Enquanto parte do mundo quer estar na China, a China mostra que tem um mercado interno forte e robusto e uma indústria em expansão para o mundo. Em parceria com o portal Guia do Carro, a Via Digital veio para o país que passou a ter a indústria automotiva mais pujante do mundo para conferir as principais novidades do Salão de Pequim 2026, que abriu suas portas em 24 de abril e vai até 3 de maio.
É um salão superlativo em todos os sentidos: o evento une o novo Centro de Exposições Capital ao complexo de Shunyi. Vitrine para novas tecnologias, dos quase 1.500 veículos em exibição, 181 deles são estreias mundiais e 71 carros-conceito.
A feira sinaliza o fim da agressiva disputa por preços baixos, dando lugar a uma competição baseada em conteúdo tecnológico e qualidade construtiva. As marcas locais deixaram de focar apenas em volume para investir em veículos de alto valor agregado, prontos para enfrentar marcas premium europeias.
A tecnologia dita o ritmo do evento. Muitos sensores, sistemas autônomos, carros com baterias mais duráveis e inteligência artificial apontam para as tendências. Nos carros, SUVs grandes, com mais de 5 metros de comprimento, três fileiras de bancos e pacotes tecnológicos dominam. Modelos como o BYD Sealion 08, o Leapmotor D19 e o IM LS6 exemplificam esta nova fase.




Na disputa das baterias, BYD e CATL travam uma batalha tecnológica de alto nível: a BYD apresenta a segunda geração da bateria Blade, com carregamento em menos de 10 minutos, enquanto a CATL responde com a bateria Shenxing 15C e tecnologias de estado sólido.
O CEO da Xiaomi, Lei Jun, dirigiu seu novo SU7 por 1.313 km, de Pequim a Xangai, com apenas uma parada para recarga. Os sensores LiDAR, antes restritos a veículos premium, também democratizaram: a Leapmotor já oferece LiDAR em carros populares, o que dá a dimensão do salto de custo-benefício que a indústria chinesa está realizando.
Outro protagonista tecnológico foi o cockpit digital integrado, com atualizações remotas OTA e assistentes de voz nativos, que tornaram-se o padrão esperado pelos consumidores em praticamente todos os modelos exibidos.
Embora o carro elétrico puro siga como eixo central, o evento deu destaque renovado aos veículos com extensor de autonomia (Reev), tecnologia que utiliza um motor a combustão apenas para gerar energia às baterias e que ganha força em marcas como Leapmotor e Chery, sendo vista como uma ponte ideal para mercados globais que ainda carecem de infraestrutura de carregamento ultrarrápido.

Para o Brasil, o Salão de Pequim deixou de ser vitrine e tornou-se agenda. Com marcas como GWM, Leapmotor, Chery, BYD, Changan, GAC, Geely, Jetour, Omoda e Jaecoo já instaladas no País, o que é revelado na China logo estreia por aqui.
Brasil torna-se pioneiro no PHEV Flex
A grande notícia do evento para o mercado brasileiro foi protagonizada pela GWM. A montadora antecipou globalmente, na abertura do salão, o lançamento do Tank 300 PHEV Flex, apresentado como o primeiro híbrido plug-in flex fuel do mundo, disponibilizado simultaneamente para venda no Brasil como linha 2027 por R$ 342 mil.




O SUV combina motor 2.0 turbo a combustão com um propulsor elétrico acoplado a uma transmissão automática de nove marchas, entregando 394 cv de potência. A tecnologia flex foi desenvolvida no Brasil em parceria direta com a Bosch, e o projeto exigiu calibração específica para o etanol hidratado, uma complexidade técnica inédita para sistemas híbridos plug-in.
Com a bateria de 37,1 kWh, o modelo oferece até 74 km de autonomia no modo 100% elétrico pelo padrão Inmetro. A GWM não parou por aí: também confirmou o SUV médio Ora 5 na versão elétrica para o portfólio brasileiro para os próximos meses.
Leapmotor deverá ter novos carros e fabricação nacional


