Saída para crise cambial é fechamento do câmbio

Esperar que ‘reformas’ solucionem o caos que transforma bilhões em pó é hipocrisia.

Fatos e Comentários / 20:12 - 12 de mar de 2020

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Com os Estados Unidos jogando a crise econômica mundial no colo dos outros, reagir mantendo os negócios de sempre é deixar a ideologia xiita suplantar o pragmatismo. A menos que o objetivo seja garantir o lucro astronômico da mesma casta de sempre, a equipe econômica precisa mudar o rumo – ou dar espaço para os mais experientes e competentes. Não se trata de impedir perdas daqueles que estão nas bolsas ou no mercado cambial, mas de garantir tranquilidade à economia do país.

O economista e jornalista José Carlos de Assis afirma que a única medida razoável que pode ser adotada em face da crise cambial é o fechamento do câmbio. “Nenhum dólar das reservas, por nenhuma razão, deve sair do país enquanto a crise durar. É o meio de assegurar que, nas próximas semanas e meses, o país não fique sem dinheiro para financiar investimento, tecnologias e outros ativos reais.”

Uma crise que transforma bilhões de investimentos em cinzas, em questão de horas e de dias, será superada com a reforma tributária, a reforma administrativa, o pacto federativo e não sei quantas mais outras reformas?”, questiona Assis. “Hipócrita. Como pode dizer que essas reformas, todas inviáveis a curto prazo e inúteis a longo prazo, podem dar alguma contribuição, mínima que seja, ao enfrentamento da atual crise?”

Assis acrescenta que é “inadequado atribuir ao coronavírus a tragédia em que estamos mergulhados. Ele apenas agrava a situação. A razão fundamental, no Brasil, é uma das políticas econômicas mais estúpidas jamais tentadas na história do capitalismo, inclusive no Chile do Pinochet. Este resguardou para o governo algumas estatais estratégicas do cobre, que reforçaram o orçamento público, enquanto aqui queremos liquidar com as empresas públicas estratégicas, como Petrobras, Eletrobras e outras 15, todas essenciais para o desenvolvimento”.

 

Visão técnica

O país de 200 milhões de técnicos de futebol tem agora outro tanto de especialistas em infecção dando palpites. A coluna recorreu à Sociedade Brasileira de Infectologia para ter informação confiável. Segundo a entidade, a capacidade de contágio, que é o número médio de “contagiados” por cada pessoa doente, do coronavírus é de 2,74, ou seja, uma pessoa doente com Covid-19 transmite o vírus, em média, a outras 2,74 pessoas. “Comparativamente, na pandemia de influenza H1N1 em 2009, esta taxa foi de 1,5, e no sarampo é em torno de 15”, informa a Sociedade.

Um ponto interessante é a opinião dos especialistas sobre uma medida que tem se alastrado, o fechamento de escolas e faculdades. “Neste momento da epidemia no Brasil não está recomendado fechar escolas ou faculdades ou escritórios. O fechamento de escolas pode levar a várias famílias a terem que deixar seus filhos com seus avós, pois seus pais trabalham. Nas crianças, a Covid-19 tem se apresentado de forma leve e a letalidade é próximo a zero; já no idoso, a letalidade aumenta muito. No idoso com mais de 80 anos e comorbidades, a letalidade é em torno de 15%.”

Neste momento, fechar os estabelecimentos de ensino pode significar alastrar a doença entre os mais vulneráveis, os idosos.

 

Sem força

Há gente da oposição que lamenta o cancelamento dos atos pró-governo do dia 15. Acreditam que as manifestações mostrariam a real força de Bolsonaro – e que, a julgar pelo movimento de abortar os atos usando como desculpa o coronavírus, estava mais para fraqueza.

 

Rápidas

Vinte artistas brasileiros aceitaram o desafio de apresentar através da arte uma visão sobre o Alzheimer. O resultado dessa iniciativa poderá ser vista em exposição na Casa da Ciência da UFRJ, que vai até 31 de maio, patrocinada pela Rede D’Or São Luiz e idealizada pelo coletivo ArtBio *** Domingo, das 12h às 18h, tem feira de produtos cultivados sem agrotóxicos no Caxias Shopping *** Sábado tem campanha de adoção de animais no Carioca Shopping, parceria com o projeto Entre Pegadas, das 15h às 19h *** Cláudia Chueri Kodja, doutora em História Econômica da USP, estará na próxima segunda-feira, a partir das 10h, na Confederação Nacional do Comércio no Rio de Janeiro, a convite do Consulado Geral do Líbano, para discutir as “Alternativas para crise econômica global”.

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