo à breca.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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