Sangue

O Banco Central Europeu quer que a Espanha “flexibilize” ainda mais sua legislação trabalhista, autorizando pagamentos abaixo do salário mínimo. Segundo El Economista, o BCE solicitou ao governo de Zapatero que, em troca da reativação do programa de compra de dívida espanhola, houvesse uma “desvalorização competitiva” dos salários. O salário mínimo é de 641,4 euros, e o BCE quer contratos especiais com remuneração máxima de 400 euros mensais. O trabalhador não pagaria impostos e ficaria fora do sistema previdenciário.
A carta foi enviada em agosto, quando ainda presidia o BCE Jean-Claude Trichet. Apesar de o teor ter sido revelado por Mariano Rajoy, que venceu as últimas eleições e substituirá Zapatero este mês, não se sabe se o novo governante apoiará a proposta.

Público x privado
O episódio que questiona o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, por misturar consultoria com influência política não deve ser rebaixado à luta política dentro dos cânones do moralismo seletivo cativado por grande parte da imprensa tupiniquim. O debate sobre as relações entre público e privado não pode ficar restrito ao desejo de apear do poder mais um ministro da presidente Dilma Rousseff.
O Brasil precisa conhecer os nomes de todos ex-ocupantes de cargos públicos, petistas, tucanos e de outras agremiações, que, tendo tratado de interesses de Estado, atravessaram com rapidez a tênue fronteira que os separam dos objetivos privados, para receber contracheques de pelo menos sete dígitos.. Essa investigação precisa concentrar-se em posições-chave, como Banco Central, Ministério da Fazenda e outros cargos decisórios da equipe econômica.
Deixar tão relevante tema seguir a lógica do varejo político é garantia de repetição do recorrente jogo soma zero, praticado por petistas e tucanos, em que acusações mútuas de malfeitorias servem, não para desembocarem em investigação judicial e eventuais punições duplas, mas para umas anularem outras.

Família milionária
Como consultorias têm preços subjetivos, tanto servem para ouvir opiniões de especialistas e/ou detentores de informações privilegiadas em governos dos diferentes níveis, como para legalizar, com direito a recibo e desconto de imposto de renda, pagamento de propinas por favores prestados a consultores ex-governantes.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a lei limitou a US$ 1 milhão o pagamento que os agentes públicos podem receber anualmente por palestras. A generosa restrição, porém, não foi impeditiva de ganhos extras para políticos criativos. Ex-presidente da Câmara dos Representantes e pré-candidato Republicano mais badalado da vez, Newt Gingrich, por exemplo, depois de atingir o teto legal, passou a ter a mulher convidada para fazer palestras em seu lugar, garantindo assim o double million.

Futuro
A consultoria de TI Gartner revelou suas previsões para 2012. As principais são: a bolha de investimentos vai explodir para as redes sociais de consumidores em 2013 e para as companhias de software social empresarial em 2014; até 2016, pelo menos 50% dos usuários de e-mail empresarial vão depender primariamente de um leitor móvel, em vez de um computador de mesa; até 2015, os projetos de desenvolvimento de aplicações voltadas para smartphones e tablets vão superar os projetos nativos de PCs a uma taxa de quatro para um; no final de 2016, mais de 50% das companhias da Global 1000 terão armazenados dados confidenciais dos clientes na nuvem pública; até 2016, o impacto financeiro do crime virtual aumentará 10% por ano.
Em relação a outros videntes, como estatísticos de futebol ou economistas de mercado, a Gartner tem a seu favor que costuma acertar a maioria das previsões.

Recompensa
O Secretário de Transporte do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Lopes, julgou o acidente que envolveu um catamarã da Barcas S/A, no último dia 28, como “inaceitável”. Ato contínuo, revelou que o governo deve subsidiar a passagem em R$ 1,30. Atualmente a tarifa é de R$ 2,80 entre Rio e Niterói, mas já foi autorizado reajuste para R$ 4,40. O passageiro pagaria R$ 3,10, e o restante fica na conta da viúva.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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