Salário mínimo pode ficar negativo já em janeiro

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O fim da política de valorização do salário mínimo, junto à alta dos preços dos alimentos, estão corroendo o poder de compra do brasileiro. Para 2021, o orçamento enviado pelo governo ao Congresso estabelece um piso de R$ 1.067,00, o que significa um aumento de 2,1%, apenas repondo a inflação de 2020.

Segundo levantamento do Dieese – Subseção Contag, a alta da inflação pode corroer o salário mínimo logo no primeiro mês de 2021, deixando o valor negativo ao longo de 2021, uma vez que o governo espera uma inflação de 3,2% no próximo ano. Se isso se efetivar, voltaremos aos patamares praticados no fim do governo FHC.

Dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Dieese, indicaram que, em setembro, os preços do conjunto de alimentos básicos, necessários para as refeições de uma pessoa adulta (conforme Decreto-lei 399/38) durante um mês, aumentaram em todas as capitais pesquisadas. As maiores altas foram observadas em Florianópolis (9,80%), Salvador (9,70%) e Aracaju (7,13%).

Em 12 meses, a maior elevação ocorreu em Salvador (33,12%, mais de 10 vezes a inflação do período). Das 17 capitais pesquisadas, apenas três tiveram aumento em 12 meses inferior a 20%: São Paulo (18,89%), Natal (19,78%) e Brasília (6,13%).

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Com base na cesta mais cara, que, em setembro, foi a de Florianópolis (R$ 582,40), o Dieese estima que o salário mínimo necessário deveria ter sido equivalente a R$ 4.892,75, o que corresponde a 4,68 vezes o mínimo vigente. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, em setembro, foi de 104 horas e 14 minutos, maior do que em agosto, quando ficou em 99 horas e 24 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (de 7,5%), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em setembro, na média, 51,22% do salário líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em agosto, o percentual era de 48,85%.

Em São Paulo, a cesta custou R$ 563,35 em setembro, com elevação de 4,33% na comparação com agosto. No Rio de Janeiro, o valor da cesta foi de R$ 563,75, variação mensal de 6,42% e de 23,03% em 12 meses.

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