Saneamento inadequado provoca aumento de casos de cólera

No Brasil, aproximadamente 40% da população mora em localidades sem tratamento de esgoto, o que aumenta os riscos para a saúde

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Falta de saneamento e direitos básicos (Foto: ABr/arquivo)
Falta de saneamento (Foto: ABr/arquivo)

A falta de acesso à água potável e de estrutura de esgotamento sanitário adequado foram fatores apontados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o aumento de casos de cólera no mundo. A instituição emitiu um alerta recente e informou que os casos da doença mais que dobrou em 2022 em comparação a 2021.

“As doenças de veiculação hídrica têm maior potencial de propagação em regiões sem adequadas condições de saneamento. No Brasil, aproximadamente 40% da população mora em localidades sem tratamento de esgoto, o que aumenta os riscos para a saúde”, alerta o engenheiro Luiz Pladevall, vice-presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs) e presidente da Abes-SP.

A OMS reforçou que a cólera é uma infecção intestinal aguda, que se espalha por meio de alimentos e água contaminados com fezes contendo a bactéria Vibrio cholerae e que o quadro está intimamente ligado à ausência de água potável, falta de saneamento e pobreza.

No Brasil, aproximadamente 270 mil pessoas são internadas para tratamento de doenças de veiculação hídrica todos os anos, com um custo de cerca de R$ 108 milhões, de acordo com dados do Ministério da Saúde de 2019. “O atraso na universalização do país impacta diretamente no sistema de saúde, onerando ainda mais os cofres públicos. Por isso, é importante alcançar as metas do novo marco legal do saneamento”, pontua Pladevall.

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Projeções da Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (a Abcon/Sindicon) e da KPMG estimam a necessidade de investimentos na ordem de R$ 893,3 bilhões até 2033, para a universalização do saneamento.

“Estamos falando de quase R$ 90 bilhões por ano, precisamos preparar toda a cadeia produtiva, este valor é 3 ou 4 vezes o que investimos hoje. Avançamos importantes passos desde a aprovação da Lei no 14.026/2020, mas ainda caminhamos bem aquém da velocidade necessária”, ressalta Pladevall.

Estudo do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) apresentado em 2021, com base nos indicadores fornecidos por 4.744 das 5.570 prefeituras existentes no país, apontava que quase metade da população abrangida pelo sistema não tem acesso a redes de esgoto. Isso significa que, de um total de 208,7 milhões de brasileiros, 94,1 milhões não dispõem do serviço.

De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), considerando as informações municipais, o percentual de pessoas que contam com rede de esgotos é um pouco maior na população urbana: 63% contra os 55% da população geral (urbana e rural). Em termos gerais, a Região Sudeste tem a melhor cobertura, com 80,5% da população atendida por rede de esgoto. Em seguida, vêm as regiões Centro-Oeste (59,5%); Sul (47,4%); Nordeste (30,3%) e Norte (13,1%).

O número de prefeituras que forneceram informações sobre o abastecimento de água à população – 5.350 – é superior ao das que se manifestaram sobre a rede de esgoto, atingindo 96% de todos os 5.570 municípios brasileiros. Desta forma, nesse campo, o levantamento captou a situação de 98,6% das 208,7 milhões de pessoas abrangidas pelo Snis. Destas, 93,4% das que viviam em centros urbanos eram atendidas por redes públicas de abastecimento de água em 2020.

Em 5.337 municípios, o que representa 99,8% das prefeituras que forneceram informações, o serviço era fornecido pelo sistema público. Em 13 cidades, eram adotadas soluções alternativas, como poços, cisternas e caminhões-pipa.

Na ocasião, o Ministério do Desenvolvimento Regional estimou que havia, em 2020, dentre os municípios que alimentaram a base do Snis com dados sobre resíduos sólidos, 1.545 lixões em funcionamento, contra 652 aterros sanitários e 617 aterros controlados.

Com informações da Agência Brasil

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