São a demanda e o investimento público, estúpidos

Os cortes de impostos corporativos, de 35% para 21%, aplicados pelo Governo Trump foram responsáveis pelo aumento dos investimentos nos Estados Unidos, certo? Errado. A maior parte do ganho que as grandes empresas tiveram foi usada para recomprar ações das próprias companhias. Então o que elevou os investimentos?

O bom e velho consumo, explica o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Nosso estudo recente sugere uma razão mais simples: o investimento das empresas tem aumentado porque a demanda interna e as vendas estão subindo. Também descobrimos que o aumento do poder de mercado – a capacidade das empresas cobrarem preços acima dos custos de produção – diminuiu o impacto dos cortes de impostos corporativos nas decisões de investimento empresarial”, explicam os economistas Emanuel Kopp, Daniel Leigh e Suchanan Tambunlertchai.

O crescimento nas vendas e o otimismo em relação às perspectivas futuras de vendas são forças centrais que influenciam as empresas a investir mais. Ou seja, investe-se porque há mercado. De acordo com o estudo, praticamente todo o crescimento do investimento empresarial norte-americano desde 2017 pode ser explicado pelas expectativas do setor privado quanto à demanda futura de produtos.

Os fatores que impulsionaram a demanda em 2018 incluíram a maior renda disponível das famílias – devido ao corte nos impostos da pessoa física – bem como o aumento dos gastos do governo. Sim, exatamente isso: os EUA crescem com mais gastos públicos, algo que, no Brasil, deixa Guedes e Cia. arrepiados.

Então, o que poderia explicar essa resposta relativamente fraca do investimento a uma redução na alíquota efetiva do imposto sobre as empresas?”, questionam os autores do texto. A concentração. “À medida que as empresas ganham poder de mercado e suas respectivas indústrias se tornam mais concentradas, seus lucros estão cada vez mais na forma de rendas monopolistas – bem acima dos lucros normais que prevalecem quando há mais concorrência.”

Em tal ambiente, um corte na taxa de imposto de renda corporativo deve aumentar os lucros de monopólio após impostos, mas induzir uma resposta menor nas decisões de produção e investimento das empresas. Portanto, um corte de impostos hoje poderia ter um impacto menor do que nas décadas passadas, devido à natureza mutável do panorama corporativo dos EUA.”

 

Fórmula ultrapassada

O pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, segue “a lógica equivocada de que é preciso aumentar o rigor penal para enfrentar a insegurança pública e tentar reduzir a criminalidade urbana”, analisou o presidente da Comissão de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Marcio Barandier.

Esta é uma fórmula comprovadamente fracassada, que vai resultar numa elevação ainda maior do encarceramento em massa”, disse em audiência pública no Senado nesta quinta-feira.

A resistência ao pacote fez até o presidente Bolsonaro recuar e deixar as medidas para depois da reforma tributária – outro tema espinhoso, diga-se.

 

Reforma

Nelson Barbosa, que foi ministro de Dilma, tinha proposto em 2015 que os valores das pensões fossem de 50% do benefício da Previdência, acrescido de 10% para o dependente. Pior do que a de Bolsonaro (60% mais 10%). O PT não pode só culpar o Eduardo Cunha pelo impeachment.

 

Rápidas

No dia 13, o Conselho Regional de Contabilidade do Rio (CRCRJ) realizará mesa redonda em Resende para discutir a implementação de alvarás eletrônicos. Inscrições: webserver.crcrj.org.br/_eventos/form-inscricaoNP.asp?id_evento=1028 *** Programas de compliance serão tema de debate na FGV Direito Rio, 19 de agosto. Inscrições: direitorio.fgv.br/eventos/compliance-corporativa-promovendo-transparencia-e-responsabilidade-nos-negocios *** Debate sobre o PL 2.962/2019, que libera terras a estrangeiros será realizado pelo Instituto Brasileiro de Direito Empresarial, nesta sexta, das 8 às 12h, com os senadores Irajá Abreu (PSD-TO) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente autor e relator do projeto. Será no Hotel Ca’d’ro, São Paulo *** A Associação Comercial de Santos (ACS) receberá, 18 de agosto, em duas sessões (17h e 19h), o programa Concertos Petrobras-Tribuna, com solista Rommel Fernandes, violinista Pablo de León, violista Horácio Schaefer e violoncelista Roberto Ring.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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