A Leapmotor, presente no Brasil desde 2025 sob o guarda-chuva do grupo Stellantis, usou o salão para exibir o que está por vir. No Salão de Pequim, a marca apresentou ao público o B05 Ultra, além de outros modelos de sua gama como o B03X, D19, D99, A10, C10 e C16.
O modelo mais esperado pelos brasileiros é o A10, um SUV compacto elétrico de 204 cv de potência e cerca de 500 km de autonomia, que no Brasil deverá adotar o nome B03X e disputar espaço com SUVs compactos. Na outra ponta da gama, está o D19, SUV premium de 4,91 metros, com banco traseiro reclinável eletricamente e sistema de som com 23 alto-falantes.
No Brasil, a Leapmotor já está presente em 60 cidades com 70 lojas. A fábrica de Goiana (PE), onde a Stellantis já produz modelos Jeep, Ram e Fiat, será responsável pela fabricação dos modelos B10 e C10 e no abastecimento de outros países latino-americanos que receberão a marca em breve. A Leapmotor planeja expandir para Argentina, Colômbia, Equador e Uruguai ainda este ano, usando o Brasil como base regional.
Uma nova safra que desembarca no Brasil
O Grupo Chery foi outro grande anunciante e confirmou duas novas marcas para o Brasil: a Exeed e a Lepas. A Exeed é a marca de luxo da Chery, com modelos ainda em estudo. Já a Lepas terá operação separada da Chery, da Omoda, da Jaecoo e da Jetour, com portfólio de até 15 modelos entre sedãs e SUVs, todos com design inspirado na Porsche e maioria com opção elétrica. Os primeiros modelos anunciados para o Brasil são os SUVs L4 e L6.
A Omoda Jaecoo, que completa um ano de Brasil, confirmou dois modelos de entrada, o Omoda 4 e o Jaecoo 5, com estimativas de preços competitivos e posicionados para pressionar SUVs compactos tradicionais do mercado nacional.
Também ganhou espaço no Salão de Pequim a ofensiva da MG Motor. A marca confirmou a chegada do MG4 Urban, modelo elétrico de entrada projetado para brigar diretamente com o BYD Dolphin, e anunciou a estreia da submarca de luxo IM no segundo semestre de 2026.


A Changan, agora associada à Caoa no Brasil, exibiu os SUVs híbridos CS75 e CS55, modelos com potencial para os segmentos médio e médio-grande.
BYD, GAC e Geely
A BYD, que ocupa praticamente um pavilhão só seu e de suas submarcas, exibiu o Grand Tang, SUV de sete lugares com 784 cv de potência combinada e autonomia de 950 km, previsto para chegar ao Brasil (provavelmente com o nome Tan) como novo topo de linha.
A terceira geração do Yuan Plus, que estreou em Pequim, também foi confirmada, e traz o sistema de assistência God’s Eye B, sensores LiDAR para direção automatizada e a função Flash Charging, que recupera a bateria em apenas 10 minutos.


Outra confirmação estratégica é a variante híbrida do Dolphin, com produção em Camaçari (BA) prevista para o final deste ano ou início de 2027, além da atualização do Song Pro híbrido flex para este ano.
A BYD introduziu a segunda geração da bateria Blade e padronizou o carregamento ultrarrápido para as submarcas Denza, Fangchengbao e Yangwang.
No nicho de alto desempenho, o Denza Z conversível supera os 1.000 cv, enquanto o Yangwang U9 Xtreme atingiu a velocidade recorde de 496,22 km/h.
A GAC atualizou a linha Aion, com o N60, SUV compacto elétrico com autonomia de até 610 km. Para o Brasil especificamente, o anúncio mais concreto foi o do Aion UT, posicionado para competir diretamente com o BYD Dolphin.
A Geely, com o peso da joint-venture com a Renault, também tem um pavilhão quase todo seu, reunindo as marcas Zeekr, Lynk & Co, Geely Galaxy e China Star.
A Lynk & Co, marca do grupo posicionada entre o volume e o premium, confirmou que o primeiro modelo a desembarcar no Brasil será o SUV médio Lynk & Co 01, híbrido plug-in, construído sobre a plataforma CMA da Geely, a mesma usada pela Volvo com o EX40 (este tem chegada prevista para o segundo semestre de 2026). É uma marca até agora desconhecida do grande público brasileiro, mas que pode abrir espaço num segmento de luxo eletrificado que hoje tem poucos competidores com preços razoáveis.
O que ficou em Pequim, pelo menos por enquanto, é o Eva Cab, robotáxi de nível 4 de autonomia que a Geely estreou no Salão e não tem expectativa de chegar aqui.

















